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Universidade cria implante que controla dor baixando a temperatura do nervo

Implante para controle da dor que baixa temperatura do nervo, criado pela Northwestern University - Divulgação/Northwestern University
Implante para controle da dor que baixa temperatura do nervo, criado pela Northwestern University Imagem: Divulgação/Northwestern University

Da Redação

Em São Paulo

02/07/2022 16h15

Bateu a cabeça? O cotovelo? A canela? Coloca gelo para diminuir a dor. Todo mundo conhece essa técnica, e agora a ciência está disposta a aplicá-la diretamente nas terminações nervosas do corpo.

Uma equipe de pesquisadores da Northwestern University, nos EUA, criou um equipamento médico que pode ser implantado diretamente na fibra nervosa, diminuindo sua temperatura em 10° C, o que reduz a emissão de sinais de dor para o cérebro.

É uma faixa fina e flexível, com uma extremidade interna, para envolver a fibra nervosa, e outra externa, que emerge da pele para ser conectada a um sistema que bombeia gás nitrogênio e perfluorpentano (PFP).

Essas duas substâncias percorrem microcanais e se misturam na extremidade interna, próximo ao nervo. Isso causa uma reação que evapora o PFP, reduzindo a temperatura.

A ideia é que esses implantes sejam aplicados no pós-operatório de cirurgias. Seria uma maneira de gerenciar a dor do paciente sem recorrer a analgésicos baseados em opióides, que têm causado uma epidemia de dependência química nos EUA.

E o melhor é que a faixa é totalmente biodegradável e naturalmente é absorvida pelo corpo, sem efeitos colaterais, conforme as dores da cirurgia diminuem.

Por enquanto, ela só foi testada em ratos de laboratório. Animais que receberam o equipamento no nervo ciático da perna tiveram uma tolerância muito maior a dor. Em seis meses, o aparelho já havia sido absorvido pelo organismo, sem lesão ao nervo.

O próximo passo da pesquisa é testar em mais animais pra descobrir por quanto tempo (e até a qual temperatura) as fibras nervosas podem ser resfriadas sem dano permanente.

John Rogers, um dos líderes da pesquisa, também afirma que seria possível criar um implante permanente para quem sofre de dor crônica incurável - o equipamento pode ser refeito em materiais que não se decompõem.