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"Tokyo Mirage Sessions FE #Encore" é mais um bom RPG para Nintendo Switch

Tokyo Mirage Sessions chegou ao Wii U em 2015 e agora foi relançado para Nintendo Switch - Divulgação
Tokyo Mirage Sessions chegou ao Wii U em 2015 e agora foi relançado para Nintendo Switch
Imagem: Divulgação

Daniel Esdras

Do GameHall

26/01/2020 04h00

Tudo o que se precisa saber de "Tokyo Mirage Sessions FE #Encore" está nas palavras que formam seu nome, que diz algo importante sobre o que o jogador irá encontrar na aventura. Até mesmo suas abreviações foram pensadas para ter um significado.

"Tokyo" é o local em que o game acontece. "Mirage" são os seres responsáveis por todos os conflitos do jogo. "Sessions" tem a ver com o tom musical e artístico da trama. "FE", que vem de Fire Emblem, indica que é um crossover entre a franquia da Nintendo e uma das principais séries da Atlus: Shin Megami Tensei (SMT), que a abreviatura ao contrário fica justamente TMS (Tokyo Mirage Sessions). Já o "Encore" é porque esse é um relançamento da versão de Wii U, de 2015.

Não fosse um RPG denso, com um sistema de combate denso e cheio de camadas, esse parágrafo explicando o jogo pelo nome seria tudo que você precisaria saber, mas para o bem e para o mal, há muito mais.

A Tokyo de sempre

Toda a trama rola na cidade de Tokyo nos dias atuais. Shibuya, Harajuko e outros bairros famosos da metrópole e das franquias da Atlus estão presentes para serem exploradas. A navegação rola bem no estilo de "Shin Megami Tensei" e "Persona": você escolhe um bairro através de um mapa e então se movimenta de forma bem linear para chegar em pontos importantes, como lojas e personagens que oferecem missões.

Tokyo Mirage Review 1 - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

Dentre os vários personagens que vão participar da sua equipe, o destaque fica para Aoi Itsuki e Tsubasa Ono. Embora você controle sempre o Itsuki - é com ele que você responderá diálogos e andará pela cidade, a história gira mesmo é em torno da Tsubasa.

Tsubasa viu sua irmã desaparecer em um concerto após um evento misterioso, anos antes dos eventos narrados em TMS. A partir daí ela decidiu se tornar uma cantora e seguir o legado dela. Após passar por algo parecido com o que rolou com a irmã, Itsuki e Tsubasa vão ter acesso aos seus "Mirages" - Chrom e Caeda, personagens da franquia "Fire Emblem".

Esses seres não lembram do seu passado e só sabem que quando estão fora de controle, buscam roubar a essência artística dos humanos, aqui chamada de Performa. Ao controlar esses seres, Itsuki e Tsubasa podem se transformar em uma forma "Carnage", que é forte o suficiente para derrotar outros Mirages.

Confuso? Pois saiba que tudo vai ficando cada vez mais denso: ao desenvolver as suas capacidades como artista, o "Mirage Master" (como são chamados os garotos) conseguem novos poderes, a história vai se ramificando com mais personagens que também controlam Mirages e novos ataques rolam em todos os lugares de Tokyo.

Música, drama e oportunidades desperdiçadas

Tokyo Mirage Review 2 - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

Como o jogo é todo voltado para o showbiz, nada melhor que usar uma agência de talentos como quartel general. Ao longo da jornada, Tsubasa vai aprendendo novos meios de ser uma artista completa. Cantora, atriz e modelo, a cada capítulo vai rolar um novo trabalho que eventualmente vai ser interrompido por um ataque de Mirage e exigirá que ela cresça pessoalmente e aprenda uma nova habilidade. Com tudo resolvido, geralmente rola uma animação mostrando ela executando o que aprendeu.

Todos os companheiros que entram para a sua equipe também têm ligação com essa agência, os que te dão um suporte por fora também. Dentro do escritório existe até uma sala secreta com a Tiki (outra personagem de "Fire Emblem") que te ajuda a melhorar suas armas e habilidades.

Com o passar do tempo, você irá entrar em missões secundárias que contam mais sobre cada personagem e criam um arco próprio para eles. Essa parte é uma das mais interessantes do jogo, mas o fato deles só conversarem com você e muito pouco uns com os outros, acaba minando a relação do grupo, um ponto muito mais forte em "Persona 5", por exemplo.

Tokyo Mirage Review 3 - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

Outro problema da narrativa é a falta de coragem. Enquanto "Persona" trata de temas tabus e relevantes para a sociedade, "Tokyo Mirage Sessions" se apega demais aos dramas fúteis da juventude, perdendo a oportunidade de atacar problemas graves do meio artístico. No fim, fica uma sensação de um jogo bobo e que tinha potencial para muito mais.

Quanto ao "Fire Emblem", sua participação fica muito mais voltada ao combate do que à história, o que para alguns pode ser frustrante. Antes da metade do jogo, que dura por volta de 50 horas, nada sobre os seus Mirages é de fato revelado. Até por conta disso, não é necessário ter conhecimento sobre a série da Nintendo para entender o que rola em "Tokyo Mirage Sessions".

