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Inovadora pistola 3D imprime pele artificial diretamente em feridas graves

Cientistas criam dispositivo que imprime pele artificial - Universidade de Toronto
Cientistas criam dispositivo que imprime pele artificial Imagem: Universidade de Toronto

Marcelle Duarte

Colaboração para Tilt

08/02/2020 04h00

Sem tempo, irmão

  • Cientistas canadenses desenvolveram aparelho portátil que “imprime” pele artificial
  • Biotinta especial contém células-tronco que estimula a regeneração dos tecidos
  • Tratamento elimina a necessidade dos invasivos enxertos de pele
  • Queimaduras se curam mais rapidamente

Um rolo de fita adesiva, só que feito de pele. Essa é a melhor analogia para explicar como funciona um novo aparelho desenvolvido por cientistas da Universidade de Toronto, no Canadá. Trata-se de uma impressora 3D portátil que cria pedaços de pele artificial para serem aplicadas diretamente nas feridas de vítimas de queimaduras graves.

O dispositivo e a pele artificial fazem parte dos resultados de uma pesquisa publicada nesta semana no jornal "Biofabrication", da IOPScience. Os estudos começaram em 2018, mas a novidade é que a inovação foi testada com sucesso em animais.

Como a pele impressa funciona?

Do tamanho de uma caixa de sapatos, o dispositivo pesa menos de 1kg. Quando acionado, ele "imprime" folhas de pele capazes de fechar as queimaduras. Elas possuem propriedades cicatrizantes e regeneradoras.

Tão fácil como fechar um envelope com fita adesiva, elimina-se qualquer necessidade de enxerto de pele, técnica mais comum atualmente, que usa pedaços de tecido retirados de outras áreas do corpo da própria da pessoa e os implanta no local queimado, após remoção de toda a pele afetada.

O material impresso é uma "biotinta" especial, feita de materiais biológicos, incluindo colágeno, fibrina (proteína que atua na cicatrização) e as importantes células estromais mesenquimais (um tipo de célula-tronco, encontrada na medula óssea, que auxilia o sistema imunológico e estimula o crescimento de novas células).

A pesquisa publicada inclui testes em porcos com queimaduras profundas. Para efeitos comparativos, alguns dos animais receberam implantes de colágeno e outros foram deixados para cicatrizar naturalmente. Assim, foi possível avaliar a evolução das lesões tratadas com a pele gerada pelo aparelho.

Os resultados animaram os cientistas. "O aparelho depositou com sucesso 'folhas de pele' nas feridas, de maneira uniforme, segura e confiável. As folhas permaneceram no local com apenas mínimos movimentos", disse o pesquisador Marc Jeschke, em um comunicado.

"E o mais importante: nossos resultados mostraram que as feridas tratadas com células estromais mesenquimais se curaram extremamente bem, com uma redução de inflamação, cicatrizes e contração [deformidades na cicatrização que deixam o tecido repuxado", relatou Jeschke.

Revolução na medicina

Ao que tudo indica, o dispositivo, agora, está mais perto de chegar ao uso real em clínicas médicas. Se realmente der certo, será incrivelmente transformador para a área.

Atualmente, as opções para tratamento de pacientes com grandes áreas de queimaduras de terceiro grau (onde há perda de tecidos profundos) ainda são delicadas e complexas. A mais comum, como já mencionado, ainda é o enxerto.

É uma técnica que dá certo em muitos pacientes, mas todo o processo requer uma série de condições favoráveis. Em casos muito graves, não há tecido saudável suficiente para cobrir os ferimentos. Além disso, são criadas novas áreas feridas que também precisarão cicatrizar, com potencial de causar mais dor e existe o risco de infecções.

Algumas terapias alternativas também têm sido usadas, como implantes de colágeno (uma espécie de "cola" do nosso organismo, em geral usado para reparar cartilagens e ossos) ou substitutos temporários de pele desenvolvidos "in vitro" em laboratório (curativos de poliuretano, hidrocoloide, hemicelulose, vaselina). Mas todas possuem algum nível de limitação: são caras, agem muito devagar, ou só podem ser usadas por um curto período.

Segundo os resultados do estudo feito na universidade canadense, o aparelho desenvolvido é promissor por não ter tantos fatores limitantes. O próximo passo, que deve acontecer em breve, é o início de testes em humanos.

Um dos principais desafios é desenvolver um procedimento médico que reduza ao máximo o risco de infecções - um dos maiores riscos no tratamento de queimaduras.

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