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"Iceborne" é uma expansão digna da grandiosidade de "Monster Hunter: World"

Monster Hunter é o tipo de jogo que sabe diferenciar dragões de serpes - Divulgação
Monster Hunter é o tipo de jogo que sabe diferenciar dragões de serpes Imagem: Divulgação

Makson Lima

Colaboração para o START

29/09/2019 04h00

"Monster Hunter: World" é o jogo mais vendido da história da Capcom, uma das maiores desenvolvedoras de videogame do planeta, e que dispensa qualquer tipo de apresentação. Grande feito, especialmente quando levamos em consideração o quão densa e distinta é a franquia "Monster Hunter". A iteração "World", como o próprio nome bem aponta, foi concebida para ter apelo universal, e funcionou. E como funcionou.

"Iceborne" um verdadeiro "Monster Hunter: World" 2.0. É uma expansão tão parruda e abarrotada de conteúdo quanto o jogo base fez por merecer, atendendo prontamente aos pedidos de fãs das caçadas mais aterradoras e maravilhosas de aventuras passadas: maior dificuldade, monstros inéditos e uma região completamente nova para explorar e desbravar.

A caçada continua, agora no gelo

"Iceborne" só se apresenta para quem concluiu as missões designadas de "World", e de forma bem direta, de fácil acesso. Prontamente, somos introduzidos a uma nova área, um mundo novo nesse novo mundo. A Fronteira Glacial é o maior dos mapas de um jogo construído sobre um dos mais complexos designs de fase da geração - entre Planaltos Coralinos, Fenda do Ancião, Vale Putrefato e Ermo Selvagulha, fica muito difícil escolher um favorito. Aliás, aproveito a deixa para enaltecer o excepcional trabalho de localização em "World", agora estendido a "Iceborne", tanto que meus gatos, desde então, são meus amigatos, e entendendo perfeitamente como "muito obrigado, miaustre" quando sirvo ração todo dia pela manhã.

A migração das Legianas apresenta disfunções preocupantes e partimos rumo ao desconhecido para entender o porquê. Nesse mundo gelado, um dragão ancião despertou de sua hibernação milenar, causando alterações no clima e no comportamento dos monstros. Manter a harmonia da natureza é uma das funções dos caçadores em "Monster Hunter", que é um belo pretexto para usar de chapéu e sapato as criaturas mais fantásticas do planeta. A trama não é lá muito inspirada, mas também está longe de ser o foco, funcionando mais para colocar um Nargacuga em briga por território com um Beotodus. É aquele programa sobre vida selvagem de seu canal de TV favorito, bem diante de seus olhos.

Prepare suas melhores armas e armaduras, porque a casca é grossa em "Iceborne" - Reprodução
Prepare suas melhores armas e armaduras, porque a casca é grossa em "Iceborne"
Imagem: Reprodução

Além do Rank Mestre

Para dar continuidade ao Rank Elevado de "World", "Iceborne" introduz o novíssimo "Rank Mestre", com dezenas de missões atreladas, de designadas, focadas em levar a campanha adiante, a opcionais, eventos e excursões. Como a dificuldade subiu exponencialmente, o sistema de jogo foi inteligente em acompanhar com certas sutilezas: como de praxe, até quatro caçadores podem ingressar nas missões, e o nível de hostilidade e resistência dos monstros se adapta, de maneira dinâmica, às entradas e saídas de membros do time. Como as vidas continuam limitadas e a punição por derrota é severa (você perde quase tudo que coletou de mais raro dentro da missão), essa funcionalidade é muitíssimo bem-vinda. "Monster Hunter" é pensado para ser jogado em grupo, com amigos, e quanto melhor se molda a essa experiência, melhor fica.

Somo cerca de 150 horas de jogo, quase que integralmente dedicadas a Glaive Inseto. Minha arma de preferência, que também funciona como classe de personagem, casou perfeitamente com um dos novos recursos de "Iceborne": a Prendedora. Funciona como uma expansão à Atiradeira, onde é possível aproximar-se dos monstros de forma muito mais versátil. Inclusive, tem sido cada vez mais comum ver caçadores com armas pesadas, tipo Espadão e Lançarma, se arremessando em direção às caças. É legal ter companhia no momento "touro mecânico" que a Glaive tanto proporciona.

Um Anjanath é sempre um Anjanath - Divulgação
Um Anjanath é sempre um Anjanath
Imagem: Divulgação

Seliana é o novo quartel-general dos caçadores e é ainda mais funcional que Astera. O Safari Atacaudas está logo ali, assim como o acesso à oficina, cantina e demais recursos indispensáveis para levar a uma boa caçada. De novidade, a fornalha pode oferecer uma quantidade considerável de itens valiosos dentro de um minigame divertido e bizarro. A personalização de seu quarto foi expandida consideravelmente - gastei tempo demais pensando em feng shui de design de interiores. Pode parecer estranho como o jogo resolve ponderar a exploração ao seu novo mapa, mas é interessante também, pois mostra como intemperismo tem resultado em ondas, ou seja, o que acontece na Fronteira Glacial abala a Fenda do Ancião, por exemplo, e o resultado disso são subespécies de monstros surgindo, alterando a cadeia alimentar. Quando enfrentar o Pukei-Pukei Coralino pela primeira vez, vai sentir essas diferenças.

Com a resistência dos monstros tão alta (ainda tenho pesadelos com Tigrex, um dos retornos triunfais dessa expansão), preparação e antecipação são essenciais. Adornos na arma e peças de armadura ajudam a anular efeitos como veneno, rugidos e, especialmente, congelamento. A Fronteira Glacial é um local gelado e, muitas vezes, bebericar sua poção quentinha de pimenta ardente pode não ser o suficiente. É aquela máxima de "Monster Hunter": faça aquele banquete na cantina, recolha uns kits de primeiros socorros com a Assistente e atire o SOS. A caçada continua - e com tanto conteúdo gratuito prometido para os próximos meses, fica difícil largar "Iceborne" tão cedo. Rajang, sua besta maravilhosa, é de você mesmo que estou falando.

O Dragão Ancião Velkhana

Velkhana & seus amigos - Divulgação
Velkhana & seus amigos
Imagem: Divulgação

Os grandes protagonistas de todo e qualquer "Monster Hunter" são, indiscutivelmente, os monstros e "Iceborne" joga seguro quanto a isso. O Dragão Ancião Velkhana é seu chamariz, funcionando como gatilho de roteiro e como forma de impulsionar a vontade de caçar - as armaduras provenientes de suas partes são espetaculares. Figura entre as batalhas mais memoráveis da franquia, onde todos os pontos altos de "World" se afunilam, do trabalho em grupo a estratégias de confronto, antes e durante. Exige o nível máximo da especialização de cada parte envolvida, o que é ainda mais distinto quando levamos em consideração como a batalha em "Monster Hunter" vai além de um RPG de ação qualquer.

MonHun, para os íntimos, nunca esteve tão presente na rotina de todo tipo de jogador, dos mais dedicados aos mais casuais. "Iceborne" conversa diretamente com sua audiência mais exigente, e cumpre o prometido com louvor. É um novo patamar no que diz respeito a expansões em videogames, e enaltecê-lo não parece o bastante. A hora nunca foi melhor para afiar sua lâmina, juntar os amigos e partir numa grande caçada em terras geladas.

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