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Viciante! "Magic The Gathering Arena" é tão bom quanto o jogo físico

Divulgação
Imagem: Divulgação

Daniel Esdras

Do GameHall

21/04/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Game honra a tradição de Magic nos jogos de cartas colecionáveis
  • Em fase beta aberta, download é gratuito pelo site da produtora Wizards of The Coast
  • Iniciantes podem aprender com o extenso tutorial, enquanto profissionais usam como plataforma de treino

Criado em 1993, "Magic The Gathering" foi o primeiro TCG - Trading Card Game - com os chamados conceitos modernos de cartas colecionáveis. O jogo foi criado por Richard Garfield e é publicado até hoje, quase 26 depois, pela Wizards of The Coast.

A franquia acumula números impressionantes: são mais de 20 milhões de jogadores mundo afora e mais de 20 bilhões de cartas produzidas somente nos últimos dez anos. Com números assim, a expectativa criada com a popularização dos eSports era de que o Magic recebesse um jogo digital à altura, que impulsionasse ainda mais a popularidade da marca. Isso não aconteceu de imediato com "Magic Online" (MOL), mas parece ter finalmente chegado com "Magic The Gathering Arena" (MTGA).

Atualmente em Beta Aberto, MTGA pode ser baixado de graça, diretamente do site da Wizards of The Coast. O jogo já disponibiliza decks básicos montados para cada uma das cores, Branco, Verde, Vermelho, Azul e Preto. A partir daí fica por conta do jogador conseguir novas cartas através dos "boosters", que podem ser comprados com gemas, conseguidas com dinheiro real, ou ouro, que é ganho após vencer partidas e completar missões diárias.

Ainda não são todos os formatos presentes no Beta. O principal é o Standard, ou padrão, que coloca os jogadores para se enfrentar no um-contra-um em partidas casuais ou ranqueadas. Além dele, também é possível jogar os formatos Draft ou Selado na aba de eventos, onde os jogadores seguem regras diferentes e ganham recompensas melhores a cada vitória. A entrada nesses eventos custa ouro ou gemas. Já as coleções presentes são somente as permitidas no formato padrão; ou seja, as cartas mais recentes.

Standard, Draft e Selado são os formatos presentes no MTGA - Reprodução
Standard, Draft e Selado são os formatos presentes no MTGA
Imagem: Reprodução

Começando do básico

Magic coloca os jogadores no papel de magos que invocam criaturas e lançam feitiços para vencer os adversários. Com o tempo, o card game ficou conhecido por ter uma curva de aprendizado complexa, que demanda tempo de dedicação dos novatos para conseguir jogar em um bom nível. Em MTGA, a Wizards of The Coast tem como um dos objetivos facilitar essa adaptação para quem está começando.

O jogador é levado logo de cara por um tutorial extenso, que vai ensinar o básico sobre os tipos de decks, terrenos, feitiços, turnos e diversas mecânicas que fizeram o Magic ser o que é. Essa parte é louvável e realmente ajuda os que tiveram pouco ou nenhum contato com o jogo físico, mas falha em ensinar alguns conceitos que vão levar o jogador ao próximo passo, como por exemplo montar o seu deck. Após abrir alguns pacotes e dar de cara com o menu, cabe ao iniciante se virar para entender o resto.

O jogo fornece decks básicos das cinco cores - Reprodução
O jogo fornece decks básicos das cinco cores
Imagem: Reprodução

Esse não é um problema exclusivo do MTGA. Afinal, ensinar os novatos é um enigma constante até para jogos mais consolidados no mercado, como "Hearthstone". Como ainda navega pelo Open Beta, a Wizards of The Coast terá um bom tempo e "feedback" dos jogadores para melhorar a situação dos iniciantes. Uma das alternativas vem sendo divulgar as listas de decks dos jogadores profissionais no site oficial do jogo.

Já para os veteranos, o jogo é fantástico. Principalmente se o jogador for daqueles que compete de forma casual na sua cidade, ou mesmo aqueles mais competitivos ou profissionais. A possibilidade de iniciar um jogo rapidamente e treinar com os melhores decks sem as limitações do jogo físico é um chamado quase irresistível. Como não se trata de um TCG (Trading Card Game), MTGA não deixa o jogador trocar ou vender as suas cartas; e nem importar as conseguidas no jogo físico para o digital. Isso pode ser um problema para aqueles que já gastam uma boa quantidade de tempo e dinheiro na outra forma de jogar e terão que recomeçar do zero aqui, mas o esforço com certeza vale a pena.

A forma de criar cards no MTGA é bem diferente dos outros jogos do estilo. Nos boosters vão aparecer os chamados curingas, que têm as mesmas cores dadas para as raridades das cartas, que vão de comuns a míticas. Ao abrir um número X de boosters, você ganha um curinga e após um número Y de curingas da mesma raridade, você poderá criar qualquer carta dentro desse grupo. Esse é o melhor meio de conseguir aquela última peça faltando para completar o deck. No entanto, por conta do esforço necessário para conseguir uma cara curinga completa, há uma sobrecarga no peso da sua decisão. Uma escolha errada aqui pode significar uma punição pela experimentação, o que não é legal.

As cartas curinga servem para criar qualquer carta da mesma raridade - Reprodução
As cartas curinga servem para criar qualquer carta da mesma raridade
Imagem: Reprodução

Os mestres do Magic

Conversamos com dois jogadores, que contaram um pouco mais da sua experiência com o MTGA.

Rodrigo Amorim compete nos principais torneios nacionais e almeja chegar em breve no nível profissional, já que figura por vezes entre os melhores no Pro Tour Qualifier e no Grand Prix -- este último agora se chama Magic Fest e ocorre uma ou duas vezes por ano no Brasil. Ele reconhece o esforço da Wizards e a qualidade do MTGA, ressaltando que ambas as versões têm vantagens e desvantagens. Para ele, o principal problema do novo jogo está no esforço necessário para conseguir as cartas sem gastar dinheiro, que é grande demais para quem já deixou boa parte das economias na versão física e no MOL, especialmente por não poder trocar ou vender as cartas depois: "O jogo é muito divertido, tem a essência do Magic e serve como uma boa plataforma de treino, mas para mim o 'grind' exige uma dedicação constante do jogador na plataforma para não poder vender ou trocar as cartas depois."

"O jogo é muito divertido, tem a essência do Magic" - Rodrigo Amorim - Reprodução
"O jogo é muito divertido, tem a essência do Magic" - Rodrigo Amorim
Imagem: Reprodução

Já o Bryan Falcon é Youtuber e joga em uma loja famosa de Goiânia desde que tinha nove anos. Ele diz que o MTGA trouxe de volta muitos jogadores para a versão física e aumentou a popularidade da franquia a ponto de derrubar um dos concorrentes, o "Artifact", da Valve, que realmente anda mal das pernas. "Antes, lá na loja, os campeonatos contavam com menos de 10 pessoas por dia, esse número mais que dobrou após o Open Beta. O Artifact mesmo não resistiu, já que o público alvo era o mesmo e Magic é Magic."

"Magic é Magic!" - Brayan Falcon - Arquivo Pessoal
"Magic é Magic!" - Brayan Falcon
Imagem: Arquivo Pessoal

Se "Magic The Gathering Arena" vai virar um eSport de sucesso, para além do cenário das cartas físicas, ou se vai servir como uma plataforma de apoio com base mais casual, só o tempo vai dizer. O que podemos afirmar agora é que o beta aberto conta com o melhor do gameplay do jogo original e rende horas de diversão para os amantes dos cardgames, sejam novatos ou profissionais.

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