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REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Sem carnaval, exposição em redes sociais traz gostinho da folia na quebrada

Exposição virtual resgata memória do carnaval nas periferias de São Paulo - Di Campana Foto Coletivo
Exposição virtual resgata memória do carnaval nas periferias de São Paulo Imagem: Di Campana Foto Coletivo
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O Desenrola E Não Me Enrola é um coletivo de produção jornalística que atua a partir das periferias de São Paulo, investigando fatos invisíveis que geram grandes impactos sociais na vida dos moradores e moradoras dos territórios periféricos.

Tamires Rodrigues

17/02/2021 04h00Atualizada em 22/02/2021 12h59

A exposição virtual "Carnaval de Quebrada" faz homenagem aos moradores das periferias que ocupam as ruas e se divertem em seus próprios bairros.

A partir do registro de diversos blocos tradicionais que movimentam o cotidiano de moradores de periferias e favelas da zona sul de São Paulo, o coletivo de fotógrafos DiCampana Foto Coletivo realiza uma exposição digital nas redes sociais com imagens que resgatam a essência do carnaval na quebrada.

O DiCampana tem na sua essência editorial acompanhar as transformações da paisagem das periferias e favelas para produzir imagens que rompem com a reprodução de estereótipos, através de registros fotográficos que mostram os moradores em uma perspectiva realista e sem sensacionalismo.

Composta por fotografias produzidas entre 2016 e 2020 em várias regiões de São Paulo, onde moradores, organizações sociais e coletivos culturais promovem blocos de carnaval, a exposição "Carnaval de Quebrada" reúne um acervo inédito do DiCampana. "A gente estava com esse acervo de fotos, principalmente de 2019. Não mandamos para ninguém. Aí a gente falou: meu, vamos pensar nesse ensaio fotográfico", diz Leonardo Brito, um dos integrantes do coletivo.

Ele afirma que o coletivo não teve patrocínio para divulgação do trabalho, mas, mesmo sem retorno financeiro, diz ser importante construir esse documento histórico. "Como as empresas recuaram, ninguém teve interesse financeiro sobre isso. Então falamos: vamos permanecer, vamos montar o vídeo final, vamos fazer essa exposição, que é uma forma de homenagear os blocos que este ano não sairão nas ruas por causa da pandemia", diz Brito.

A exposição "Carnaval de Quebrada" pode ser acessada no canal do YouTube, Instagram e Facebook do coletivo.

Os blocos que fazem parte do documentário são: Bloco do Abraça, Bloco Afro É DI Santo, Bloco Batuquedum, Bloco do Beco, Bloco Cordão do Congo, Bloco Embondeiro Queixada, Bloco Favela Chic, Bloco Ô Grajaú Vem Tomar no Copo, Bloco do Hercu, Bloco Império do Morro, Bloco do Litraço, Bloco Cordão Sucatas Ambulantes, Bloco União dos Bairros e Bloco Urubó.

Confira a exposição na íntegra:

De norte a sul e de leste a oeste, as imagens são um verdadeiro retrato do carnaval nas periferias e favelas de São Paulo. "Tem blocos exclusivos de favela que registramos em 2019 e também outros blocos de anos anteriores. A ideia era colocar fotos inéditas", afirma Brito, dando ênfase ao carnaval de 2019, pelo fato dos registros não terem sido expostos em larga escala nas redes sociais.

O fotógrafo diz que durante todo esse tempo que vem cobrindo o carnaval da quebrada, uma das suas únicas dificuldades foi o fator meteorológico. "O maior empecilho para mim sempre é a chuva, porque equipamento fotográfico e chuva não combinam. Por mais que a gente coloque proteção sobre o corpo da câmera, a lente e tudo mais, tem esse empecilho", diz Brito.

Após a pandemia, o coletivo planeja fazer uma exposição presencial. "Talvez só no ano que vem ocorra uma exposição física, se for possível o trânsito das pessoas para poder visitar a exposição e, claro, ter um financiador para a execução", finaliza.