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5 coisas que você deve saber sobre má fase da WeWork, a "casa" das startups

Adam Neumann agora é ex-CEO do WeWork - Eduardo Munoz/Reuters
Adam Neumann agora é ex-CEO do WeWork Imagem: Eduardo Munoz/Reuters

Rodrigo Trindade

De Tilt, em São Paulo

03/10/2019 17h00

Fundada em 2010 em Nova York, a WeWork. é uma das startups mais bombadas da atualidade, recebendo de investidores US$ 12,8 bilhões nos últimos anos. Focada em compartilhamento de escritórios, ou coworking, ela se venderia suas ações na Bolsa em agosto. Desde então, uma sequência caótica mudou os planos da empresa.

A WeWork funciona assim: você, ou sua empresa, paga para usar o espaço e os serviços das unidades da companhia, que são escritórios modernos com a cara das badaladas startups de tecnologia. São 837 escritórios espalhados por 37 países e 125 cidades, tamanho que fez com que a WeWork fosse avaliada em US$ 47 bilhões em janeiro deste ano.

Se estava tão bem, o que deu errado então? Aqui vamos explicar cinco detalhes importantes para entender essa história.

1) Valorização inflada

Depois de anunciar em agosto que abriria o capital, a The We Company, que engloba o WeWork e outros braços empresariais, percebeu que a demanda por suas ações estava baixa. Em paralelo a isso, a pomposa avaliação de US$ 47 bilhões feita no início do ano da perspectiva corporativa não se realizou com as projeções de IPO (oferta pública inicial, da sigla em inglês) ficando entre US$ 15 bilhões e até US$ 10 bilhões.

Com essa discrepância enorme, a empresa, que perdeu US$ 900 milhões nos primeiros seis meses de 2019, retirou seu pedido de abertura de capital na última segunda-feira (30).

2) Saída do badalado CEO

Adam Neumann é o israelense que fundou o WeWork e liderou a expansão da empresa com sua personalidade excêntrica. Para ele, a startup não estava no mercado imobiliário; ela era "um estado de consciência". No dia 24 de setembro, Neumann renunciou ao cargo de executivo-chefe, argumentando que o "escrutínio" direcionado a ele se tornou uma "distração significativa" e que sua saída do cargo era o melhor para a empresa.

Havia pressão para que ele deixasse a função, inclusive de Masayoshi Son, presidente do SoftBank, empresa japonesa que é a principal investidora da startup. Entre os motivos disso estavam conflitos de interesse entre o enriquecimento pessoal de Neumann e os ganhos da empresa.

Como outros fundadores de empresas icônicas, desde Mark Zuckerberg (Facebook), Larry Page e Sergey Brin (Google) a Travis Kalanick (ex-Uber), Neumann estruturou a empresa de uma forma que ele teria mais poder de decisão que os investidores. Isso ainda é verdade, mas seu poder de 20 votos por ação foi reduzido para 10. Ele ainda tem o controle majoritário, mas sua força diminuiu.

3) Limpeza da casa

Com Adam Neumann fora, os executivos Artie Minson e Sebastian Gunningham passaram a dividir as funções como executivos-chefes e iniciaram uma reestruturação que partiu do topo. Segundo o Axios, 20 executivos sênior que tinham proximidade com Neumann foram demitidos, sendo que um deles merece destaque: Rebekah Neumann, mulher de Adam e até então chefe de marca da empresa.

Mas não será só a elite que sofrerá com a limpeza, pois demissões em massa são esperadas nas próximas semanas.

4) Revendas

A nova gestão não irá remodelar apenas o departamento de funcionários, como revenderá aquisições feitas por Neumann. Entre elas está um jato particular da marca Gulfstream, comprado pelo antigo executivo-chefe por US$ 60 milhões em 2018.

Para fazer caixa, as empresas Conductor, Meetup e Managed by Q, incorporadas pelo WeWork nos últimos dois anos por US$ 500 milhões, também serão negociadas. Outras que estão no balcão de negócios são SpaceIQ e Teem.

5) O que será mantido

Além dos aluguéis de espaços de trabalho, que inspiraram o nome WeWork, a We Company fez apostas em outros segmentos imobiliários partindo da mesma lógica de compartilhamento de espaços. Uma delas é o WeLive, complexos habitacionais comunais já existentes em Nova York e Washington DC. O outro é a WeGrow, um projeto de escolas infantis não-tradicionais, sem salas de aula como conhecemos. Estas iniciativas seguem nos planos da nova gestão.

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