PUBLICIDADE
Topo

Ricardo Feltrin

TV paga "ganha" 2,5 mi de assinantes e cresce 17%; entenda a "mágica"

Cena de "O Mágico de Oz" - Reprodução
Cena de "O Mágico de Oz" Imagem: Reprodução
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

18/09/2021 00h09

A Anatel acaba de divulgar os últimos números da TV por assinatura no Brasil. Os dados se referem a julho e, pasmem, senhoras e senhores leitores, mas foi anunciado que a TV paga "ganhou" 2,5 milhões de assinantes em apenas um mês.

Ou seja, de junho para julho a base de assinantes "cresceu" cerca de 17%.

Das periclitantes 13,8 milhões de assinaturas registradas em junho, como num passe de mágica, as operadoras passaram a ter 16,3 milhões de "novos assinantes" no mês seguinte.

Antes que todos os queixos caiam de uma vez, explicaremos a "mágica", uma obra da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações).

Boxes "oficiais"

Uma resolução da agência tomada um ano e meio atrás permitiu que, a partir de julho de 2021, as operadoras pudessem adicionar quem compra as caixas receptoras delas (tipo Sky Pré-Pago, Oi Livre, Claro Livre —ou Claro Box, como é chamada— etc) como sendo "assinantes".

Bem, há dois aparentes erros: nem todo mundo que compra as caixas paga mensalidades, para muitos é como se comprassem uma antena digital. Então não são (todos, pelo menos) assinantes de fato. Ponto.

Claro que é possível assinar serviços e pacotes por meio das caixas, mas não existe nenhuma obrigatoriedade. A pessoa pode comprar a caixa e usá-la apenas como receptora de sinal, por exemplo.

Dá para pagar pacotes

Segundo, os proprietários dessas caixas não têm necessariamente nenhum canal pago. Exceto se pagarem, claro.

E nos novos números da Anatel não há discriminação se esses 2,5 milhões de "novos" assinantes são de fato ativos. Ou seja, se todos estão pagando recargas após adquirirem as caixas (boxes).

Essa "resolução" foi tomada já na esteira da enorme perda de assinantes por parte das operadoras. A decisão era que ela passaria a valer em julho de 2021. Pois é, está valendo.

Enfim, de uma maneira questionável, e de um mês para outro, a TV por assinatura do Brasil "recuperou" os mais de 2,5 milhões de assinantes que havia perdido nos últimos três anos.

Afinal, quantos desses 2,5 milhões de "novos assinantes" estão pagando recargas e realmente são usuários de TV paga? Falta a Anatel nos trazer detalhadamente essa informação.

Por que fazer isso?

Nenhuma operadora nem a Anatel, procuradas pela coluna, se manifestou até a publicação deste texto, mas as operadoras também parecem estar "jogando para a torcida" (leia-se anunciantes).

Talvez queiram mostrar que ainda são enormes e relevantes, mas a verdade é que a TV paga no Brasil continua sangrando e abaixo dos 14 milhões de assinantes —6 milhões a menos do que tinha no final de 2014.

Só os serviços de streaming já têm mais audiência que todas as operadoras somadas.

Eis uma realidade nenhuma resolução pode apagar ou esconder.

Ricardo Feltrin no Twitter, Facebook, Instagram e site Ooops