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Bienal, 70 anos

A história dos 70 anos da Bienal de São Paulo, dividida por décadas


Bienal, 70 anos #3: Psicodelia, ditadura e videoarte em mostras dos anos 70

Do UOL, em São Paulo

17/07/2021 04h01

O terceiro episódio do podcast "Bienal, 70 anos" traz um recorte sobre a década de 70, que levou para o pavilhão da mostra elementos presentes naqueles anos, como a ditadura no Brasil, a psicodelia e também a modernidade. Com apresentação de Marina Person, esta coprodução do UOL e Fundação Bienal de São Paulo tem dez episódios e divide os primeiros deles em décadas. As publicações são sempre aos sábados -- ouça o terceiro episódio na íntegra no arquivo acima.

Os anos 1970 foram marcados por importantes acontecimentos. O Brasil era tricampeão na Copa do Mundo de Futebol e também vivia sucessivos anos de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), período que ficou conhecido como "milagre econômico". Ao mesmo tempo, sofria os momentos mais violentos da ditadura. Nesse período de perseguições, os artistas buscavam novas diretrizes para a arte. E, depois do boicote sofrido (ouça o episódio sobre os anos 60), a Bienal precisava se reinventar.

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O presidente da 15ª Bienal de São Paulo, Luiz Fernando Rodrigues Alves, observa a obra de Ernest Pignon-Ernest 'Intervention de Grenoble' (Intervenção de Grenobla)
Imagem: Autor não identificado/Arquivo Histórico Wanda Svevo/Fundação Bienal

Para isso, os organizadores da 12ª Bienal, realizada em 1973, promoveram conversas com críticos de arte de várias partes do mundo: entre eles o filósofo tcheco Vilém Flusser, que os aconselhou a se aproximarem mais do público. Uma das ideias sugeridas por ele foi criar uma sala especial chamada Arte e Comunicação, onde foram exibidas obras que usavam as novas mídias e que promoviam a comunicação com o público.

Neste espaço ficou o trabalho do argelino Fred Forest. O artista usou, por exemplo, um anúncio de jornal para fazer sua obra. Publicou um quadrado vazio e convidou os leitores a preencherem como quisessem. Depois, o recorte de papel devia ser enviado para a caixa postal da Fundação Bienal. Forest dizia que o artista não tinha mais nada para falar, então queria ajudar a comunicação das pessoas.

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Espaço na 12ª Bienal teve as obras 'Visite o Inferno (E Encontre com Você)', de de Vera de Figueiredo, e os objetos da série 'Camisa de Força', de Ivens Machado
Imagem: Autor não identificado/Arquivo Histórico Wanda Svevo/Fundação Bienal

Na década de 70, os alucinógenos eram usados como forma de expandir a consciência, a criatividade e a inovação. Exemplo disso foi apresentado na 11ª Bienal, em 1971, em uma série de 44 quadros do austríaco Arnulf Rainer. O Rainer tomava algo que levasse ele para outro plano mental antes de pintar. Normalmente era LSD. Ele pintava figuras humanas, que muitas vezes lembravam ele mesmo, mas com traços disformes e rabiscados, dando um efeito surrealista.

Também nos anos 70 apareceram os primeiros indícios de como logo a tecnologia deixaria de ser exclusividade das grandes empresas e iria parar na casa das pessoas. Surgiam os primeiros computadores pessoais, além da televisão, do videocassete e do videogame. Não demorou para a estética eletrônica invadir a cultura, quando os artistas descobriram na tecnologia um instrumento de produção artística.

A partir de então, a possibilidade de usar vídeos como suporte para a arte virou uma febre, e os artistas cada vez mais exploravam as possibilidades que as câmeras filmadoras ofereciam. A Bienal de 1975, a 13ª, ficou conhecida como Bienal dos videomakers, por apresentar um conjunto relevante de vídeos e videoinstalações. O coreano Nam June Paik, pioneiro da videoarte, foi um dos destaques. O artista apresentou a obra "Jardim de TV", onde misturou plantas naturais com televisores de diversos tamanhos, utilizando-os como fontes luminosas.

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Obra 'La Ultima Cena' (A Última Ceia), de Leopoldo Maler, exposta na 14ª edição
Imagem: Rômulo Fialdini/Arquivo Histórico Wanda Svevo/Fundação Bienal

A 13ª Bienal foi uma grande contribuição no que diz respeito ao contato do público com essas novas manifestações artísticas. A chegada do vídeo mudou a lógica de visita das exposições. O vídeo tem seu próprio tempo, mas concedeu o "poder" de decisão ao espectador, para escolher quanto tempo ficará assistindo à obra.

Em paralelo à tecnologia exposta na mostra, o ativismo ambiental em alta nos anos 70 esteve presente na sala Xingu Terra. O local era formado pela coleção do indigenista Orlando Villas Boas, um dos responsáveis pela criação do Parque Indígena do Xingu. Um dos destaques era uma maloca construída com cipó, madeira e folhas de palmeiras vindas do próprio Xingu.

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Obra 'Analogías Con la Ciencia' (Analogias com a Ciência), exposta na 14ª Bienal pelo grupo de los trece
Imagem: Rômulo Fialdini/Arquivo Histórico Wanda Svevo/Fundação Bienal

A 13ª Bienal também foi a última de Ciccillo Matarazzo. Depois da abertura da exposição, ele deixou o comando da mostra e, dois anos depois, em 1977, ele morreu.

Além de muita história e curiosidades, este episódio do podcast traz entrevistas com o pesquisador da história do LSD Julio Delmanto, a curadora e professora Priscila Arantes, a artista Analivia Cordeiro e a crítica de arte e curadora Aracy Amaral.

No décimo episódio, o podcast trará respostas para perguntas do público sobre arte e o evento. Mande sua dúvida para o email Bienal70@bienal.org.br, que ela pode ser respondida.

Você pode ouvir Bienal, 70 Anos, por exemplo, no Spotify, Apple Podcasts, Google Podcasts, Amazon Music, no Youtube e também no site bienal.org.br/70anos.