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Diga adeus às olimpíadas de inverno no país: por que não neva no Brasil?

Tyler Indiana/ Pixabay
Imagem: Tyler Indiana/ Pixabay
Tiago Jokura

Tiago Jokura é jornalista e, portanto, curioso profissional. Passou os últimos 15 anos respondendo as dúvidas mais complexas e inusitadas dos leitores na mídia impressa ? na tentativa infinita de explicar como o mundo funciona com clareza e bom humor. Agora, continua essa saga aqui no UOL. Mande sua pergunta cabeluda que ele faz questão de pentear.

15/06/2020 04h00

Pergunta de Alva Duarte, de Riachão das Neves, BA - quer enviar uma pergunta também? Clique aqui

Cara leitora riachão-nevense, o inverno chega essa semana, né? Ou ao menos era para chegar não fosse a nova classificação federal para o inverno brasileiro que confundiu muita gente na semana passada.

Você deve ter acompanhado a fala do ministro interino da Saúde, Eduardo Pazzuelo, na reunião ministerial mais recente, transmitida ao vivo. Na ocasião, ele disse que "as regiões Norte e Nordeste estão mais ligadas ao inverno do Hemisfério Norte", o que gerou uma nevasca de memes invernais, como o da candidatura de Mossoró para os Jogos Olímpicos de Inverno de 2026.

Como cantou Jorge Ben Jor, porém, dona Alva, a resposta para a sua questão é basicamente porque moramos num país tropical. Essa é a razão da simpatia que o Sol tem pelo nosso território e pelo de todos os outros pedaços de chão situados entre os trópicos de Câncer (ao norte da linha do Equador) e de Capricórnio (ao sul da linha que divide o planeta entre Hemisférios Norte e Sul). Pode conferir aí na faixa destacada no mapa-múndi:

Mapa-múndi - entre trópicos - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

Ou seja, por causa do posicionamento estratégico do nosso país no território deste globo que alguns ainda teimam em enxergar como plano, a neve é artigo raríssimo por aqui, e inexistente até hoje na recém-descoberta região nórdica do Brasil.

A ausência (ou raridade) de neve nos trópicos ocorre, principalmente, porque a Terra gira inclinada em torno do Sol, e esse ângulo de inclinação varia ao longo do ano. É isso que ocasiona as mudanças de estação.

Rotação Terra
Imagem: Reprodução

Ao longo do ano, em média, toda a faixa tropical recebe os raios do Sol mais diretamente do que as regiões mais ao norte do trópico de Câncer e mais ao sul do trópico de Capricórnio. No inverno, quanto mais perto dos polos, os raios solares incidem mais inclinados em relação à superfície, o que gera temperaturas médias menores e o frio necessário para que a neve ocorra regularmente - lembrando que o inverno no Hemisfério Norte ocorre entre dezembro e março e, no Hemisfério Sul, de junho a setembro.

Além do grau de incidência solar na superfície, outros fatores entram em ação para a formação da neve. A receita é complexa e envolve um mix de temperaturas baixas com um nível de umidade do ar que, no inverno brasileiro, tende a ser mais baixo do que o necessário para a neve aparecer. Mesmo assim, algumas cidades do Sul do país amanhecem branquinhas com certa frequência no inverno - o que é muito legal para tirar fotos e para fazer guerrinhas e bonecos de neve, mas que por outro lado pode causar problemas como a destruição de lavouras.

A região com mais ocorrência de neve no Brasil fica em Santa Catarina, mais precisamente no planalto sul do Estado. Por lá, cidades como Urupema, São Joaquim, Bom Jardim da Serra e Urubici recebem ao menos um pouco de neve anualmente. Rio Grande do Sul e Paraná também têm sua cota de neve em alguns municípios, mas com menor abundância e regularidade.

Na região Sudeste, que tem menos umidade no inverno do que o Sul, o fenômeno é muito raro, mas já foi registrado nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. E até no Centro-Oeste a neve já deu o ar da graça, no Mato Grosso do Sul.

Com ou sem neve, espero que o inverno que se aproxima seja generoso conosco em tempos de pandemia e de mais vírus causadores de doenças respiratórias circulando por aí. Saúde a todos nós, dona Alva.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.