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Está fora! Embaixador do Canadá na China deixa o cargo por falar da Huawei

Meng Wanzhou é filha do fundador da Huawei e foi presa em dezembro - Ng Han Guan/AP Photo
Meng Wanzhou é filha do fundador da Huawei e foi presa em dezembro Imagem: Ng Han Guan/AP Photo

Bruna Souza Cruz

Do UOL, em São Paulo

28/01/2019 12h13

Alguns comentários sobre a prisão da chefe de operações financeiras da Huawei, Meng Wanzhou, não pegaram bem no Canadá. O embaixador do país na China, John McCallum, foi obrigado a deixar o cargo possivelmente por expor a sua opinião sobre o caso.

A demissão, anunciada pelo primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, é mais um capítulo dentro do impasse diplomático envolvendo China, Estados Unidos e Canadá. Trudeau não quis revelar o motivo da saída, mas a forte suspeita é que de tenha sido pelos comentários de McCallum.

Meng Wanzhou também é filha do fundador da Huawei e foi presa em dezembro do ano passado em Vancouver, no Canadá, a pedido dos Estados Unidos. A acusação é de que a Huawei teria feito negócios com o Irã, violando assim as sanções comerciais impostas pelos EUA.

Wanzhou pagou uma fiança de US$ 7,5 milhões e permanece no Canadá enquanto aguarda uma decisão sobre a sua extradição para os Estados Unidos.

John McCallum entrou na polêmica depois de ter concedido algumas entrevistas e falado sobre o assunto. Ele chegou a dizer que a executiva tinha "fortes argumentos" para combater a sua extradição.

Em outro momento, McCallum declarou que a extradição de Wanzhou, caso fosse autorizada, "não seria um resultado feliz".

McCallum chegou a pedir desculpas pelas declarações, mas não foram suficientes. As falas foram interpretadas como uma crítica ao fato da prisão da executiva ter causado uma situação difícil para o governo do Canadá.

Outra frase que colocou lenha na fogueira foi a dita em uma entrevista ao site Toronto Star. McCallum afirmou que a desistência dos Estados Unidos pelo pedido de extradição seria "ótima" para o Canadá.

Depois da prisão de Wanzhou, canadenses foram presos na China e a ação foi tida como retaliação por algumas pessoas. Dois deles foram acusados de colocar em risco a segurança nacional.

Segundo informações do "The Guardian", parlamentares e ex-embaixadores do Canadá acusaram o McCallum de interferência política no caso e pressionaram a sua saída.

A decisão sobre o pedido de extradição de Wanzhou para os EUA está prevista para o próximo dia 30 de janeiro.

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