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Em artigo, Rolando Boldrin fala sobre sua relação com a Globo

Rolando Boldrin estreou na Globo em 1981 - Divulgação/Pirre Yves Refalo
Rolando Boldrin estreou na Globo em 1981 Imagem: Divulgação/Pirre Yves Refalo

Do UOL, em São Paulo

15/10/2020 17h14

Após publicação da reportagem "Boldrin conta causos, defende a música brasileira e lembra polêmicas na TV", em 8 de outubro, o apresentador da TV Cultura solicitou ao UOL a veiculação do que chamou de "adendo", a fim de esclarecer seus pontos de vista.

Segue, abaixo, o texto assinado por Boldrin.

"Há algum tempo, fui procurado por um repórter em nome do UOL, especificamente da sessão chamada Splash, para uma entrevista sobre a minha carreira artística.

Atendi-o por celular (quarentena) e conversamos 'gostosamente' durante horas.

Contei a ele várias passagens sobre fatos ocorridos durante a minha carreira de 62 anos como ator/cantador de TV, teatro, cinema, músicas e novelas. E principalmente sobre a minha mais importante 'proposta' cultural: a criação, direção e apresentação dos meus programas musicais, iniciados na Globo com muito sucesso, em 1981, com o nome de 'Som Brasil'.

Terminamos a entrevista focando o nosso papo no atual programa que produzo, dirijo e apresento na nossa TV Cultura, já há 15 anos, hoje com o título bem sugestivo de 'Sr. Brasil'.

Pois bem. Sempre que o assunto gira em torno desse meu projeto específico, dos programas de música brasileira (não sertaneja), normalmente preciso esclarecer alguns pontos e detalhes bem peculiares sobre a filosofia utilizada por mim na produção e direção do mesmo, e até um confesso 'devotamento' radical de minha parte em relação à proposta original do meu projeto.

Por isso, nas negociações contratuais com a Globo para produzir e apresentar o 'Som Brasil', solicitei e obtive (via Boni) a autonomia total como diretor musical e diretor artístico do referido projeto. Não sendo solicitado pela Globo nem piloto nem boneco do mesmo.

A Globo, na época (1981), tinha a intenção de um musical como seguimento do jornalístico 'Globo Rural', aos domingos de manhã. Veio daí o convite para o desafio inédito na minha carreira: botar no ar o meu sonhado projeto cultural/musical. Projeto esse que havia sido descartado por outras emissoras por onde eu transitava como ator de novelas.

Então, neste ADENDO, citando o enfoque dado pela matéria do UOL, quero afirmar que: longe de desqualificar, de-tes-tar etc, a Globo, como veículo para expor as minhas ideias brasileiras, naquela época, o que tive foi muito orgulho por receber aquele convite oportuno, vindo através do grande diretor e amigo Nilton Travesso, assinado em baixo (e em cima) pelo lendário Boni (José Bonifácio de Oliveira Sobrinho).

Os aborrecimentos ou desconfortos valorizados pela reportagem do UOL, principalmente nas chamadas de alguns tópicos da entrevista, são em parte verdadeiros, mas são assuntos 'caducados' e não faz nenhum sentido tirá-los do baú nos dias de hoje como destaque.

As reações contrárias às posturas de alguns profissionais da Globo, citadas por mim na entrevista, foram apenas um contraponto à minha postura personalística, típica do homem do interior (caipira). Característica matreira do caboclo precavido, que só quer realizar na vida aquilo de que gosta e em que acredita.

Impor, como artista, uma fórmula simples, nova e pessoal de um programa sobre cultura, fora dos padrões da Globo, com o título 'Som Brasil', proposto por mim naquela época, não era tarefa fácil.

Para terminar este ADENDO à matéria do UOL, também acho bom salientar aqui que: havendo nestes tempos atuais uma declarada resistência às qualidades jornalísticas da Rede Globo, capitaneada pelo presidente da República, prefiro ficar à margem desta campanha e continuar na TV Cultura, cantando e contando os 'causos' de um outro Brasil."