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CS:GO: trk fala sobre carreira, entrada na MiBR, má fase e polêmicas

Alencar "trk" Rossato, 25 anos, se projetou como pro-player na Team One, e em 2020 entrou para a MiBR, maior equipe do país - Divulgação/MiBR
Alencar "trk" Rossato, 25 anos, se projetou como pro-player na Team One, e em 2020 entrou para a MiBR, maior equipe do país
Imagem: Divulgação/MiBR

Gabriel Oliveira

Colaboração para o START

10/09/2020 04h00

Jogo rápido

  • Natural de Jataí (GO), trk joga Counter-Strike desde os 7 anos, incentivado pelo irmão
  • Ao se destacar na Team One, recebeu propostas estrangeiras, mas continuou no time
  • Contratação pela MiBR em 2020 foi ao mesmo tempo uma consagração e um desafio

Jogador de uma equipe só até ser contratado pela Made in Brazil (MiBR), Alencar "trk" Rossato entrou para o mais importante clube de Counter-Strike: Global Offensive (CS:GO) do país em um momento turbulento. Em crise, o time acumula atuações ruins, seca de títulos e polêmicas, mas o cyber-atleta acredita em uma retomada.

Em entrevista ao START, trk relembrou o início da carreira e a passagem de quase cinco anos pela Team One, comentou a má fase da MiBR e contou como a equipe tem trabalhado para retomar o caminho da vitória. Ele admite a pressão por resultados, mas nega clima ruim entre os pro-players e possibilidade de novas mudanças no elenco.

Início no Counter-Strike

De Jataí (GO), trk joga Counter-Strike desde quando tinha 7 anos, incentivado pelo irmão. Primeiro em casa e depois também em lan houses, populares no início dos anos 2000.

Apesar de jogar muito e acompanhar todas as competições profissionais durante a infância e a adolescência, trk só começou a se envolver no cenário competitivo em 2014, aos 19 anos de idade, já no CS:GO - última versão do game.

Ele jogou em uma equipe que se destacou em uma competição online amadora da plataforma Gamers Club e logo entrou no radar de Alexandre "kakavel" Peres, também de Goiás e proprietário da Team One.

Cinco anos de Team One

Chamado para competir nos eSports, trk fez parte do primeiro elenco da Team One no CS:GO, a partir de novembro de 2015, ao lado de jogadores consagrados na versão 1.6, como Pedro "Maluk3" Campos e Fillipe "bt0" Moreno.

"O kakavel é muito amigo meu. Ele virou para mim e disse que estava pensando em montar um time e me colocaria nele, com uma galera conhecida, com Maluk3, bld, bt0, adr. Eu respondi: 'isso não vai dar certo, eles não vão querer jogar comigo'. Eu era muito fã deles, eu acompanhava tudo", rememora trk.

trk Lendas - Saymon Sampaio/Agência X5 - Saymon Sampaio/Agência X5
trk jogando pela Team One na Gamers Club Masters 2017, no Encontro das Lendas
Imagem: Saymon Sampaio/Agência X5

Jogando com pro-players experientes, trk melhorou de nível e começou a se destacar.

"Na época [no início da Team One] eu só sabia andar no mapa e atirar. Foi quando eu aprendi a jogar de verdade. Eu aprendi rápido porque só tinham caras experientes ao meu lado", exalta o cyber-atleta.

Depois de dominar o cenário brasileiro em 2017, com 16 títulos em 39 compromissos (entre campeonatos e classificatórios), a Team One se mudou para os Estados Unidos na temporada 2018.

No cenário norte-americano, a equipe brasileira não conseguiu ascender ao patamar de conterrâneas como Immortals, Luminosity Gaming e SK Gaming e disputou competições das 2ª e 3ª divisões.

Team One Americas Minor StarLadder Major - Divulgação/StarLadder - Divulgação/StarLadder
Team One disputando o Americas Minor StarLadder Major 2019
Imagem: Divulgação/StarLadder

A Team One passou por diversas mudanças e reformulações de elenco desde 2015, com trk sendo o único remanescente do time inicial. Isso aconteceu, segundo o jogador, pela identificação dele com o clube e a amizade com kakavel.

"Sempre fomos muito próximos um do outro. Me chamaram para outros times, mas o kakavel sempre cobria as propostas. Como eu era amigo dele, resolvia continuar", conta trk.

Ele chegou a receber propostas de Immortals e Luminosity Gaming, clubes estrangeiros com equipes brasileiras de CS:GO que moravam nos Estados Unidos, e uma sondagem da MiBR que não virou negociação.

