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Quem é a primeira mulher brasileira eleita para o Hall da Fama da Internet?

Pesquisadora gaúcha Liane Tarouco entrou para o Hall da Fama da Internet - Divulgação/RNP
Pesquisadora gaúcha Liane Tarouco entrou para o Hall da Fama da Internet Imagem: Divulgação/RNP

Marcos Bomfim

Colaboração para Tilt, em São Paulo

18/12/2021 15h35

A professora e pesquisadora Liane Tarouco é a primeira mulher brasileira eleita para o Hall da Fama da Internet, criado em 2012 pela Internet Society para reconhecer um grupo distinto e seleto de líderes que contribuíram para o desenvolvimento e avanço da Internet aberta global.

O país também conta com outro homenageado, Carlos Afonso, ex-presidente e membro fundador da ISOC Brasil (Internet Society), e cofundador do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE) e da Association for Progressive Communications.

Segundo a entidade, o reconhecimento de Liane se dá pelo seu pioneirismo no desenvolvimento da internet no Brasil e na forma como colaborou para a formação de uma geração de engenheiros e especialistas em redes não só no país, mas também em outras regiões da América do Sul, Europa e África.

"[Liane] Tarouco também fez contribuições significativas para o desenho e implementação de redes acadêmicas e metropolitanas no Brasil, bem como o primeiro backbone de Internet do Brasil", afirma.

Os estudos da professora na área de redes começaram no início dos anos 1970 na UFRS (Universidade Federal do Rio Grande Sul). Foi ao longo deste período, em 1976, que Tarouco usou o seu conhecimento para construir a Rede Sul de Teleprocessamento, a primeira iniciativa de interconexão de universidades brasileiras.

Embora o processo não tenha andado por falta de recursos, a iniciativa serviu como inspiração para outros projetos. A pesquisadora foi fundamental para o lançamento da Rede Tchê, que conecta universidades e centros de pesquisa no estado do Rio Grande do Sul.

O pioneirismo de Tarouco pode ser notado também no lançamento do livro "Redes de Comunicação de Dados", em 1977. A publicação foi a primeira do gênero no país e logo se transformou em conteúdo referência nos cursos de computação em todas as universidades.

A entidade também recorda que a professora, hoje diretora do Centro Interdisciplinar de Novas Tecnologias na Educação (Cinted), contribuiu para o desenvolvimento da rede metropolitana MetroPOA e para o desenho e formação da Rede Nacional de Pesquisa (RNP), o primeiro backbone da Internet do Brasil, em 1992.

Democratização da Internet

No reconhecimento a Carlos Afonso, que foi premiado juntamente com Liane Tarouco, a Internet Society destaca o seu papel na busca constante por democratizar o acesso à internet e cita duas organizações que o especialista cofundou, o Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE) e a Association for Progressive Communications (APC).

Foi com o Ibase que Afonso, ao lado de Herbert de Souza, o Betinho, desenvolveu o primeiro provedor de acesso à Internet no Brasil, o Alternex, lançado em 1989 como um serviço gratuito para organizações da sociedade civil e indivíduos.

Na ECO-92, Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro, ele propôs e coordenou a utilização do Alternex, o que entrou para a história como o primeiro uso da internet em um evento da ONU (Organização das Nações Unidas).

"Essa demonstração abriu os olhos de centenas de líderes mundiais para os benefícios da comunicação global e ajudou a promover a Internet no Brasil", reconhece a entidade.

Hoje em dia, Afonso lidera o Instituto Nupef, instituto que implanta redes comunitárias em áreas pobres e negligenciadas no Norte do país. Ele também é membro do Grupo Consultivo de Múltiplas Partes Interessadas do Fórum de Governança da Internet da ONU.

Liane e Afonso se juntam ao pequeno grupo de pesquisadores já reconhecidos com a honraria por sua contribuição no desenvolvimento da internet no Brasil. Entre eles, estão Demi Getschko, conhecido como o "pai da internet brasileira", em 2014; Michael Stanton, em 2019, e Tadao Takahashi, em 2017, agraciados por suas contribuições para o desenvolvimento da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP).