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Guilherme Rambo

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Apple mira na área de saúde para superar a revolução do iPhone. Tem chance?

Apple investe em pesquisa na área de saúde usando iPhone e Apple Watch - Reprodução/apple.com
Apple investe em pesquisa na área de saúde usando iPhone e Apple Watch Imagem: Reprodução/apple.com
Guilherme Rambo

Guilherme Rambo é programador desde os 12 anos. Especialista em engenharia reversa, é conhecido mundialmente por revelar os segredos da Apple antes mesmo dos anúncios da empresa, além de programar para as plataformas da empresa.

26/02/2021 04h00

Não há dúvida que o iPhone revolucionou não somente o mercado de tecnologia, mas também a sociedade e as interações entre as pessoas. Claro que o mérito não é unicamente do dispositivo da Apple —afinal existem diversas opções no mercado—, mas na época em que o iPhone foi lançado, tudo era muito diferente. Foi o iPhone que mostrou para o mercado e para os próprios consumidores o que eles queriam, causando uma mudança histórica na forma como nos relacionamos com a tecnologia.

É bastante comum entusiastas de Apple —ou até mesmo críticos— perguntarem "quando anunciarão o 'próximo iPhone'". A pergunta não se refere a um modelo novo do aparelho como ocorre todos os anos, mas no sentido de quando a Apple anunciará um novo produto que revolucionará alguma área da tecnologia ou da sociedade com tanta intensidade quanto fez com o iPhone.

Eu costumo achar essa expectativa irreal, afinal, uma revolução no nível do que foi o lançamento do iPhone original não é algo que acontece todos os dias. Está mais para algo que acontece uma vez a cada geração, ou até mais tempo.

Não parece ser o que acredita Tim Cook. Em entrevista recente à revista Outside, o CEO da Apple afirmou que a grande contribuição da Apple não seria o iPhone, mas as diversas ações da empresa na área da saúde e bem-estar.

Atualmente, o produto da Apple com maior foco nessa área é o Apple Watch. Existem inúmeras histórias de pessoas que descobriram problemas cardíacos por usarem o relógio inteligente, ou pessoas que se acidentaram e conseguiram ajuda graças a estarem vestindo o Apple Watch, o que pode ter salvo suas vidas.

A atuação da empresa na área da saúde já vai um pouco além do que nós estamos acostumados por aqui.

Lá fora, a Apple tem um programa de pesquisa em colaboração com universidades, no qual através do aplicativo Apple Research, qualquer usuário pode se candidatar a participar de estudos de pesquisa nas áreas de saúde cardíaca, fonoaudiologia, entre outras.

Esse tipo de estudo em grande escala tradicionalmente foi muito difícil de ser executado, mas graças à miniaturização dos dispositivos e da popularidade de iPhones e Apple Watches, é possível coletar informações de muitas pessoas em condições variadas, contribuindo para a elaboração de estudos mais rigorosos.

De certa forma, o limite de quanto o Apple Watch pode contribuir na área da saúde depende de quais métricas ele é capaz de medir.

No momento, o relógio da Apple já mede diversos parâmetros como frequência cardíaca, saturação de oxigênio, é capaz de fazer um eletrocardiograma e medir informações do ambiente como pressão e altitude.

Já existem rumores de que o Apple Watch poderia ser atualizado com medição de pressão sanguínea e até mesmo monitoramento de glicemia, aumentando ainda mais a coleção de métricas de saúde que o aparelho é capaz de detectar.

A dúvida que fica é: o que será que vem além do Apple Watch?

Já é possível medir muitas informações importantes sobre a saúde do usuário com um pequeno dispositivo no pulso, mas seria possível a introdução de recursos de saúde em outros aparelhos da empresa.

Um bom candidato seriam os AirPods. Já existiram rumores no passado de que uma futura geração dos fones sem fio viriam com a capacidade de medir certos parâmetros de saúde, talvez inclusive medir a temperatura do corpo.

Alguns modelos mais novos como os AirPods Pro e AirPods Max já conseguem medir a movimentação da cabeça do usuário. O recurso ainda não é utilizado para saúde, mas poderia ser usado para melhorar a qualidade dos dados coletados durante exercícios, por exemplo.

Além disso, existe também o famoso "óculos inteligentes" que já é rumor há muito tempo. Se a empresa conseguisse lançar óculos inteligentes que as pessoas usassem no dia a dia, o produto poderia também ser aproveitado para monitorar a saúde do usuário, especialmente em áreas ligadas à visão. Porém, existem diversos desafios envolvidos na elaboração de um produto desses, conforme já comentei anteriormente.

Se no futuro nós olharemos para trás e veremos a maior contribuição da Apple como sendo sua atuação em saúde e bem-estar, só saberemos no futuro. Por enquanto, apesar das diversas iniciativas da empresa na área, eu continuo achando que foi o iPhone.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL