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Pergunta pro Jokura

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

"Tudo que pode dar errado, dará": como surgiu a lei de Murphy?

Jasmin Sessler/ Pixabay
Imagem: Jasmin Sessler/ Pixabay
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Tiago Jokura

Tiago Jokura é jornalista e, portanto, curioso profissional. Passou os últimos 15 anos respondendo as dúvidas mais complexas e inusitadas dos leitores na mídia impressa, na tentativa infinita de explicar como o mundo funciona com clareza e bom humor. Agora, continua essa saga aqui no UOL.

29/03/2021 04h00

Como surgiu a lei de Murphy? - Pergunta de Marcos Siqueira, de Recife (PE) - quer enviar uma pergunta também? Clique aqui.

Antes de falar sobre a origem da lei, querido recifense, vamos ao consagrado enunciado dela: "tudo que pode dar errado, dará".

A autoria deste mantra pessimista que já atravessa sete décadas —ao menos com o nome de Lei de Murphy— é atribuída ao americano Edward A. Murphy Jr, embora não haja um registro documental disso.

A versão mais aceita sobre a origem é de que, entre 1948 e 1949, o então capitão da aeronáutica coordenava testes medindo o efeito da gravidade em pilotos de caça, causado por desacelerações agressivas, comuns nos voos. Só que em uma das sessões, um auxiliar errou na instalação dos sensores acoplados ao cinto de segurança dos ases e não houve captura de dados, o que arruinou o experimento.

Frustrado, para dizer o mínimo, o Murphy teria soltado algo como "se este cara tiver alguma chance de cometer um erro, ele o fará".

A frase viralizou entre subordinados e colegas, saiu do quartel e, por obra do bom e velho telefone sem fio, chegou até nós redefinida e batizada com o nome do capitão.

O primeiro registro em público teria sido feito pelo encarregado geral do experimento, o médico e coronel John Stapp, que meses após o episódio furioso de Murphy, fez o relato numa entrevista para a imprensa, citando a Lei de Murphy nominalmente, e explicando o conceito com um verniz menos anedótico e mais científico, como uma consciência de que falhas podem ser evitadas se todas as possibilidades, sobretudo as piores, forem consideradas.

Mas esse conceito é mais antigo do que Murphy. Há registros de ideias parecidas pelo menos 100 anos antes.

Em 1866, o matemático britânico Augustus de Morgan publicou a seguinte frase na obra A Budget of Paradoxes: "Tudo o que pode acontecer irá se fizermos testes suficientes".

Onze anos mais tarde, o também britânico Alfred Holt declarou algo muito parecido falando sobre navios a vapor: "Qualquer coisa que pode dar errado no mar geralmente dará errado, mais cedo ou mais tarde".

E para finalizar, adivinhe, outro britânico, dessa vez o ilusionista Nevile Maskelyne mandou essa em 1908 na revista "The Magic Circular": "Em uma ocasião especial, tal qual a produção de um efeito mágico pela primeira vez em público, tudo o que pode dar errado, dará."

Em resumo, Marcos, a Lei de Murphy é a que deu certo. Foi a que perdurou e virou meme universal, enquanto as Leis de Morgan, de Holt e de Maskelyne "deram errado" em se popularizar em seu tempo e para além dele.

Tanto é que ganhou até uma reinterpretação mais positiva num hit do cinema de nossos tempos. Em uma cena de "Interestelar" (2014), o ex-piloto da Nasa Joseph Cooper ressignifica o postulado para a filha, que se chama, veja só, Murphy: "A Lei de Murphy não significa que algo errado vai acontecer. Significa que tudo o que pode acontecer, acontecerá".

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL