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Por que Kim Kardashian afetou valor da ação do Facebook na bolsa?

Kim Kardashian pretende iniciar boicote a Facebook e Instagram - E! Entertainment
Kim Kardashian pretende iniciar boicote a Facebook e Instagram Imagem: E! Entertainment

Uday Sampath Kumar

15/09/2020 17h15

As ações do Facebook desaceleraram os ganhos após a modelo e influenciadora Kim Kardashian West tuitar que estaria "congelando" suas contas do Instagram e do Facebook.

O valor dos papéis chegou a US$ 269,55 após a declaração, depois de ter subido mais de 3% mais cedo. Após isso, o papel recuperou espaço e mostrava alta de mais de 2% no fechamento preliminar.

"Junte-se a mim amanhã, quando estarei 'congelando' minha conta do Instagram e do Facebook para dizer ao Facebook para #StopHateForProfit", escreveu Kardashian West no Twitter.

O Facebook recebeu críticas em relação ao tratamento do discurso de ódio em sua rede social. No início deste ano, centenas de anunciantes boicotaram temporariamente o Facebook.

Mais recentemente, a companhia disse que estava melhorando a detecção e remoção de incitação ao ódio antes das eleições gerais de Mianmar em novembro.

Movimento reuniu centenas de empresas

Marcas como Adidas, Volkswagen, Coca-Cola, Diageo, Ford e Unilever são algumas das principais empresas que anunciaram o boicote às redes sociais até julho, independente da adesão ao movimento.

"Não há lugar para o racismo no mundo e não há lugar para o racismo nas mídias sociais. Vamos usar esse tempo para reavaliar nossa política de marketing e determinar quais revisões serão necessárias. Também esperamos mais responsabilidade e transparência de nossos parceiros de mídias sociais", declarou James Quincey, CEO e presidente do conselho da Coca-Cola Company.

O Stop Hate For Profit, organizado por grupos de direitos civis norte-americanas, é "uma resposta à longa história do Facebook de permitir que conteúdo racista, violento e falso seja disseminado em sua plataforma". Para mostrar que não lutava sozinho, o movimento solicitou que as marcas parassem de anunciar nas empresas de Mark Zuckerberg durante o mês de julho.

Algumas foram além e anunciaram que vão estender seus boicotes até o final do ano. Outras, ainda, também deixarão de anunciar em outras redes sociais e de compartilhamento de conteúdo, como o Twitter e o YouTube.

O boicote também atingirá as redes sociais no Brasil. Isto porque as orientações de empresas como Coca-Cola e Diageo são globais. A marca de refrigerantes, por exemplo, anunciou que irá interromper suas "postagens pagas e orgânicas em todas as plataformas de mídia social", por, pelo menos, 30 dias.

Facebook se defende

O Facebook gera 98% de sua receita por meio de anúncios. A companhia recebeu US$ 17,4 bilhões em publicidade apenas no primeiro trimestre de 2020. No início de julho, a empresa se defendeu, por meio de um comunicado.

No texto, assinado por Nick Clegg, vice-presidente global de políticas públicas e comunicação do Facebook, a empresa comenta as críticas que tem recebido e declara que "não lucra com o ódio".

"Quando a sociedade está dividida e as tensões aumentam, essas divisões aparecem nas redes sociais. (...) Talvez nunca consigamos erradicar que o discurso de ódio apareça no Facebook, mas estamos melhorando o tempo todo para impedir esse tipo de conteúdo", afirma.