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Sem milagres: aparelho que "reduz conta de luz" pode causar problemas

Já testamos o aparelho que promete economizar energia elétrica e especialistas recomendam cautela - Divulgação
Já testamos o aparelho que promete economizar energia elétrica e especialistas recomendam cautela Imagem: Divulgação

Rodrigo Lara

Colaboração para Tilt, em São Paulo

30/09/2019 04h00Atualizada em 14/10/2019 11h38

Sem tempo, irmão

  • Uso do Weletric pode causar mais dores de cabeça do que benefícios
  • Ao fazer isso, ele altera a corrente da rede elétrica e tende a danificar aparelhos
  • Melhor opção ainda continua sendo mudar seus hábitos de consumo

Que tal investir R$ 168 em uma aparelho que, quando conectado à tomada, permite uma economia de até 30% no consumo de qualquer eletroeletrônico que estiver plugado nele? Parece uma boa, certo? Essa é a premissa de aparelhos como o Weletric, que promete fornecer "apenas a energia necessária para que seu equipamento funcione sem haver desperdício".

Já testamos o aparelho com a ajuda do Centro Universitário FEI e descobrimos que, na verdade, ele entregava menor potência à carga. Isso significa que uma lâmpada de 100W conectada ao aparelho passaria a funcionar com capacidade de 80W. Isso, de fato, gera uma economia perceptível na conta de luz. Mas é preciso cuidado.

Durante os testes, o aparelho foi submetido a diferentes cargas elétricas e equipamentos, entre eles uma lâmpada, um motor e uma retífica. A redução chegou a inviabilizar o uso da retífica. "O equipamento nem mesmo ligou", contou à época Milene Galeti, professora de Engenharia Elétrica da Fei.

No caso da geladeira, a professora considerou que o processo para gelar os alimentos levaria mais tempo, mesmo que na potência máxima.

Equipamentos podem pifar

Em geral, prestamos mais atenção à tensão da energia elétrica que chega nas nossas casas —no Brasil, ela pode ser de 127 ou de 220 volts. Mas existe outra característica envolvida: a frequência. O sistema elétrico daqui usa a corrente alternada, que funciona em ciclos —representados de maneira gráfica por ondas senoidais. A frequência se refere justamente a essas ondas.

O sistema elétrico brasileiro usa a de 60 Hz, mas há países que usam 50 Hz. O que aparelhos do tipo fazem é se valer de pequenas deformações dessas ondas para limitar o consumo de energia.

O problema é que, ao fazer isso, eles contribuem para a criação de correntes harmônicas na rede elétrica (com número de frequência sendo múltiplo da frequência original da rede, mas com amplitude de onda diferente). Quando as correntes harmônicas se somam à corrente original, há perda de potência na rede e aumentos nos valores de tensão e corrente, o que tende a encurtar a vida útil de aparelhos mais sensíveis a tais variações.

"Essa deformação contribui para o aumento o teor harmônico do sinal, que, segundo estudos, acabam diminuindo a vida útil dos equipamentos", disse Galeti após o teste.

Procuramos também o professor João Carlos Lopes Fernandes, do curso de Engenharia de Computação do Instituto Mauá de Tecnologia, para analisar o resultado. "Pela característica do equipamento, ele deve trabalhar com ajustes de fator de potência. Este procedimento, quando utilizado sem os devidos cálculos, pode danificar os equipamentos eletroeletrônicos conectados a ele ou até mesmo aumenta o custo da conta", disse ele.

Da mesma forma, ao entregar menor potência à carga, o aparelho também pode fazer com que equipamentos mais exigentes, como geladeiras e ares-condicionados, não funcionem corretamente ou, até mesmo, venham a queimar.

Mudança de hábitos

Se a ideia é reduzir o valor da conta de energia elétrica, a melhor opção ainda continua sendo mudar seus hábitos, e não buscar fórmulas "mágicas".

"Diminuir o tempo do banho, não deixar luzes acesas sem necessidade, usar lâmpadas de LED ao invés de incandescentes e otimizar o uso de equipamentos como máquina de lavar e ferro de passar roupa são alguns exemplos de coisas que podem ajudar na redução", diz Fernandes.

Outra opção também é diminuir a potência de alguns equipamentos, como as lâmpadas. De qualquer forma, apostar na fórmula mais "tradicional" da redução de consumo de energia elétrica tende a ajudar o seu bolso na hora de pagar as contas e ainda evita possíveis danos aos aparelhos que você tem em casa.

Outro lado

Após a publicação da reportagem, o responsável técnico e criador do Weletric, Walter Luiz Alves Silva, procurou Tilt para dizer que os testes não foram feitos de forma adequada e que a opinião do professor João Carlos Lopes Fernandes não considerou que o aparelho da Weletric faz, segundo Silva, uma correção na rede.

Repassamos ao professor o vídeo que Silva enviou para demonstrar essa correção. Segundo Lopes Fernandes, o vídeo, na verdade, "está mostrando que filtrou o sinal elétrico e removeu interferências (ruídos). Isto não comprova nada relacionando a economia em escala. Desta forma os filtros de linha utilizados em residências, também deveriam auxiliar na economia".

A Weletric também informou que vende os aparelhos desde 2015 e "até o presente momento jamais tivemos alguma reclamação formal entre os milhares de clientes que compraram nosso produto". Em nota, a empresa diz que "é uma tecnologia 100% nacional que respeita todas as normas técnicas legais vigentes".

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