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Boldrin conta causos, defende a música brasileira e lembra polêmicas na TV

Rolando Boldrin
Rolando Boldrin
Divulgação/Pirre Yves Refalo

Felipe Pinheiro

De Splash, em São Paulo

08/10/2020 14h08

Rolando Boldrin tem história —e muitos causos— para contar sobre a televisão. Sempre irreverente e bem-humorado, o apresentador do "Sr. Brasil", da TV Cultura, conversou com Splash sobre música, a origem do "Som Brasil" e os anos complicados na Globo, de onde saiu para nunca mais querer voltar.

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Fui!

Boldrin ficou pouco tempo na Globo porque, segundo ele, de-tes-ta-va trabalhar no canal. Deixou o "Som Brasil", programa que estreou em 1981, após três anos. Tempo suficiente para muita dor de cabeça.

Padrão Boldrin de qualidade

Pelo menos três razões explicam as desavenças de Boldrin com a Globo, uma relação que já nasceu conturbada. Acompanhe:

  • Ele queria total controle sobre o programa e não aceitava as imposições da emissora
  • Desejo que a atração fosse exibida à noite, e não aos domingos de manhã, após o "Globo Rural"
  • A participação em uma novela que acabou em briga
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Nunca gostei de trabalhar na Globo. Eu era um incômodo. Pedi as contas depois de um ano. Quero ir embora! Me perguntaram por quê. Respondi: 'Porque vocês me dão úlcera'. Eu era fora do padrão deles e não deixava colocarem a mão no meu programa.

A Globo até que tentou, mas...

A emissora aumentou o salário de Boldrin, pagou a ele uma viagem internacional e conseguiu segurá-lo por mais tempo. Ele acabou pedindo demissão, mas não sem deixar uma última contribuição: a sugestão de Lima Duarte para ocupar seu lugar. E assim aconteceu.

Uma vez para nunca mais

O desgosto com a Globo é tanto que Boldrin até se recusou a fazer novelas na emissora. Ele teve apenas uma experiência, da qual nem gosta de se lembrar.

Nunca tive vontade de trabalhar lá nem como ator. Fiz uma participaçãozinha em uma novela e já saí brigado por causa de salário. Foi uma loucura.

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Talvez você não se lembre, mas Boldrin é um veterano ator de novelas

São mais de 30 no currículo! Contracenou com Laura Cardoso, Tarcisio Meira e Lílian Lemmertz. Mesmo com tantas lembranças felizes, ele diz que não sente saudade dessa época. Até o convite de um famoso autor da Globo ele recusou.

"Enjoei a tal ponto que a Globo me chamou feito louca para eu voltar, mas nunca quis. Benedito Ruy Barbosa confessou em entrevistas que fui o único que não quis fazer novela com ele na Globo. 'Rei do Gado' era para eu estrelar. Ele me ligava, e eu falava que não queria nem participação especial."

Será que Boldrin seria da família Mezenga ou Berdinazi?

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Que tal relembrar uma novela com Rolando Boldrin? Olha só ele com Irene Ravache em "A Viagem", da TV Tupi:

Irene Ravache e Rolando - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

Fiz par romântico com a Irene Ravache em umas três novelas, no teatro e no cinema. Certa vez, a Hebe Camargo perguntou: 'Com quem você mais trabalhou fazendo par amoroso?'. Irene respondeu: 'Já fiz tantas vezes a mulher do Rolando Boldrin que quero pedir pensão'.

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Revelando grandes talentos

Apesar de se realizar como ator, Boldrin acabou abraçando a missão de contribuir com os artistas da música brasileira. Como ele faz isso? Abrindo as portas de seu programa. Foi ele quem descobriu, por exemplo, Almir Sater!

Tocando em Frente, por Almir Sater

Brinco que sou o encarregado de encantar o Brasil. O projeto é tão importante para mim que ele se sobrepõe à minha imagem.

Caipira. Regional. Sertaneja. Não importa muito como você chame. Rolando Boldrin é um defensor da música brasileira —e de todos os ritmos que estão debaixo desse mesmo guarda-chuva. Mas, para ele, há uma condição para entrar no "Sr. Brasil", da TV Cultura: ser brasileiro de verdade.

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E não custa nada deixar isso em pratos limpos, né?

Ele conta que por isso Sérgio Reis nunca participou do programa, que comemora 15 anos de TV Cultura em 2020. E pelo visto nunca participará.

Ele queria fazer o programa, e eu falei: 'Você vai normal, com camisa esporte. Nada de xadrez, calça jeans e sapato. Ele disse: 'Não tiro o meu chapéu nem para o Fantástico'. Falei: 'Então você não vai cantar nunca no meu programa'.

Combinado não sai caro

O caso de Sérgio Reis exemplifica algo inegociável para Boldrin e que remete à criação do "Som Brasil" — idealizado e comandado pelo apresentador na década de 1980 na Globo.

Rolando Boldrin no "Som Brasil" em 1981

Rolando no Som Brasil - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal
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O objetivo sempre foi a valorização da música nacional, sem modismos e livre de influências do exterior, como o country americano. Sabia que a Globo queria dar o nome de "Som Rural" para o programa? É claro que ele rejeitou essa ideia.

"Briguei e ficou 'Som Brasil'. Queriam que eu fizesse o programa sertanejo deles. Falei: 'O de vocês não quero fazer'. Daí o Boni topou. Fiz um programa brasileiro. Eu enganei eles, que compraram lebre por gato."

Feminejo

Será que Rolando Boldrin acompanha a nova onda de mulheres na música sertaneja? Veja só o que ele diz:

De jeito nenhum. Só sei de ouvir falar. Todas elas estão vestidas de faroeste.

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Te conheço?

Ele, que é famoso pelos seus causos, tem uma história engraçada com Simone e Simaria. Certa vez, o apresentador encontrou a dupla por acaso em um posto de gasolina, mas nenhum deles se reconheceu.

Perguntei quem eram e me falaram esse nome [Simone e Simaria]. Que eram duas cantoras que faziam um puta sucesso. Os músicos delas me cumprimentaram, mas elas não estavam nem aí, e eu também não as conhecia.

Rolando Boldrin e Inezita Barroso não se conheciam pessoalmente, acredita?

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Rolando indicou Inezita para a TV Cultura, que procurava alguém para o comando do "Viola, Minha Viola". Eles até chegaram a apresentar um programa juntos na Tupi, mas depois disso nunca mais se falaram. O motivo? Nenhum. Só não se tornaram amigos mesmo, apesar da admiração.

"Nunca trocamos papo. Uma vez, um cara de uma revista quis fazer uma capa comigo e com ela. Eu falei: 'Rapaz, eu não tenho nem amizade com ela'. Ele perguntou se não éramos marido e mulher. Que marido e mulher! [risos]."

E não poderíamos terminar o papo sem ouvir um causo

A seguir, o causo do burro:

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