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Quebrada Tech

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Celular ajuda jovem com esclerose múltipla a se virar sozinho na quebrada

Henrique busca apoio em funcionalidades do celular para superar desafios de acessibilidade no seu bairro - Tamires Rodrigues
Henrique busca apoio em funcionalidades do celular para superar desafios de acessibilidade no seu bairro Imagem: Tamires Rodrigues
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O Desenrola E Não Me Enrola é um coletivo de produção jornalística que atua a partir das periferias de São Paulo, investigando fatos invisíveis que geram grandes impactos sociais na vida dos moradores e moradoras dos territórios periféricos.

Tamires Rodrigues e Ronaldo Matos (edição)

10/02/2021 04h00

Com o acesso à internet e dispositivos móveis, Henrique de Oliveira, 27, morador do Parque Maria Alice, zona sul de São Paulo, e portador de esclerose múltipla, busca ferramentas para facilitar a acessibilidade a lugares e serviços essenciais da quebrada. Em seu cotidiano, o jovem lida com ruas esburacadas e pouca acessibilidade para circular em seu território.

"A esclerose múltipla faz parte da minha vida literalmente: em pé, deitado. Tento esquecê-la, mas é difícil, pois ela está presente em cada centímetro do meu corpo", conta Oliveira, que precisa se adaptar constantemente.

"Essa é uma doença degenerativa que progride com o tempo. Desde então minha vida foi se transformando e fui me adaptando aos tratamentos, uma rotina exaustiva. Abdiquei do trabalho, a cada dia uma surpresa. Então a mudança me define, pois a minha vida é uma eterna metamorfose", diz.

Para organizar melhor sua rotina e manter o sonho da cura, Oliveira está sempre em busca de informações científicas sobre possíveis tratamentos. Enquanto a cura não é descoberta, o jovem não mede esforços para encontrar tecnologias que possibilitem realizar tarefas do cotidiano com maior facilidade.

"Utilizo o celular para muitas das coisas que faço, como pagar contas, fazer compras, usar aplicativos de delivery, comunicação, entre outros", afirma Oliveira.

Segundo ele, os aplicativos de mobilidade têm um grande impacto na sua locomoção pela cidade. Os aplicativos de transporte, por exemplo, são grandes aliados para evitar o trajeto de ir ao ponto de ônibus e pegar conduções lotadas, tendo que muitas vezes ir em pé.

Outro fator que reforça a importância dos apps de transporte é o relevo do seu território, que ele define como uma região montanhosa. "A minha maior dificuldade é a locomoção, e por morar em região montanhosa acaba por ser ainda mais complicado. A acessibilidade é ruim, ruas esburacadas, moradores não respeitam calçadas e tomam posse", afirma.

Oliveira diz que "depende muito de aplicativos e não sabe como faria se não os tivesse" no seu dia a dia. Para ele, o uso dos apps é fundamental para sua autonomia. "Sou uma pessoa com comorbidades, diante disso, eu faço uso frequente de apps, tenho que resolver tudo pelo smartphone. Em 90% dos casos consigo resolver assim".

"Mesmo diante dessas adversidades, Oliveira destaca que a tecnologia o ajuda a dedicar a maior parte do seu tempo para cuidar do seu bem estar. "Gosto muito de cuidar do meu eu, da minha saúde, fazer musculação, do meu bem-estar psicológico, adoro aprender coisas novas e aperfeiçoar aquilo que já sei", afirma.