PUBLICIDADE
Topo

Pergunta pro Jokura

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Se eu sair na chuva caminhando vou me molhar menos do que correndo?

Ficar mais ou menos molhado na chuva depende de muitos fatores - Benjamin Suter/ Pexels
Ficar mais ou menos molhado na chuva depende de muitos fatores Imagem: Benjamin Suter/ Pexels
Conteúdo exclusivo para assinantes
Tiago Jokura

Tiago Jokura é jornalista e, portanto, curioso profissional. Passou os últimos 15 anos respondendo as dúvidas mais complexas e inusitadas dos leitores na mídia impressa, na tentativa infinita de explicar como o mundo funciona com clareza e bom humor. Agora, continua essa saga aqui no UOL.

14/02/2022 04h00

É verdade que se eu sair na chuva caminhando vou me molhar menos do que correndo? - Pergunta de Amanda Socorro, Chuvisca (RS) - quer enviar uma pergunta também? Clique aqui.

Quando chovem dúvidas práticas e cotidianas como esta, o guarda-chuvas desta coluna é, e sempre será, o Cláudio Furukawa, do Instituto de Física da USP, cara chuvisquense.

Sem precipitação, o professor explica que ficar mais ou menos molhado na chuva depende de muitos fatores e que é difícil listar, calcular e correlacionar todos eles para dar uma resposta precisa em termos numéricos.

"Até mesmo o tamanho da gota, o tipo de roupa, se a pessoa é mais 'volumosa', entre outros fatores, influenciam se correr ou andar na chuva molha mais ou menos", diz.

Por causa dessa complexidade, Furukawa propõe simplificar o cenário, imaginando uma chuva constante, com as gotas caindo na vertical. "Uma pessoa parada nessa chuva, com as gotas caindo perpendicularmente em relação ao solo, vai molhar mais a cabeça", descreve.

Ao caminhar ou correr nessa chuva caindo "reta", as gotas atingem também o corpo, inclinadamente. "Isto ocorre por causa do movimento relativo entre a pessoa e as gotas caindo. Quanto mais correria, a chuva atinge o corpo mais inclinada e com mais velocidade", afirma Furukawa.

"Um outro jeito de observar isso é quando estamos dentro de um carro em um dia de chuva sem vento: quando o carro está parado as gotas caem perpendicularmente ao solo. Porém, quando em movimento, as gotas atingem o carro de forma inclinada. Muita chuva bate no para-brisas e pouca no vidro traseiro", completa.

Ou seja, nesta chuva retinha que imaginamos, se a pessoa se locomove, as gotas molham tanto a cabeça como a parte frontal do corpo. O quanto a chuva molha, no entanto, depende mais do volume de água caindo do que da velocidade de quem passa por ela.

Logo, a vantagem de correr não está no movimento, mas, sim no tempo em que a pessoa passa embaixo da chuva —quanto menos tempo, menos molha.

Portanto, Furukawa sugere que "o ideal é fazer o que as pessoas já fazem intuitivamente, ou seja, sair o mais rápido possível da chuva".

E completa com uma dica extra: "correndo de modo inclinado para frente, as gotas atingem mais a cabeça e menos a parte frontal do corpo, proporcionando um caminho mais seco, ou melhor, menos molhado".

Mas o físico faz uma ressalva, pontuando que "nessa estratégia, quanto mais rápido o deslocamento, mais inclinada a pessoa deve ficar, mas o risco de tropeçar e levar um tombo pode aumentar o prejuízo" - e até o encharcamento, cara chuvisquense.

Tem alguma pergunta? Deixe nos comentários ou mande para nós pelo WhatsApp.