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Thiago Gonçalves

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

James Webb quer revolucionar, mas quando veremos as imagens do telescópio?

Concepção artística do telescópio espacial James Webb - Northrop Grumman
Concepção artística do telescópio espacial James Webb Imagem: Northrop Grumman
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Thiago Signorini Gonçalves

Thiago Signorini Gonçalves é doutor em astrofísica pelo Instituto de Tecnologia da Califórnia, professor do Observatório do Valongo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e coordenador de comunicação da Sociedade Astronômica Brasileira. Utilizando os maiores telescópios da Terra e do espaço, estuda a formação e evolução de galáxias, desde o Big Bang até os dias atuais. Apaixonado por ciência, tenta levar os encantos do Universo ao público como divulgador científico.

27/01/2022 04h00

Ele chegou! Após cerca de um mês de viagem, o telescópio espacial James Webb chegou ao ponto de Lagrange L2, a cerca de 1,6 milhão de quilômetros da Terra. Essa posição é estratégica, já que permite ao telescópio ficar constantemente escondido do Sol pela Terra, evitando que o observatório fique muito quente.

Para o James Webb, isso é fundamental, porque ele opera no infravermelho. Se a temperatura do telescópio fosse um pouco mais alta (mesmo estando no espaço), ele próprio emitiria radiação infravermelha, ofuscando os fracos sinais que recebemos das galáxias mais distantes do universo.

Assim, sua posição é de suma importância, assim como as cinco camadas do escudo térmico que o protege ainda mais, atingindo 233 graus Celsius abaixo de zero. No entanto, por incrível que pareça, isso ainda não é suficiente.

Alguns componentes do James Webb precisam estar a cerca de 265 graus abaixo de zero para operar de forma adequada, exigindo o uso de um avançado sistema de refrigeração ativa.

Esse sistema começa a funcionar agora, com o telescópio em seu devido lugar. Mas esse é apenas uma das diversas etapas antes que o James Webb nos presenteie com suas primeiras imagens do universo.

Até aqui, tudo deu muito certo. Um dos grandes temores após o lançamento era o tensionamento do escudo (feito de um material fino e flexível) e a abertura do espelho. Por uma questão de espaço no foguete, as peças estavam dobradas, e foram sendo gradativamente abertas durante as últimas semanas.

Isso nunca havia sido feito antes, mas o processo foi um estrondoso sucesso.

Com a viagem completada, agora os operadores do telescópio assumem a responsabilidade de colocar o James Webb para funcionar. Afinal, tendo em vista o incrível nível de detalhes das imagens esperadas, cada um dos 18 segmentos deve estar numa posição exata com precisão de nanômetros, ou menos de um milésimo a espessura de um fio de cabelo, garantindo o foco perfeito do enorme espelho de 6,5 metros de diâmetro.

Por fim, é importante lembrar também que o James Webb não tem apenas uma câmera, mas quatro delas, com objetivos e especificações distintas.

Cada câmera tem filtros diferentes, detectores independentes e em alguns casos pequenas partes móveis, tais como pequenos micro-obturadores que deverão bloquear partes da luz recebida pelo telescópio.

Como podem imaginar, cada instrumento, com um alto nível de complexidade, está sob responsabilidade de uma equipe diferente de cientistas e engenheiros, que têm um tempo limitado para calibrar a câmera e garantir que está tudo em perfeito estado para as observações científicas.

Os primeiros testes serão feitos ainda com o telescópio fora de foco, e essas fotos provavelmente não serão divulgadas.

Somente então, após seis meses de testes, calibrações e ajustes, o James Webb começará a produzir suas primeiras imagens científicas, sem dúvida acompanhadas de uma belíssima foto escolhida cuidadosamente para ilustrar as capas dos jornais.

Podem esperar que esse colunista estará aqui trazendo a imagem para vocês quando ela for divulgada!