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Quem sabe na próxima? Busca em 10 milhões de astros não capta sinal alien

Algumas das antenas do radiotelescópio MWA à noite, na Austrália - MWA/Dr John Goldsmith
Algumas das antenas do radiotelescópio MWA à noite, na Austrália Imagem: MWA/Dr John Goldsmith

Mirthyani Bezerra

Colaboração para Tilt

08/09/2020 13h07

Ainda não foi dessa vez que achamos vida inteligente no espaço, amigos. Na mais recente busca por tecnologia extraterrestre, nenhum sinal de rádio foi encontrado mesmo após os pesquisadores terem ouvido, por 17 horas, uma parte do céu ao redor da constelação de Vela —uma região com mais de 10 milhões de astros.

O estudo, divulgado na segunda (7) na revista da Sociedade Australiana de Astronomia, reuniu dados coletados de 4.096 antenas instaladas no MWA (Murchison Widefield Array), uma espécie de radiotelescópio no cidade de Murchisin, na Austrália Ocidental. Essas antenas captam sinais de rádio vindos de fora da Terra, também chamados de "tecnoassinaturas".

"São pequenas antenas semelhantes a aranhas que ficam no chão", explica Chenoa Tremblay, coautora do estudo e astrofísica da CSIRO, uma organização de pesquisa científica do governo australiano.

Mas como eles vão saber reconhecer um sinal alien se ouvirem um? Segundo Tremblay, isso é possível usando a mesma lógica de um alarme que não para de soar. "Imagine um alarme de um carro, daqueles quando você deixa as luzes acesas. Há uma série de sons de 'ping' contínuos e igualmente espaçados. A pesquisa procura por um ping repetido que pode escapar do ruído de um planeta ou um sinal construído para esse fim", disse.

Para fazer a varredura, os pesquisadores pegaram carona em outro projeto que também estuda a região da constelação Vela, com o objetivo de entender o ciclo de vida das estrelas. Um grande número delas já explodiu e morreu por lá, criando as condições ideais para a formação de novos astros.

Depois de ouvir a região por 17 horas, os pesquisadores não encontraram nenhum sinal desconhecido. A pesquisa conseguiu capturar sons de mais de 10,3 milhões de fontes estelares e de seis exoplanetas previamente descobertos, embora provavelmente muitos mais existam na região.

Os poréns

Os cientistas reconhecem, no entanto, que a pesquisa tentou encontrar algo em um oceano estudando apenas "um volume de água equivalente a uma grande piscina de quintal". Além disso, na pesquisa eles assumem que se há uma tecnologia alienígena, ela tem uma cara semelhante a da nossa.

Segundo Tremblay, se há vida inteligente fora da Terra, também pode haver a possibilidade de ela não ter desenvolvido a capacidade de se comunicar por meio de sinais de rádio.

Parte de trabalho é também examinar de onde vêm as moléculas simples necessárias para a vida e como podemos ser capazes de detectá-las. De acordo com a astrofísica, se pudermos encontrar sinais dessas moléculas, isso pode sinalizar a existência de vida alienígena.