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Journey to the Savage Planet: aliens, munição infinita e zero dor de cabeça

Não se engane: os gráficos lembram No Man"s Sky, mas Journey to the Savage Planet é bem mais tranquilo e bem-humorado - Divulgação
Não se engane: os gráficos lembram No Man's Sky, mas Journey to the Savage Planet é bem mais tranquilo e bem-humorado
Imagem: Divulgação

Makson Lima

Colaboração para o START

14/02/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Game de exploração carrega no bom humor e visões mórbidas do futuro
  • Jogador é funcionário recém-contratado de uma empresa que explora planetas habitáveis para propagar a espécie
  • É possível jogar em modo cooperativo, num perfeito clima de camaradagem

Logo de cara, Journey to the Savage Planet lembra bastante No Man's Sky, com suas cores e planetas estranhos. Então confesso que estremeci, pois existem dois tipos de pessoas quando o assunto é o jogo de 2016: quem desistiu no catastrófico lançamento e quem foi embora e voltou mais tarde, com o jogo sendo recuperado aos poucos — faço parte do primeiro grupo.

Mas ledo (e pegajoso) engano, pois o jogo de estreia do estúdio canadense Typhon é bem diferente de No Man's Sky.

Ele não é sobrecarregado de objetivos, não é cheio de itens para coletar, não traz necessidades fisiológicas e estruturais de seu protagonista, com toda aquela seriedade. Ainda bem! É uma aventura perfeita para você e um amigo (se você tiver um) passarem algumas horas analisando vida alienígena estranha, pulando - e pulando de novo no ar, afinal, mochilas voadoras de qualidade duvidosa servem exatamente para isso - e coletando ligas e matérias-primas.

O quarto melhor (mas é de toda galáxia)

A espécie humana precisa de um novo lar. O planeta já não aguenta mais, os recursos naturais há tempos não se renovam e a exploração espacial é mesmo a única saída. Como o funcionário recém-contratado da Kindred, a auto-proclamada (e quarta no ranking intergaláctico) mais incrível e importante desbravadora das estrelas, seu papel é de suma importância: encontrar um planeta habitável para propagar sua espécie, reiniciando o ciclo de exploração gananciosa e desenfreada, nossa marca registrada.

E será que o Planeta AR-Y 26 será a nova arca, o novo berço da civilização?

E aí, já escolheu seu avatar hoje? -
E aí, já escolheu seu avatar hoje?

Depois de escolher seu avatar (e me diga como é possível não selecionar o cachorro?), passar por um pouso forçado e ouvir algumas palavras nada encorajadoras da IA irônica, sarcástica e cínica que irá nos acompanhar por toda aventura, é hora de avaliar seus recursos. Mas já adianto: não há recursos. O combustível era só de ida, o equipamento é o scanner no capacete e o cenário é, supostamente, inóspito, inexplorado. Partimos rumo ao desconhecido.

Mas já adianto: não há recursos. O combustível era só de ida, o equipamento é o scanner no capacete e o cenário é, supostamente, inóspito, inexplorado. Partimos rumo ao desconhecido.

Poderia ser sombrio e taciturno, mas é só espalhafatoso, excessivamente colorido e prazeroso demais. Journey to the Savage Planet não se leva a sério, e o clima criado a partir daí é de leveza e descontração. Cada espaço do planeta extra-terrestre é preenchido com fauna, flora e segredos para serem descobertos.

As descobertas vêm aos montes. Na sua nave, a impressão 3D pede matéria-prima do planeta para criar novos e necessários equipamentos. A progressão do jogo segue a linha metroidvania, ou seja: áreas inacessíveis no começo podem ser visitadas mais tarde, revigoradas pela grande quantidade de segredos, que vão de gosmas laranjas capazes de aumentar sua vida e fôlego, tabuletas aliens com segredos de civilizações recônditas até todo tipo de vegetações esquisitas.

Visões mórbidas do futuro

Dá pra chegar um pouco mais perto, amigo? -
Dá pra chegar um pouco mais perto, amigo?

O CEO da Kindred é uma mistura de Rick Moranis com Will Farrell e deve invadir seus pesadelos, pois tem uma necessidade de falar perto demais da câmera. A forma como ele vende sua própria empresa é de alienante para baixo, voltada a mesmerizar a audiência. Você até pode ignorar completamente os e-mails e vídeos que chegam ao computador de sua nave capenga, mas não faça isso. A Typhoon Studios dedicou bastante tempo ali, no humor, nas suas propagandas do futuro, repletas de visões mórbidas e (por que não dizer) possíveis? O "amigo de carne" e os "lencinhos umedecidos para cérebro" já são uma necessidade para nosso dia a dia!

Mas há vida hostil nesse planeta. Sua pistola laser com munição infinita não tem mira das mais precisas, e por isso mesmo esbofetear é necessário vez ou outra. Seja a fauna, seja a flora, sejam os minerais. Há batalhas contra aberrações gigantes, o topo da cadeia alimentar do AR-Y 26, um desafio tão terno quanto usar seu gancho com corda para dependurar-se entre plataformas voadoras, estrategicamente posicionadas para fazer uso de toda e qualquer capacidade evolutiva adquirida até aquele preciso momento.

Voltando à possibilidade de morte, num verdadeiro deboche a Dark Souls e variáveis, desfalecer significa o surgimento de um novo clone (e uma nova piada da IA pontual). Aí você precisa voltar ao ponto de abate para coletar seus preciosos silícios, carbonos e demais ligas alienígenas, assim como almas, sangue e XP. Só que você pode morrer de novo e de novo e de novo, sem problemas. Journey to the Savage Planet não se trata disso. Inclusive, seu amigo no modo cooperativo online pode coletar itens para você, pois o conteúdo serve para ambos. E não se esqueça de scannear o cadáver do amiguinho (ou o seu próprio), pois uma conquista pode surgir daí.

Há vida hostil nesse planeta. Sua pistola laser com munição infinita não tem mira das mais precisas, e por isso mesmo esbofetear é necessário vez ou outra

Exploração sem fim

Foram muitos os momentos prazerosos com Journey to the Savage Planet. Era bem o que eu precisava depois de uma batelada de games barra-pesada como Disco Elysium e Kentucky Route Zero. Uma boa dose de exploração alienígena jocosa, sem dores de cabeças, sem maiores complicações (apesar de engasgos de performance sem qualquer explicação aparente, mesmo no Xbox One X).

Estamos tão habituados à forma como os games nos são apresentados e vendidos, aceitando logo de cara as campanhas de marketing, que é sempre uma boa surpresa conseguir desconstruir certas partes e descobrir uma experiência diferente do que você esperava. E que bela surpresa gosmenta, roxa e verde radiação, Journey to the Savage Planet foi (e continuará sendo - ainda há muito para explorar!)

Lançamento: 28/01/2020
Plataforma: PC (Epic Games Store), Xbox One e PS4
Preço sugerido: R$ 56,99 (PC), R$ 149,95 (XBO), R$ 130,90 (PS4)
Classificação indicativa: 16 anos (Violência)
Desenvolvimento: Typhoon Studios
Publicação: 505 Games
Jogue também: The Outer Worlds, No Man's Sky, Astroneer, Subnautica

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