A Atlus é excelente com dungeons

Tokyo Mirage Dungeons - Reprodução - Reprodução
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Em cada capítulo o jogador vai ter que desbravar uma dungeon diferente em um mundo sobrenatural. Se você jogou "Persona" ou "SMT" já sabe como é. É sempre surpreendente como o pessoal da Atlus domina a dinâmica de dungeons e puzzles. Cada nova incursão é recheada de momentos marcantes e etapas que dosam muito bem os momentos de fritar um pouco a cabeça em busca de soluções e explorar os caminhos em busca de itens e resolução para a missão principal.

A forma como os puzzles são conectados com o tema de cada capítulo também chama a atenção. Em uma das dungeons mais interessantes do jogo, o tema é a fotografia e os caminhos são repletos de câmeras. Ao passar na frente de uma delas, seu personagem é enviado para o início do local. É preciso encontrar os locais que abrem rolos de filmes para liberar novos caminhos e o chefe é um fotógrafo famoso que fez parte do passado de um dos personagens. Toda essa criatividade ajuda na imersão e deixa cada experiência memorável.

Com chefes difíceis e desafiadores em cada um desses capítulos e em diversas missões secundárias, você será quase sempre obrigado a voltar e ficar batalhando para ganhar mais níveis, o chamado "Grind". Para tentar suavizar a repetição, eles inseriram uma área de treinamento que garante muita experiência fácil, mas que também pode acabar deixando o jogo sem graça. O ponto positivo é que a escolha de dosar ou não a evolução fica por conta do jogador.

Combate refinado

Tokyo Mirage Review 4 - Reprodução - Reprodução
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O ponto alto do "Tokyo Mirage Sessions FE #Encore" é o seu combate. Por turnos, ele vai adicionando camadas durante todo o momento, elevando sempre a sua sensação de progressão. Com mais de 30 horas de jogo, fui apresentado a conceitos como evolução de classe e ataques conjuntos diferentes.

Durante a pancadaria o segredo é conectar os ataques, o que aqui chamam de "Sessions". Ao acertar um inimigo com um ataque do tipo que ele é fraco, você dá a abertura para que seus companheiros emendem outro ataque. Com o passar do tempo, mesmo os companheiros que ficam na reserva e até mesmo personagens que não batalham (como a Tiki), podem aparecer para ajudar com um dano a mais.

Embora o nível do personagem seja importantíssimo para a sua capacidade de causar estrago, a sua arma é o centro do sistema. Com as partes dos Mirages que você derrota nas dungeons, é possível fazer novas armas. Só que a diferença vai além de atributos e estética, há níveis de armas para se ganhar com cada uma delas. Ao alcançar esses níveis, você libera novas habilidades para o seu personagem, tanto em combate quanto quando ele participa das "Sessions".

Tokyo Mirage Armas - Reprodução - Reprodução
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Ao longo do jogo, mais e mais atividades vão sendo apresentadas e todas elas te auxiliam de alguma forma em combate. Ao completar missões secundárias e conhecer mais os seus companheiros, você libera ataques especiais para eles que dão um dano enorme em área ou garantem buffs para a sua equipe. Além disso, ao desenvolver sua parte emocional, eles ganham habilidades passivas com fusões feitas pela Tiki, o que os deixam ainda mais poderosos.

Com um foco grande na batalha, maior que os outros jogos da desenvolvedora, você acaba ignorando a infantilidade da história e os visuais simples para mergulhar de cabeça no combate. A graça é ver os seus personagens evoluindo, liberar cada vez mais armas e buscar inimigos mais raros e poderosos para enfrentar.

Poucas novidades

Lançado originalmente em 2015 no Wii U, "Tokyo Mirage Sessions FE" não foi muito bem em vendas, muito por conta do fraco desempenho do console na época. Tendo isso em mente, a Atlus decidiu tentar novamente no Switch com a versão #Encore. Há poucas novidades: conteúdo extra com uma nova área, mais trajes para os personagens (alguns do "Persona 5" e "Fire Emblem Three Houses") e algumas opções para acelerar as batalhas. Como o jogo conta com todas as DLCs e muita gente ainda não jogou, é uma boa pedida para o início de ano para a galera que joga no Switch e a versão definitiva para o jogo.

Tokyo Mirage Review 5 - Reprodução - Reprodução
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"Tokyo Mirage Sessions FE" é um crossover de "Shin Megami Tensei" e "Fire Emblem", mas que tem identidade própria ao focar em elementos da arte como música e dramaturgia para compor seu pano de fundo. A narrativa, no entanto, é superficial e perdeu a oportunidade de atacar problemas crônicos do showbiz, dando muito espaço para os dramas bobos da juventude.

O destaque fica para o ótimo combate por turnos, as dungeons sempre bem trabalhadas pela Atlus e a progressão dos personagens em batalha, que com dezenas de armas e sistemas de apoio deixam sempre a vontade de buscar mais.

Tokyo Mirage sessions - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação
Lançamento: 17/01/2020
Plataforma: Nintendo Switch
Preço Sugerido: R$ 250,79 (na Loja Nintendo)
Classificação Indicativa: 10 anos (conteúdo sexual, violência, drogas lícitas)
Desenvolvimento: Atlus
Publicação: Nintendo

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