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Asteroide enorme não caiu na Terra, mas gerou boas imagens no Brasil; veja

Marcella Duarte

Colaboração para Tilt

24/03/2021 10h47Atualizada em 24/03/2021 21h24

Você talvez nem tenha percebido, mas, no último domingo (21), o maior asteroide a se aproximar da Terra em 2021 passou "pertinho" de nós. "Perto" em termos astronômicos, pois estamos falando de mais de 2 milhões de quilômetros de distância. Sem qualquer risco de colisão, a aproximação foi uma ótima oportunidade para astrônomos estudarem a rocha especial e obterem algumas imagens do seu movimento.

Nomeado 2001 FO32, o asteroide tem um diâmetro estimado entre 440 e 680 metros. Ele cruzou os céus a uma velocidade estimada de 124 mil quilômetros por hora, chegando a uma distância de 2.016.158 km de nosso planeta —cerca de cinco vezes a distância entre a Terra e a Lua.

A passagem foi visível apenas no hemisfério Sul e em algumas baixas latitudes do hemisfério Norte, próximo ao Equador, na área da cauda da constelação do Escorpião. Mas não era possível ver o objeto a olho nu.

Os brasileiros mais preparados que esperavam por este momento conseguiram registrá-lo. São astrônomos amadores e profissionais, que tiraram fotos e vídeos usando grandes telescópios e câmeras. O que dá para ver é o asteroide, como uma luzinha, se movendo sobre um plano de fundo de estrelas.

Houve registros em Monte Carmelo (MG) (Observatório Zênite), Oliveira (MG) (Observatório Sonear), Araruama (RJ) (Observatório AstroARA), Manaus (AM) (Observatório OARU) e João Pessoa (PB) (Bramon).

Nas imagens, as estrelas parecem não se mover pois são usados softwares e sistemas de motorização nos telescópios para acompanhar o movimento aparente dos corpos celestes. O asteroide é visto como um risquinho pois são usadas configurações de longa exposição nas câmeras acopladas ao sistema —elas tiraram diversas fotos que depois foram "grudadas" para compor o vídeo.

Apenas nos registros do Sonear acontece o contrário: são as estrelas que parecem tracinhos. Isso porque o telescópio fixou a visão no próprio asteroide, que aparece como um pontinho sempre no centro da imagem.

Já as imagens da Bramon são diferentes pois são as únicas que formam realmente um vídeo (e não uma composição de fotos em sequência). Ou seja, mostram basicamente o que alguém veria ao olhar pela objetiva do telescópio. Foi usada uma câmera de vigilância simples, mas de alta sensibilidade, encaixada ao aparelho.

Embora o asteroide 2001 FO32 (também conhecido como 231937) seja classificado como um asteroide potencialmente perigoso pelo seu tamanho e órbita, ele não apresenta riscos de impacto com a Terra nos próximos séculos.

Descoberto em 2001, ele nos visita a cada dois anos, aproximadamente. A próxima vez que passará tão "próximo" da Terra será em 22 de março de 2052, quando estará a 2,8 milhões de quilômetros de distância.