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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

9 pontos sobre a esperada volta a um evento literário

Flipelô de 2021 - Rodrigo Casarin
Flipelô de 2021 Imagem: Rodrigo Casarin
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Rodrigo Casarin é jornalista e especialista em Jornalismo Literário. Escrevendo sobre livros, já colaborou com veículos como Valor Econômico, Aventuras na História, Carta Capital, Revista Continente, Suplemento Literário Pernambuco, Jornal Rascunho e Cândido. Integrou o júri do Oceanos ? Prêmio de Literatura em Língua Portuguesa em 2018, 2019 e 2020 e o júri do Prêmio Jabuti em 2019, na categoria Biografia, Documentário e Reportagem. Vive em São Paulo, em meio às estantes com as obras que já leu e às pilhas com os livros dos quais ainda não passou da página 5.

Colunista do UOL

22/11/2021 04h00

É muito bom estar de volta fisicamente, não apenas com a cabeça flutuando numa tela de computador, a eventos literários. Estive durante alguns dias por Salvador para mediar duas mesas na 5ª edição da Flipelô, a Festa Literária Internacional do Pelourinho. Retorno com algumas impressões sobre a retomada de encontros presenciais.

- Dá uma animada ter uma amostra da volta ao mundo dos encontros como conhecíamos. Se por um lado o público ainda não é o mesmo do passado, me parece, por outro é possível fazer tudo com mais calma, garantindo algum distanciamento.

- Na peça "Graciliano, Um Brasileiro Alagoano: Memórias de Heloisa", sobre Graciliano Ramos, o autor homenageado da vez, foi bonito acompanhar o pessoal entrando no teatro. Primeira vez que estive num lugar desses desde o início da pandemia, daí valorizar algo tão banal. No dia seguinte foi a hora de reencontrar o espaço cheio para a conversa de José Inácio Vieira de Melo com Itamar Vieira Junior. Nome que ganhou dimensões gigantescas durante a pandemia, há muitos leitores aguardando uma oportunidade para ver, ouvir e se aproximar de Itamar. Depois da mesa, o autor de "Torto Arado" autografou livros para centenas de pessoas, que formaram uma fila que durou cerca de duas horas.

- Extrapolando o que vi pela Festa e pensando no comportamento geral: é incrível como tem gente com dificuldade de entender ou respeitar uma orientação tão simples quanto "use máscara". Se o povo não respeitar os protocolos estabelecidos, talvez num futuro próximo estejamos todos confinados novamente. É inegociável acompanharmos orientações de cientistas sérios, e as máscaras seguem fundamentais.

- Voltando ao que vi na Festa. Nos lugares fechados eram poucos os que tentavam ficar com nariz ou boca pra fora - e logo tinham a atenção chamada.

- Principalmente pelas eventuais punições do governo federal, sempre pronto para ser cúmplice e coautor de toda a tragédia provocada pela pandemia no Brasil, nenhum lugar tem exigido comprovante de vacinação. Nesta altura do horror, deveria ser o básico desde a entrada no aeroporto.

- As mesas da festa tiveram diferentes formatos: presencial, híbrido e totalmente virtual. As duas mesas que mediei, uma com Kléber Mendonça Filho e outra com Amara Moira e Ryane Leão, foram pensadas para a transmissão online. Subi ao palco e falei para uma câmera, com o teatro vazio. É estranho. Espero que não demore para que todos os papos de todos os eventos possam ter uma plateia como a que Itamar levou para a sua conversa.

- Mesmo que distante de quem nos acompanhou, me parece que o mediador estar no palco oficial, não em sua casa, dá alguma sensação de proximidade e dinamiza o já tão desgastado formato online. Se a mistura de presencial e virtual tende a ser o futuro, que seja principalmente com a transmissão ao vivo de mesas feitas por pessoas acomodadas num mesmo espaço - e num espaço com o público presente, se possível.

- Claro: a eventual participação virtual de quem não pode estar presente fisicamente na festa por algum motivo (distância, dificuldade de locomoção...) não deve ser descartada, apenas vista como alternativa para se usar com muita moderação.

- Entender o momento da pandemia e respeitar as orientações que ajudam a salvar vidas: isso é o básico. Usar o virtual para continuar existindo: essa foi a saída durante o último ano e tanto e poderá voltar a ser em algum momento. Fazer bom uso da tecnologia, incorporar ferramentas e alternativas até então pouco usadas nesses encontros: essa é a tendência mais esperta. Sempre lembrar que eventos literários que se autodenominam como "Festa" precisam, claro, da festa; e festa se faz com gente próxima uma da outra, presencialmente: isso nunca pode ser esquecido.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL