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Anitta desabafa: "No Brasil esperam o ídolo morrer pra falar bem"

A cantora Anitta - Reprodução / Internet
A cantora Anitta Imagem: Reprodução / Internet
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

17/10/2020 00h09

A cantora e compositora Anitta fez um longo (e justo) desabafo a seus seguidores..

Maior estrela internacional e popular da música brasileira, Anitta se disse perplexa com a forma com que os artistas brasileiros, como ela, são tratados pelos próprios brasileiros.

Especialmente nas redes sociais.

Uma de suas revoltas, diz, é contra quem especula se ela teria "pago" alguma coisa para se apresentar no programa de Jimmy Fallon, nos EUA.

A coluna obteve uma transcrição do desabafo de Anitta.

A assessoria da artista confirmou sua autenticidade.

Ao contrário de boa parte do meio artístico nacional, ainda mais o chamado popular, as mensagens mostram uma artista madura, focada e com uma enorme percepção da realidade, além de muito senso crítico.

E também muito consciente de seu próprio trabalho e valor.

Veja algumas frases de Anitta, 27:

"As pessoas tem que se decidir: ou uso playback ou canto mal."

"Eu vou para outros países, outros artistas de outros países, a população dá maior força, (dizem) "nossa cultura e tal". Você vem para o Brasil, rala o c* na ostra para fazer as coisas acontecerem."

"Se depender do povo da internet, a gente se mata. Todo mundo adora falar sobre setembro amarelo, depressão, vamos cuidar das pessoas (...) Vocês leem o que vocês escrevem? Eu fico pasma..."

"Vocês acham que caiu do céu tudo pra mim (...) aí eu consigo uma apresentação, que ninguém cantou num lugar X: 'Ah não ela pagou não sei quantos! Vai lá, amor! Pega a pessoa mais rica que 'cê conhecer, pega todo dinheiro dessa pessoa e tenta fazer."

"É um dos momentos mais felizes da minha vida. Eu só fico triste, mas não a mim (...) é uma parada dessas (ofensas). Vocês pensam que é assim, alguém dá dinheiro e as coisas acontecem?"

"Fiz o primeiro programa para apresentar "Tócame". 'Cês acham que fui eu que decidi fazer no terraço da minha casa por que eu quis? Não, né gente? Teve a regra, dentro de casa tem que ser essa câmera (...) cheguei agora no ônibus e não quero sentar na janela. Quando eu comecei aqui no Brasil, várias pessoas que me abraçam, me dão oportunidades, me beijam, falam "Anitta te amo, você é foda"... (mas) no começo fechavam a porta na minha cara. Então aqui nesse Brasilzão eu também entrei no ônibus e fique em pé, ali, segurando até poder sentar."

"Se tiver outros cantores brasileiros que estejam 'bombando' lá fora pra me apresentar, eu ligo e peço ajuda. Mas, não tá tendo, não, viu?"

"Tô dando vinte entrevistas por dia, em vários idiomas diferentes (...), eu falo como nosso país tem a melhor natureza, tem tamanho de continente (...). Nosso país poderia ser um dos maiores do mundo, mas nem o próprio brasileiro acredita nisso. Porque quando vê um brasileiro fazendo alguma coisa, quer botar pra baixo."

"Se eu ficar esperando do povo aqui (reconhecimento) eu morro esperando. Eu já tinha desistido de cantar aqui, quem dirá em outros lugares"

"Aqui é briga (disputa entre paradas de sucesso) quem é primeiro, segundo, terceiro... gente, evolui!"

"Não tô aqui pra me achar. Tô aqui pra falar 'gente não opinem no que não sabem'"

"Tenho dez anos de carreira no Brasil. Quando eu comecei só fazia show em favela (...), aí fomos crescendo, crescendo, mas com tanto preconceito que o funk tinha, eu mudava a batida pro pop para tocar na rádio em horário comercial."

"Aqui no Brasil, esperam o ídolo morrer para falar bem. (...) se eu morrer, alguém me matar, minha alma assistir alguém que me 'xoxava' ficar pagando pau pra mim, eu venho assombrar"

Ricardo Feltrin no Twitter, Facebook, Instagram e site Ooops

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL