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Grammy: Artistas recusam indicações em protesto por categoria só de brancos

10.02.2013 - Justin Lansing e Joe Mailander, os Okee Dokee Brothers, já venceram Grammy de melhor álbum infantil - Frederick M. Brown/Getty Images
10.02.2013 - Justin Lansing e Joe Mailander, os Okee Dokee Brothers, já venceram Grammy de melhor álbum infantil Imagem: Frederick M. Brown/Getty Images

De Splash, em São Paulo

05/01/2021 10h17

Três dos cinco artistas indicados ao Grammy 2021 de melhor álbum infantil resolveram recusar suas nomeações, e o motivo é impactante: eles querem protestar o fato de a categoria ter apenas artistas brancos indicados.

O cantor Alastair Moock e as bandas Okee Dokee Brothers e Dog on Fleas se uniram para mandar uma carta à academia do Grammy pedindo que seus nomes não fossem incluídos nas cédulas de votação que determinarão o vencedor do prêmio.

Depois do ano que tivemos, indicar apenas pessoas brancas parece bem errado. É claro que eu adoraria ganhar um Grammy, mas não desse jeito, em que o jogo não tem as mesmas regras para todo mundo."
Alastair Moock fala à NPR sobre o Grammy

Achamos que recusar a indicação seria o melhor que poderíamos fazer para apoiar as pessoas não brancas cujos álbuns frequentemente ficam de fora do Grammy. A música infantil não é só sobre caras brancos tocando guitarra e cantando para crianças. Queremos ser receptivos a todo tipo de música na nossa comunidade."
Joe Mailander, um dos Okee Dokee Brothers

Quem ficou?

Com a retirada dos três indicados, o Grammy de melhor álbum infantil ficará entre Joanie Leeds (pelo álbum "All the Ladies") e Justin Roberts (por "Wild Life"). Leeds comentou sobre sua decisão de continuar na cédula de votação, e recebeu o apoio dos seus colegas que se retiraram.

Eu não recusei a indicação, porque o meu álbum é sobre empoderar jovens mulheres. Eu convidei 20 mulheres para tocar no meu disco. Para nós, seria meio contraditório se retirar da competição."
Joanie Leeds continuou na corrida pelo Grammy

Academia responde

Antes de anunciarem oficialmente a sua retirada da competição, os três artistas tiveram uma reunião com o CEO da academia do Grammy, Harvey Mason Jr., e sua chefe de diversidade e inclusão, Valeisha Butterfield Jones. A organização respondeu à matéria da NPR.

Somos uma instituição que está pronta para mudanças, mas os desafios que enfrentamos não são só nossos, ou só da nossa indústria. Eu acho que estamos em um tempo importante. Em 2020, vimos o reconhecimento dos problemas raciais. Depende de nós o que faremos com esse reconhecimento, e como tomaremos ações significativas para endereçá-lo".
Valeisha Butterfield Jones, chefe de diversidade e inclusão do Grammy