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Depois de ano tenso, Zuckerberg está 'orgulhoso do progresso' no Facebook

Mark Zuckerberg vibra durante apresentação do F8 Facebook Developers Conference - Justin Sullivan/Getty Images/AFP
Mark Zuckerberg vibra durante apresentação do F8 Facebook Developers Conference Imagem: Justin Sullivan/Getty Images/AFP

Helton Simões Gomes

Do UOL, em São Paulo

28/12/2018 16h42

O ano foi difícil para empresas de tecnologia, mas especialmente duro para o Facebook. A companhia enfrentou diversas crises, da disseminação de informações falsas por suas plataformas a diversos incidentes de segurança com as informações de usuários. Diante de tudo isso, o presidente e cofundador da rede social, Mark Zuckerberg, publicou nesta sexta-feira (28) um balanço do que se passou em 2018.

Em meio a tantas adversidades, o executivo afirma:

Estou orgulhoso do progresso que fizemos

Ele mesmo enumerou as dificuldades enfrentadas pelo Facebook neste ano:

  • Evitar interferência nas eleições
  • Cessar a disseminação do discurso de ódio e da desinformação
  • Garantir que as pessoas tenham controle sobre suas informações
  • Assegurar que os serviços da empresa promovam bem-estar às pessoas

Ele mesmo sentiu os efeitos disso: às turbulências sofridas pela empresa, Zuckerberg foi bilionário que mais perdeu dinheiro e viu seu patrimônio encolher US$ 19,6 bilhões.

O executivo diz que solucionar esses problemas não é algo que possa ser feito em apenas um ano.

Para ser claro, abordar essas questões é mais do que um desafio de apenas um ano. Mas, em cada uma das áreas que eu mencionei, nós estabelecemos planos de vários anos para revisar nossos sistemas e nós estamos executando esses planos

Ele admite que, apesar dos novos esforços, alguns dos problemas não serão corrigidos.

Isso não quer dizer que nós iremos pegar todos os que tiverem más intenções ou conteúdos ruins, ou que as pessoas não irão encontrar mais exemplos de erros do passado antes que nós melhores nossos sistemas

Neste ano, trocas de email entre altos executivos do Facebook mostraram que a rede social compartilhou no passado informações pessoais de seus usuários com grandes empresas, como Netflix e Spotify. No pacote, estavam até mensagens privadas das pessoas. Esses documentos vieram à tona quando Zuckerberg foi alvo de uma série de perguntas de parlamentares britânicos.

Essa foi a segunda vez que o CEO prestou esclarecimentos a congressistas sobre as práticas da empresa que lidera. Na primeira metade do ano, na esteira do escândalo da Cambridge Analytica, ele já havia respondido perguntas de senadores e parlamentares norte-americanos.

Algumas das incômodas questões trazidas por eles foram abordadas por Zuckerberg em seu balanço de fim de ano.

Eleições

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Entenda

Dentre as ações para impedir interferências em eleições, o executivo citou parcerias com agências de checagem para desmentir notícias falsas e um sistema de transparência para mostrar quem paga pela publicidade eleitoral.

Ainda que o Facebook tenha montado uma "sala de guerra" para combater boatos na rede social e no Instagram durante as eleições brasileira e a norte-americana de meio de mandato, o WhatsApp foi usado amplamente para espalhar notícias falsas no Brasil.

Conteúdo nocivo

Zuckerberg lembrou que o Facebook ampliou o uso de ferramentas de inteligência artificial que identificam automaticamente conteúdos nocivos, como os relacionados a terrorismo e discurso de ódio.

Nessa linha, a empresa também fez modificações para o Feed de notícias exibir menos conteúdo com desinformação e mais postagens de fontes confiáveis. Não foi bem assim: logo no começo do ano, o Facebook reduziu drasticamente o alcance de publicações que não fossem feitas por amigos e contatos, o que inclui os posts das tais fontes confiáveis, como veículos de imprensa.

Informações pessoais

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Para se adequar ao Regulamento Geral de Proteção de Dados (GDPR, na sigla em inglês), que endureceu as regras para empresas que processam informações pessoais de cidadãos europeus, o Facebook liberou diversas ferramentas para que os usuários controlassem as informações exploradas pela rede social e até reduzissem a exposição de sua privacidade.

A despeito desse avanço, esse foi um ano em que o uso intensivo feito pelo Facebook dos dados pessoais de seus usuários foi colocado na berlinda. A começar pelo escândalo da Cambridge Analytica: a firma comprou uma base de informação extraída da rede social; a coleta fora feita por um insuspeito teste de personalidade; isso foi usado para influenciar o comportamento de eleitores na corrida presidencial dos Estados Unidos e no referendo que definiu a saída do Reino Unido da União Europeia.

Na segunda metade do ano, o Facebook ainda foi obrigado a desconectar milhões de usuários para corrigir uma falha em seus sistemas que expunha informações pessoais a quem tivesse más intenções.

Eu aprendi demais focando nessas questões e nós ainda temos muito trabalho adiante. Eu estou orgulhoso do progresso que fizemos em 2018 e agradecido a todos que nos ajudaram a chegar até aqui

Mark Zuckerberg

Há um grande ano pela frente