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Pergunta pro Jokura


Qual é a capacidade do cérebro humano em bytes?

Gerd Altmann/ Pixabay
Imagem: Gerd Altmann/ Pixabay
Tiago Jokura

Tiago Jokura é jornalista e, portanto, curioso profissional. Passou os últimos 15 anos respondendo as dúvidas mais complexas e inusitadas dos leitores na mídia impressa ? na tentativa infinita de explicar como o mundo funciona com clareza e bom humor. Agora, continua essa saga aqui no UOL. Mande sua pergunta cabeluda que ele faz questão de pentear.

02/12/2019 04h00

Pergunta de Fabiana Broetto, do Rio de Janeiro (RJ) - quer enviar uma pergunta também? Clique aqui

As definições estão sendo atualizadas constantemente, Binha.

De acordo com pesquisas quânticas realizadas por esta coluna, a estimativa mais recente está na casa do quatrilhão de bytes, popularmente conhecido como 1 petabyte (PB). Esse número que se escreve por extenso como 1.000.000.000.000.000 de bytes (1.125.899.906.842.624 de bytes, para ser mais exato) realmente não é pouco.

Para dar uma ideia do que significa 1 PB, vamos a exemplos práticos. Essa quantidade descomunal de dados equivale a quase 3,5 anos de vídeo em Full HD (cerca de 30 mil horas) e a um terço de todo acervo da Netflix. E olha que alguns cientistas especulam que nosso cérebro seja capaz de armazenar até 2,5 PB de informação.

Vou tentar destrinchar a conta para você. Estima-se que o cérebro humano tenha tantas células quanto a Via Láctea tem planetas. No caso humano, algo como 100 bilhões de neurônios. Cada um desses neurônios teria a capacidade para manter 1.000 conexões (sinapses) com outros neurônios, totalizando 100 trilhões.

Até pouco tempo, esses 100 trilhões de links eram tratados como unidades de informação similares às que são processadas por computador - cada uma correspondendo a um valor binário —0 ou 1—, totalizando 100 terabytes (ou 10% de 1 PB, grosseiramente calculando).

Só que os autores do estudo que mencionei ali no começo do texto, um pessoal do Salk Institute, do MIT, da Universidade do Texas em Austin e da Universidade da Califórnia em San Diego, todas nos EUA, verificaram que cada conexão entre neurônios pode conduzir a informação de 26 maneiras diferentes, pelo menos. Essa variedade na transmissão no mínimo decuplicou —sim, multiplicou por 10— a capacidade cerebral como estimava-se até então. Alguns especialistas multiplicam logo as 100 trilhões de sinapses por 26, chegando à estimativa máxima de 2,5 PB.

O mais espantoso é que para processar esse descomunal volume de dados, nosso cérebro consome muito pouco em termos elétricos: o equivalente a uma lâmpada comum de 20 watts. Para funcionar na mesma capacidade de um cérebro humano, um computador convencional operaria a 1 gigawatt, equivalente à quantidade de toda energia solar produzida no Brasil atualmente.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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