Na época [no início da Team One] eu só sabia andar no mapa e atirar. Foi quando eu aprendi a jogar de verdade. Eu aprendi rápido porque só tinham caras experientes ao meu lado
Alencar "trk" Rossato, jogador da MiBR

Proposta da MiBR

trk MiBR 3 - Divulgação/MiBR - Divulgação/MiBR
Proposta "relâmpago" da MiBR levou trk da Team One
Imagem: Divulgação/MiBR

Em maio deste ano, a equipe liderada por Gabriel "FalleN" Toledo voltou à carga e formalizou o interesse pelo jogador da Team One.

"Foi tudo muito rápido", relembra trk. "O dead [manager e treinador da MiBR] me mandou mensagem perguntando sobre a multa, se eu queria ir e se eu ajudaria na negociação. Falei que sim. Ele enviou mensagem para o kakavel e eles se resolveram. No outro dia, eu já estava indo para a casa deles".

O pro-player conta que estava desanimado na Team One, "talvez pelo muito tempo no time", e decidiu aproveitar a chance de representar uma das principais marcas do Counter-Strike mundial.

O sonho de todo jogador brasileiro é jogar na MiBR com estes caras. Eu não podia deixar a oportunidade passar
Alencar "trk" Rossato, jogador da MiBR

Ele admite que não estava 100% preparado na época, mas tinha certeza de que, com o tempo, conseguiria se adaptar e dar conta do desafio.

MiBR em má fase

MiBR - Divulgação/MiBR - Divulgação/MiBR
Formação atual da MiBR, já com trk
Imagem: Divulgação/MiBR

Não se tratava apenas de representar o principal nome do Counter-Strike brasileiro, que possui uma história vitoriosa no CS 1.6, mas também entrar para a equipe em uma fase ruim e, portanto, sob críticas.

A MiBR vive uma seca de dois anos sem títulos em competições internacionais, amarga eliminações precoces e acumula uma série de trocas no elenco. A pressão da torcida por resultados só faz aumentar. Os desempenhos, contudo, estão na contramão do esperado pela comunidade.

A entrada de trk até deu uma renovada nos ares, e a equipe brasileira voltou a apresentar boas performances, inclusive tendo conseguido o vice da BLAST Premier Spring 2020 Americas Finals.

Porém, desde essa competição, em junho, a MiBR caiu de produção de novo e teve desempenhos de ruim para péssimo em campeonatos.

Em um deles, os brasileiros foram eliminados pelo desconhecido time polonês Wisla Kraków e, em outro, perderam por 16 a 1 e 16 a 6 da dinamarquesa MAD Lions. Os resultados pífios provocaram duras críticas da comunidade e dos especialistas.

"Nem nós sabemos direito", responde trk ao ser questionado pelo START sobre o que está acontecendo com a MiBR. "Estamos jogando bem nos treinos, mas não estamos conseguindo reproduzir nos campeonatos. Temos tentado coisas novas para ver se resolvemos".

Ele, inclusive, atribui as derrotas acachapantes das últimas competições às mudanças que a equipe vem promovendo e para as quais ainda não treinou o suficiente. Uma das novidades é que Vito "kNg" Giuseppe se tornou capitão no lugar de FalleN.

Desde novinho eu sempre acompanhei o CS, quase todas as lines da MiBR, desde o 1.6, eu assistia. É um sonho para qualquer jogador representar esta tag
Alencar "trk" Rossato, jogador da MiBR

Trk sabe que há uma enorme pressão e conta que os jogadores decidiram se fechar e evitar as redes sociais, onde há o maior contato com a torcida.

"Pressão tem, só que está todo mundo conseguindo lidar bem com isso. Nos fechamos ao máximo e estamos treinando bastante. Temos testado um monte de coisas novas para ver se conseguimos sair desta situação", explica trk.

Polêmicas fora dos servidores

E não é só dentro do CS:GO que a MiBR enfrenta um inferno astral. Jogadores da equipe têm se envolvido em polêmicas nos últimos tempos.

Em uma delas, os pro-players da MiBR reclamaram publicamente da atitude dos conterrâneos da FURIA Esports durante uma partida da BLAST Premier Spring 2020 American Finals em que tiveram problemas com internet. Fernando "fer" Alvarenga proferiu diversos xingamentos contra os adversários, no Twitter e em stream.

