Topo

Telescópio James Webb chega ao ponto L2, seu destino na órbita do Sol

Imagens do lançamento do telescópio James Webb

Juliana Stern

Colaboração para Tilt, de São Paulo

24/01/2022 15h33

Quase um mês após o lançamento, o Telescópio Espacial James Webb finalmente chegou, hoje (24), ao ponto Lagrange 2 (ou L2), seu destino no espaço profundo. De acordo com a Nasa, os propulsores do telescópio foram acionados na tarde desta segunda, quando o gigante foi colocado em órbita ao redor do Sol.

O acionamento das turbinas foi uma manobra de correção de direcionamento, ativada por engenheiros espaciais na Space Telescope Science Institute em Baltimore, Estados Unidos. A confirmação do sucesso da missão, segundo a Reuters, veio após sinais de rádio confirmarem o novo posicionamento do telescópio.

Lançado em 25 de dezembro, o James Webb estava destinado para o ponto estratégico L2, que fica a cerca de 1,5 milhão de quilômetros da Terra. Essa distância é quatro vezes maior que a entre nosso planeta e a Lua. Nesta localização, as forças gravitacionais da Terra e do Sol se anulam, fazendo com que o objeto permaneça ali sem muito esforço e usando um mínimo de combustível.

Uma vez no seu novo lar, a milhões de quilômetros da Terra, o Webb irá executar procedimentos de testes e de calibração de instrumentos antes de começar a operar. O início do trabalho está previsto apenas para junho de 2022, data que deve marcar também a entrega das primeiras imagens feitas pelo telescópio.

A Nasa não transmitiu a chegada do James Webb em sua nova casa no espaço. No entanto, a agência planeja vários eventos de acompanhamento ao vivo depois que a parte crucial da missão for realizada.

A partir das 17h (horário de Brasília), a agência fez uma live com cientistas e engenheiros que trabalham no projeto Webb, cuja transmissão foi realizada pelo NASA Science Live e também em seus perfis no Youtube, Facebook e Twitter.

Durante a live, os espectadores puderam enviar perguntas por meio da hashtag #UnfoldtheUniverse, ou deixando comentários no Facebook ou no YouTube.

Amber Straughn, cientista suplente em comunicações do projeto Webb no Goddard Space Flight Center, da Nasa, e Scarlin Hernandez, engenheira de sistemas de voo do Space Telescope Science Institute, falaram sobre a viagem do telescópio e responderam às perguntas dos internautas.

Após a transmissão ao vivo, o site da agência aeroespacial transmitiu uma conferência de imprensa.

A missão

O telescópio James Webb tem como missão entender melhor os primeiros estágios da formação do nosso Universo, observar e descobrir exoplanetas distantes e tentar responder a perguntas como: com que rapidez o Universo está se expandindo?

Com investimento de US $10 bilhões, o telescópio é um sucessor e um "colega de trabalho" do Hubble, lançado em 1990. Ambos foram criados para ver o espaço profundo — ou seja, objetos astronômicos muito distantes da Terra. Mas, enquanto o Hubble registra luz ultravioleta e elementos visuais do espectro eletromagnético, o novato poderá enxergar o cosmos no espectro infravermelho — invisível ao olho nu.

O James Webb poderá captar imagens além das nebulosas — nuvens de gás e poeira —, que são o forte do seu antecessor, e poderá mostrar onde as estrelas estão nascendo. Logo, ele complementa informações já existentes.

Fora isso, o Hubble é capaz de olhar para 400 milhões de anos após o Big Bang, enquanto o James Webb permitirá observar as primeiras galáxias, formadas cerca de 100 milhões de anos após o fenômeno. Com isso, os cientistas poderão entender melhor as condições da origem do Universo.

Os pesquisadores também pretendem utilizar o telescópio para estudar buracos negros supermassivos que parecem ocupar o centro de galáxias distantes.

Última etapa

Com a chegada do James Webb no ponto L2, a missão chega na última etapa da viagem. Durante os 30 dias em que o telescópio seguiu para seu ponto de órbita, ele completou seus respectivos estágios de montagem sem maiores problemas.

No início de janeiro, o telescópio passou pela fase mais difícil ao abrir completamente seu escudo térmico, um guarda-sol de cinco camadas de 20 por 14 metros — o tamanho de uma quadra de tênis.

O equipamento é necessário para observar o cosmos e fundamental para proteger os instrumentos científicos do calor do Sol e da radiação emitida pela Terra e pela Lua. Logo depois, o Webb atingiu sua configuração definitiva ao terminar de "desdobrar" seus espelhos duas semanas após o lançamento.