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Em meio a pressão, Google exibe curadoria paga de notícias no Brasil

Getty Images
Imagem: Getty Images

Gabriel Francisco Ribeiro

De Tilt, em São Paulo

01/10/2020 14h43

O Google lança nesta quinta-feira (1º) um espaço em seu aplicativo "Google Notícias" com notícias escolhidas por veículos de comunicação, que serão remunerados pelo serviço de curadoria. A novidade vem em um momento de crescente pressão internacional para que plataformas norte-americanas remunerem os veículos de imprensa por exibir notícias em seus produtos. Brasil e Alemanha são os primeiros países a receberem o novo recurso.

O novo recurso está disponível na aba "Destaques" do aplicativo. Nela, os veículos selecionados vão criar painéis personalizados (tópicos, linha do tempo ou artigos relacionados, por exemplo) para que aprofundem algum fato que mereça destaque. Ao clicar na notícia, você continuará sendo direcionado para o site jornalístico.

A parceria ainda permitirá o acesso a reportagens selecionadas que possuem "paywall" (ou seja, limitadas apenas para assinantes).

"O valor das notícias está em ter um ambiente mais bem informado, é importante até para nossa democracia", afirmou Brad Bender, vice-presidente de gerenciamento de produtos de notícias do Google, em entrevista a Tilt. "O programa está sendo construído com sites estabelecidos, que têm audiências relevantes e sejam referências. Temos tanto grandes sites quanto locais, usando critérios objetivos como o tráfego", disse.

Na visão de Marcelo Rech, presidente da ANJ (Associação Nacional de Jornais), o movimento do Google tem um lado positivo e outro negativo. "É muito positivo que o Google finalmente reconheça que o jornalismo deve ser remunerado, é um sinal de que tem valor. Jamais tinha reconhecido antes, isso deve ser saudado. Mas é um valor limitado e é algo específico, algumas notícias por dia", afirmou.

Para Nikos Smyrnaios, professor associado no Departamento de Mídias Digitais na Universidade de Toulouse (França) e especialista nas grandes plataformas de tecnologia, a novidade do Google é uma tentativa da empresa dividir os veículos. "A ideia é selecionar um número de veículos que poderiam ser parte desse programa e seriam pagos por isso, deixando outros de lado. Mas isso é uma estratégia para dividir os veículos", critica.

As plataformas de tecnologia, como Google e Facebook, travam uma batalha em diversos países para não serem reguladas. Muitos veículos de mídia pressionam governos locais para que as gigantes da tecnologia repassem parte do dinheiro que ganham com publicidade online para quem faz os conteúdos jornalísticos.

O Google, assim, se antecipa a possíveis mudanças na lei e trabalha para fechar contratos em seus próprios termos. "As plataformas vão tentar seguir sem regulamentação e irão ceder um pouco, aqui e ali, para evitar legislações", disse Ken Doctor, analista da indústria de notícias e autor do livro "Newsonomics: Doze Novas Tendências que Moldarão as Notícias" a Tilt.

Questionado, o Google não informou quantas pessoas realmente usam o aplicativo. Na busca normal, que a grande maioria das pessoas usa para achar conteúdos, nada muda por enquanto.

Inicialmente, 20 órgãos de imprensa nacionais estarão nessa seção:

  • UOL
  • Folha de S.Paulo
  • Band
  • Estadão
  • Jovem Pan
  • Veja
  • Revista Piauí
  • Zero Hora
  • A Gazeta
  • Jornal Correio
  • Correio Braziliense
  • Estado de Minas
  • Folha de Boa Vista
  • Folha de Pernambuco
  • Gazeta do Povo
  • Jornal do Comércio
  • NSC Total
  • O Dia
  • O Tempo
  • Portal Correio

O valor pago pela curadoria de notícias foi negociado pelo Google com cada veículo de imprensa.