Dias depois, após serem derrotados na cs_summit 6 da América do Norte, os cyber-atletas brasileiros acusaram jogadores da norte-americana Chaos de usar programas de trapaça. Tal acusação, que nunca se confirmou oficialmente, levou torcedores a ameaçar, inclusive de morte, o pro-player Nathan "leaf" Orf, de 16 anos.

O caso teve enorme repercussão internacional: especialistas e jornalistas do exterior fizeram duras críticas aos jogadores da MiBR pela acusação e os responsabilizaram pelos ataques virtuais aos cyber-atletas norte-americanos. O streamer Alexandre "Gaules" Borba, que também sustentou que a Chaos usou cheat, se desculpou publicamente.

dead MiBR - HLTV.org - HLTV.org
O treinador dead, da MiBR, durante a ELEAGUE Premier 2018
Imagem: HLTV.org

A Chaos passou a zombar da MiBR nas redes sociais. Depois de a equipe dos Estados Unidos tripudiar da seca de conquistas dos brasileiros e ironizar os títulos do passado, Epitácio "TACO" Pessoa se disse desrespeitado e chamou a Chaos de insignificante, no Twitter. O capitão FalleN publicou a imagem de um poste urinando em um cachorro.

Antes disso, também no Twitter, kNg já havia respondido a um jogador da Chaos que chamou a MiBR de lixo dizendo que "para ser ruim, falta muito".

Tudo isso tem aumentado o clima hostil à equipe do Brasil. Alheio às discussões públicas, trk é mais reservado nas redes sociais e normalmente só publica chamadas ou resultados de campeonatos.

"Sou bem mais fechado. Eu não gosto dessas tretas que rolam. É treta para todo lado, eu fico na minha", diz trk, sustentando que as polêmicas fora do CS:GO não prejudicam a equipe. "Quem se envolveu [é porque] se sentiu ofendido".

Não para trocas e técnico

O pro-player nega que a MiBR esteja considerando fazer alterações no elenco, como vem sendo cogitado pela comunidade. Se isso acontecesse, seria a 11ª troca desde que o clube voltou à atividade, em junho de 2018. Até agora, a média é de uma mudança a cada 2,4 meses.

"Eu cheguei a ler comentários de que com certeza está rolando treta entre os jogadores. Mas não está rolando nada. O clima está bom, todo mundo está tentando evoluir", defende trk.

Ele também sustenta que a equipe não precisa de um treinador de ofício, como quer parte da torcida. O último técnico, Wilton "zews" Prado, saiu em março citando "problemas enraizados". Desde então, o manager Ricardo "dead" Sinigaglia tem atuado também como coach.

Na semana passada, dead acabou suspenso por seis meses por organizadoras de competições por ter, segundo as empresas, se aproveitado de um bug no CS:GO para trapacear em pelo menos duas partidas de torneios online.

"Galera de fora acha que o dead não faz quase nada. Ele faz bastante coisa. Qualquer coach que viesse não iria fazer mais coisas. Ele vê demo, vive CS 24 horas, está sempre trazendo coisas novas e ajudando", descreve trk, em entrevista realizada em 30 de agosto, antes portanto dos anúncios de punições a dead, no dia 31.

Depois da divulgação das sanções, o START voltou a entrar em contato com a MiBR para poder falar novamente com trk para repercutir o caso de dead e como as punições irão afetar o clima e a competitividade da equipe. Entretanto, representantes do clube não responderam.

Responsabilidade

Trk sabe que a responsabilidade de colocar a MiBR novamente no topo dos pódios é enorme e admite que a má fase é incômoda.

Todo mundo quer ganhar e sabe que o nome e a torcida [da equipe] são gigantescos. Estamos tentando de tudo para dar a volta por cima
Alencar "trk" Rossato, jogador da MiBR

fer MiBR - Divulgação/MiBR - Divulgação/MiBR
fer, da MiBR, durante bootcamp na Sérvia
Imagem: Divulgação/MiBR

Baseada nos Estados Unidos, a MiBR está desde o fim de julho em um bootcamp europeu em Belgrado, capital da Sérvia. A equipe ficará por lá até outubro, treinando contra equipes da Europa e participando de competições pequenas. O que os fãs mais esperam é que os brasileiros retomem o caminho das vitórias.

"Eu estou vendo evolução, apesar de ainda não estarmos conseguindo reproduzir dentro de jogo. A qualquer momento vamos resolver o problema, os resultados começarão a vir e tudo ficará melhor", promete trk.

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