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Pela primeira vez na história, tocamos a atmosfera do Sol; veja como foi

Detalhe das estruturas fotografadas pela sonda Parker Solar Probe  - NASA/Johns Hopkins APL/Laboratório de Pesquisa Naval
Detalhe das estruturas fotografadas pela sonda Parker Solar Probe Imagem: NASA/Johns Hopkins APL/Laboratório de Pesquisa Naval

Do Tilt, em São Paulo

15/12/2021 11h08Atualizada em 15/12/2021 19h03

A sonda Parker Solar Probe, da Nasa, encostou oficialmente na atmosfera do Sol pela primeira vez na história. O anúncio foi feito ontem pela agência espacial norte-americana.

Lançada em 2018, a sonda fez uma viagem pela camada mais externa da atmosfera do Sol, conhecida como coroa. Durante o mergulho, coletou amostras de partículas e campos magnéticos.

"Este marco não apenas nos fornece percepções mais profundas sobre a evolução de nosso Sol e seus impactos em nosso Sistema Solar, mas tudo que aprendemos sobre nossa própria estrela também nos ensina mais sobre estrelas no resto do Universo", disse Thomas Zurbuchen, coordenador associado do diretório de missão científica da Nasa.

Os cientistas informaram que a sonda voou pela coroa em abril, mas demoraram meses para obter os dados e confirmá-los.

A Parker estava a 13 milhões de quilômetros de distância da superfície do sol quando "mergulhou" para dentro e para fora da coroa pelo menos três vezes, cada uma com uma transição suave, de acordo com os cientistas.

Em 2019, a sonda havia detectado que estruturas magnéticas no vento solar, chamadas de ziguezague, ocorriam com frequência perto do astro. Mas como e onde elas se formavam permanecia um mistério. Reduzindo pela metade a distância ao Sol desde então, a Parker Solar Probe agora passou perto o suficiente para identificar o lugar de origem dessas estruturas: a superfície solar.

Diferentemente da Terra, o Sol não tem uma superfície sólida e sim uma atmosfera superaquecida, feita de material solar ligado a ele pela gravidade e forças magnéticas. O calor e a pressão empurram esse material para longe do Sol, até que a gravidade e os campos magnéticos ficam fracos demais para contê-lo.

Esse fenômeno dá origem ao vento solar, que é um fluxo contínuo de partículas energéticas emitidas pela coroa solar, que pode afetar as atividades na Terra, desde os satélites até as telecomunicações.

Nour Raouafi, da Universidade Johns Hopkins e cientista de projeto da sonda Parker, afirmou que futuros mergulhos na atmosfera solar ajudarão cientistas a entenderem melhor a origem do vento solar e como ele é aquecido e acelerado através do espaço.

A primeira passagem pela coroa, que durou apenas algumas horas, é uma das muitas previstas durante a missão. A sonda continuará se aproximando do Sol e avançando na coroa até uma grande órbita final em 2025.

Errata: este conteúdo foi atualizado
Diferentemente do que dizia uma versão anterior deste texto, no 5º parágrafo, a sonda Parker esteve a 13 milhões de quilômetros de distância da superfície do sol, e não a 13 quilômetros do centro da estrela. O erro foi corrigido.