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Cego acende a luz? YouTuber conta com humor fatos sobre a deficiência

Marcos Lima, dono do canal Histórias de Cego
Marcos Lima, dono do canal Histórias de Cego
Reprodução/Instagram

Gabriel Nanbu

De Splash, em Santos

30/05/2021 04h00

Marcos Lima, 38 anos, cego desde os seis, recebe todos os tipos de pergunta sobre a deficiência em seu canal de YouTube, Histórias de Cego:

  • "Você liga a luz em casa?"
  • "Como imagina o Neymar?"
  • "Como faz para saber se está limpo depois de ir ao banheiro?"

E ele não foge de responder questão alguma, por mais estranha que seja.

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Eu não consigo imaginar o cabelo maluco do Neymar, não sei como é. Se é espetado, se ele passa a mão e sente umas coisas.
Marcos Lima, no vídeo em que fala sobre como imagina Neymar

Como um cego imagina Neymar?

O youtuber diz que, por meio do bom humor, tem como missão eliminar o preconceito em relação aos cegos e deficientes visuais.

Tem muito comentário nos vídeos, leio todos. As pessoas querem saber como cegos sonham, por exemplo, então não há pergunta ofensiva. Espalhar conhecimento diminui o preconceito.
Marcos Lima
Reprodução/Instagram - Reprodução/Instagram
Marcos Lima em ação na cozinha, em vídeo de seu canal
Imagem: Reprodução/Instagram
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Além de responder curiosidades em seu canal, com 283 mil inscritos, ele também narra perrengues que passa em razão da deficiência, mostra atividades do dia a dia (como cozinhar) e conta histórias da vida (como quando esquiou na República Tcheca).

Uma das vantagens de ser cego é que a gente pode fechar os olhos na aula sem ser acusado de estar dormindo. Dona Nádia, lembra de mim? Posso contar um segredo? Eu dormia muito.
Marcos Lima, em vídeo no YouTube

O início de tudo

Antes de começar o canal, há quatro anos, Marcos já dava consultoria sobre acessibilidade e realizava palestras. A intimidade na comunicação com o público fez com que pessoas sugerissem a aventura no YouTube.

Reprodução/Instagram - Reprodução/Instagram
Marcos Lima começou o canal em 2017
Imagem: Reprodução/Instagram

Os primeiros vídeos não tinham uma preocupação tão profissional com enquadramento ou simetria: afinal, o conteúdo é que importava. O youtuber fazia (e ainda faz) questão de gravar e postar a maior parte dos vídeos sozinho. Apesar de ter aprendido os macetes para isso, admite dificuldades até hoje.

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Já teve vez em que gravei um vídeo inteiro e só depois de postar soube que gravei com a câmera de trás do celular [risos]. Mas procuro ter o máximo de autonomia.
Marcos Lima

As vantagens de ser cego:

Reconhecimento

Marcos, que mora no Rio de Janeiro, conta que já foi identificado na rua por fãs algumas vezes em diferentes cidades. E o momento mais emocionante foi quando uma pessoa, que estava perdendo a visão, agradeceu a ele.

Ela repetiu uma frase que digo no canal: 'Existe vida além da cegueira'. Fiquei emocionado e soube que estava fazendo alguma diferença na vida das pessoas.
Marcos Lima

Marcos crê que a suposição mais errônea em relação aos cegos é de que eles sejam pessoas infelizes ou que "sonham o tempo todo em voltar a ver".

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Eu sou realizado, trabalho com o que gosto e tenho relacionamentos que me preenchem. Mas muita gente acha que somos tristes por causa da deficiência, e isso não é verdade.
Marcos Lima

Amém!

Reprodução/YouTube - Reprodução/YouTube
Marcos, no vídeo em que esclarece: cegos não deixam as luzes acesas em casa
Imagem: Reprodução/YouTube

E, para quem ficou curioso: cegos não ficam com a luz acesa em casa.

Tem vez em que a pessoa [que enxerga] vem aqui, liga a luz e só percebo dali a cinco dias que está acesa. Comecei a decorar a posição do interruptor. Cego também paga conta.
Marcos Lima, em seu canal
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Reprodução/Instagram - Reprodução/Instagram
Sara Bentes, cantora e compositora, tem canal no YouTube
Imagem: Reprodução/Instagram

E há outros canais bacanas de cegos e deficientes visuais para acompanhar. Olha só:

  • Sara Bentes: a cantora e compositora posta trabalhos e fala sobre inclusão.
  • Na Visão do Cego: Fernando Campos entrevista famosos e conta experiências de vida.
  • Cego Jeffinho: O comediante da "Praça É Nossa" faz humor e fala sobre a deficiência.
  • Amanda Pra Você: Amanda dá dicas de livros e filmes.