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CS:GO: 37 técnicos são suspensos por trapaça; oito são brasileiros

guerri, dead, Apoka, ellllll e mais 33 técnicos receberam punições que vão de 3 a 36 meses - Divulgação/StarLadder
guerri, dead, Apoka, ellllll e mais 33 técnicos receberam punições que vão de 3 a 36 meses Imagem: Divulgação/StarLadder

Gabriel Oliveira

Colaboração para o START

28/09/2020 15h05Atualizada em 28/09/2020 15h45

Oito treinadores brasileiros de Counter-Strike: Global Offensive (CS:GO) foram suspensos das principais competições do cenário internacional por terem abusado do chamado "bug do coach" em partidas oficiais. Aproveitando-se das falhas, os técnicos tinham, no modo espectador do CS:GO, acesso a visões privilegiadas do mapa.

Entre os punidos estão treinadores conhecidos do cenário nacional, como Nicholas "guerri" Nogueira, da FURIA Esports; Alessandro "Apoka" Marcucci, da BOOM Esports; Arthur "prd" Resende, da RED Canids Kalunga; Henrique "rikz" Waku, da DETONA Gaming; e Bruno "elllll" Ono, da paiN Gaming. Os períodos de suspensão variam de quatro a dez meses.

Os nomes dos oito brasileiros (confira abaixo a lista completa) constam em uma relação de 37 técnicos punidos, divulgada hoje (28) pela Esports Integrity Commission (ESIC), comissão criada em 2016 para fiscalizar trapaças em campeonatos.

Escândalo no CS:GO

dead MiBR Encontro das Lendas - Felipe Guerra/MiBR - Felipe Guerra/MiBR
Imagem: Felipe Guerra/MiBR

O escândalo do bug do coach estourou em 31 de agosto, quando ESL e DreamHack, duas das principais organizadoras de eventos de eSports do mundo, anunciaram a suspensão de três treinadores, entre eles o brasileiro Ricardo "dead" Sinigaglia, ex-comandante da Made in Brazil (MiBR).

Eles teriam aproveitado uma falha no modo espectador do CS:GO para trapacear. Abusando desse bug, os técnicos acessavam visões do mapa que não poderiam ter e, com isso, conseguiam saber posicionamentos dos adversários. Assim, tinham a chance de auxiliar os cyber-atletas, com quem se comunicam durante os jogos.

Na sequência, a ESIC informou que também tinha suspendido o trio e iniciado uma investigação. Fazem parte da comissão competições como as próprias ESL e DreamHack, a BLAST, a WePlay, entre outras.

Nova investigação

dead MiBR Encontro das Lendas 2019 2 Felipe Guerra MiBR - Felipe Guerra/MiBR - Felipe Guerra/MiBR
Imagem: Felipe Guerra/MiBR

Nessa investigação, conduzida pelo árbitro polonês de CS:GO Michal Slowinski, que descobriu os abusos do bug, a ESIC teve acesso às gravações de cerca de 99.650 partidas dos últimos anos.

A comissão informou que apenas 20% dos jogos foram analisados até o momento, mas ressaltou que eles representam os casos mais substanciais.

Conforme a ESIC, somente 0,1% de todas as partidas verificadas têm indicativos de irregularidades.

Primeiro, as gravações passaram por uma análise automatizada e, depois, aquelas consideradas suspeitas foram manualmente assistidas, de modo a descartar os falsos positivos de irregularidades.

A ESIC destacou que não é possível dizer, com razoável certeza, se os cyber-atletas das equipes dos técnicos punidos sabiam ou não do abuso do bug. Portanto, não haverá punição a eles.

Guerri FURIA equipe StarLadder Berlin Americas Minor 2019 Divulgação StarLadder - Divulgação/StarLadder - Divulgação/StarLadder
Imagem: Divulgação/StarLadder

Aliás, a intenção de abusar da falha é questão central na polêmica, já que os treinadores brasileiros sustentam que não utilizaram as informações obtidas e/ou sequer estavam no computador durante a ocorrência do bug.

É o caso, por exemplo, do técnico da FURIA. Guerri já havia se pronunciado sobre vídeos em que aparecia movimentando a câmera em uma área do mapa em que não deveria estar.

Ele alegou que não se desconectou do servidor da partida para encerrar o bug porque, na época, não sabia como agir e disse que, para evitar questionamentos, tirava o CS:GO da tela do seu computador.

Lista de punidos

Apoka INTZ lamenta StarLadder Berlin Americas Minor 2019 Divulgação StarLadder - Divulgação/StarLadder - Divulgação/StarLadder
Imagem: Divulgação/StarLadder

Entre os 37 treinadores suspensos pela ESIC estão oito brasileiros. Dead, da MiBR, também aparece na lista, pois teve a sua punição anterior estendida.

Técnicos que colaboraram com a investigação e confessaram o uso do bug tiveram as penas reduzidas. São os casos de Apoka (85% de diminuição), guerri (60%) e dead (35%).

Confira a relação dos técnicos punidos:

Alessandro "Apoka" Marcucci (Luminosity Gaming, INTZ e BOOM Esports)
Em 61 rounds de 6 partidas de 5 campeonatos em 2017, 2018 e 2020
Tempo de suspensão: 5,4 meses

Arno "ArnoZIK4" Vieira (Evidence)
Em 26 rounds de 1 partida de 1 campeonato em 2019
Tempo de suspensão: 10 meses

Ricardo "dead" Sinigaglia (SK Gaming e MiBR)
Em 4 rounds de 4 partidas de 4 campeonatos em 2017 e 2020
Tempo de suspensão: 6,5 meses

ellll paiN Gaming troféu Clutch - Divulgação/BBL - Divulgação/BBL
Imagem: Divulgação/BBL

Bruno "ellllll" Ono (Imperial Esports e paiN Gaming)
Em 49 rounds de 3 partidas de 3 campeonatos em 2018 e 2019
Tempo de suspensão: 10 meses

Nicholas "guerri" Nogueira (FURIA Esports)
Em 26 rounds de 2 partidas de 1 campeonato em 2019
Tempo de suspensão: 4 meses

Pedro "peu" Lopes (W7M Gaming)
Em 4 rounds de 2 partidas de 2 campeonatos em 2019
Tempo de suspensão: 5 meses

Henrique "rikz" Waku - Divulgação/GamersClub - Divulgação/GamersClub
Imagem: Divulgação/GamersClub

Arthur "prd" Resende (Neverest)
Em 42 rounds de 5 partidas de 2 campeonatos em 2020
Tempo de suspensão: 10 meses

Henrique "rikz" Waku (DETONA Gaming)
Em 11 rounds de 1 partida de 1 campeonato em 2019
Tempo de suspensão: 10 meses

*Os nomes entre parênteses são das equipes que os técnicos representavam quando ocorreram os abusos, não necessariamente dos times em que eles estão atualmente.

Posicionamentos

Apoka INTZ caderno StarLadder Berlin Americas Minor 2019 Divulgação StarLadder - Divulgação/StarLadder - Divulgação/StarLadder
Imagem: Divulgação/StarLadder

Punido com cinco meses de suspensão, Apoka declarou que não se aproveitou das informações que poderia obter com o bug e, fazendo referência a duas das partidas pelas quais recebeu a punição, disse que não mexia no computador porque estava atrás dos cyber-atletas.

O treinador da BOOM disse acreditar que a punição deveria ser por vantagem obtida com o bug, mas ressaltou respeitar a decisão da ESIC.

"Estou muito triste, mas não por causa da minha consciência, pois tenho certeza de que nunca usei nada para me beneficiar. Sou coach há 18 anos. Já organizei campeonatos do Brasil e estou no cenário há 20 anos. Acredito que pelo menos algumas poucas pessoas que lerem isso conhecem e sabem da minha índole, no jogo e na vida", escreveu Apoka em comunicado publicado no Twitter hoje.

Guerri, da FURIA, disse ter ficado satisfeito com a punição de quatro meses e reiterou não ter se beneficiado do bug. "Achei justos a minha suspensão e o formato utilizado. O percentual de desconto aplicado atesta apenas a punição, no meu caso, por erro operacional do disconnect e não por abuso".

Declarações anteriores

dead MiBR Encontro das Lendas - Divulgação/MiBR - Divulgação/MiBR
Imagem: Divulgação/MiBR

Após colocar em xeque os motivos que causaram a punição anunciada em 31 de agosto, dead publicou comunicado, em 25 de setembro, dizendo aceitar a pena. Ele acabou demitido da MiBR e está proibido de atuar como técnico por pouco mais de seis meses.

"Depois de conversar com a ESIC para rever meu processo, eles me explicaram o ponto de vista deles e deixaram bem claro que a punição foi dada independentemente se informação foi repassada ou não. Quando você assiste aos vídeos nos quais estou envolvido, é possível ver claramente que nenhuma informação foi repassada e nenhum tipo de vantagem foi conquistada, mas sim, concordo com eles, eu tive a chance de desconectar logo em seguida e não o fiz como das outras vezes", escreveu o ex-treinador da MiBR.

dead com jogadores MiBR Divulgação MiBR - Divulgação/MiBR - Divulgação/MiBR
Imagem: Divulgação/MiBR

ArnoZIK4, que treinou a Evidence, havia se manifestado em 4 de setembro, após vídeo dele ter sido divulgado nas redes sociais, e disse que não acompanhou a partida, pois não permaneceu no computador. Ele recebeu punição de dez meses.

Rikz, da DETONA, também se pronunciou anteriormente sobre o bug do coach, em 5 de setembro. "Eu tenho a consciência tranquila que não passei informação alguma para o meu time, nunca. Quem jogou comigo sabe. Isso [bug] rolava uma vez a cada cinco partidas. Lembro desse jogo de eu entrar no TS [Team Speak, programa de comunicação por voz] e falar: 'rapaziada, estou bugado, não vou falar nada nesse jogo'", escreveu o técnico sobre a partida que lhe rendeu uma suspensão de dez meses.

rikz DETONA Gaming Clutch CSGO Temporada 1 BBL - Divulgação/BBL - Divulgação/BBL
Imagem: Divulgação/BBL

Treinador afastado da RED Canids Kalunga, prd também falou sobre o assunto logo após o início do escândalo, em 5 de setembro.

Ele admitiu que ficou com a câmera "bugada" por "alguns rounds" de duas partidas de uma competição online. "Nem os jogadores e muito menos organização sabiam disso. Sei e lembro que não interferi em nada que mudaria o resultado da partida", escreveu prd.

O anúncio da ESIC, contudo, trata de três partidas na competição citada por prd e em mais duas de outro campeonato. A pena é de dez meses de suspensão.

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Imagem: Saymon Sampaio/BBL

Em declaração publicada em 7 de setembro, peu disse que, em um jogo, avisou a administrador da partida sobre o bug. "Eu estava no office e, na maior parte dos rounds, estava telando os jogadores atrás deles. Não comuniquei nenhuma informação que estava na minha tela".

Segundo a ESIC, porém, as irregularidades por parte do comandante da W7M Gaming ocorreram em duas partidas. Ele recebeu, por isso, punição de cinco meses.

Já ellll, da paiN Gaming, ainda não tinha se pronunciado, até a publicação desta matéria, sobre sua suspensão de dez meses.

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