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Começou com o telefone: por que falhas de computador são chamadas de "bug"?

Andrea Piacquadio/ Pexels
Imagem: Andrea Piacquadio/ Pexels
Tiago Jokura

Tiago Jokura é jornalista e, portanto, curioso profissional. Passou os últimos 15 anos respondendo as dúvidas mais complexas e inusitadas dos leitores na mídia impressa ? na tentativa infinita de explicar como o mundo funciona com clareza e bom humor. Agora, continua essa saga aqui no UOL. Mande sua pergunta cabeluda que ele faz questão de pentear.

18/05/2020 04h00

Pergunta de Rita Santan Giura, de Formiga, MG - quer enviar uma pergunta também? Clique aqui

Cara cidadão formiguense, o primeiro bug de computador apareceu em Harvard, mas vou deixar esse causo para contar no final. É que a história de chamar erros, falhas ou defeitos presentes em máquinas de "insetos" (bugs, em inglês) é mais antiga do que a própria informática.

O primeiro registro da palavra bug para se referir a defeitos é dos anos 1870. Além de inventar a lâmpada elétrica e o fonógrafo, Thomas Edison também inventou, sem querer, a nova gíria. Em uma carta sobre melhorias em aparelhos telefônicos, Edison escreveu:

"Você estava parcialmente certo, eu encontrei um 'bug' no meu aparelho... O inseto parece encontrar condições para a existência em todos os aparelhos de telefones."

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Imagem: Reprodução

Desde essa menção de Edison, o termo se espalhou como gafanhotos —e já não se referia a insetos literais como causadores das falhas.

Já no século 20, a gíria apareceu no anúncio de uma das primeiras máquinas de pinball, a Baffle Ball, em 1931. O fabricante garantia que não havia bugs no jogo ("no bugs in this game").

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Na década seguinte, a de 1940, a palavra bug foi usada para se referir a defeitos em máquinas da Segunda Guerra Mundial e também começou a aparecer na indústria das artes e do entretenimento.

No filme "Flight Command" (1940), lançado no Brasil como "Asas nas Trevas", o bug era em engrenagens de aviões. No livro "We Took the Woods" (1942), o autor Louise Dickinson Rich fala de bugs —dessa vez literais— atrapalhando o funcionamento de uma máquina de cortar gelo da superfície de lagos e rios.

E até Isaac Asimov, um dos mais importantes autores de ficção científica da história, mencionou indesejáveis falhas ocorrendo em um robô logo no início de seu conto "Catch That Rabbit", de 1944.

E foi ainda nessa década, mais precisamente em 1947, que os "insetos" se instalaram no mundo da informática. O primeiro bug de que se tem notícia na história da computação foi um inseto de verdade, mais precisamente uma mariposa com 5 cm de envergadura que frequentava Harvard, como eu comentei lá no começo.

Ao observar erros no funcionamento do Mark II, um dos primeiros computadores modernos, daqueles que eram gigantes e ocupavam grandes salas, a equipe abriu a máquina para procurar algum defeito físico e encontrou o inseto lá dentro.

A história ficou célebre pelos relatos da pioneira da programação Grace Hopper, embora não se saiba até hoje quem realmente encontrou o bug.

Fato é que aquela célebre mariposa foi presa com fita adesiva nos registros diários do Mark II e virou peça de museu. Classificada como "primeiro caso real de bug encontrado", ela está exposta no Museu Nacional da História Americana, em Washington DC, EUA.

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De lá para cá, o termo se espalhou pela comunidade de TI até se popularizar para além dos círculos ligados à informática.

Lembra do bug do milênio, esperado para ocorrer na virada de 1999 para o ano 2000? Esse possível erro nas configurações de sistemas, que poderia gerar transtornos em escala global, foi contornado por programadores do mundo todo e não gerou maiores prejuízos.

Em compensação, em estudo publicado em 2017, a empresa de testagem de software Tricentis estimou que falhas de software geraram prejuízos na casa de 1,7 trilhão de dólares no ano. Pequenos insetos, grandes estragos.

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