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Mauricio Stycer

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Reclamem com a Globo, não com o fã-clube da Juliette, a eliminação de Gil

Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

03/05/2021 00h13Atualizada em 03/05/2021 13h02

O anúncio da eliminação de Gil, no último paredão do "BBB 21", foi precedido por uma longa explicação de Tiago Leifert. Cuidadoso, o apresentador quis deixar claro que a decisão não levou em conta a trajetória do participante, mas sim o entusiasmo de quem votou contra ele. "Uma turma mais pragmática, que vota", explicou.

Por que Gil, uma figura que "entrou para a história" do programa, como disse Leifert, perdeu para Camilla, uma participante que não vai deixar maiores lembranças? A resposta é, aparentemente, simples: porque recebeu mais votos - 50,87% do total, contra 47,65% da rival e 1,48% de Juliette.

O fã-clube de Juliette, a participante mais popular, fez mutirão para eliminar Gil, e isso parece ter sido decisivo para o resultado. Mas a culpa não é dos apaixonados "cactos", como se intitulam os fãs da maquiadora. Os fãs de Gilberto devem reclamar é com a Globo.

A emissora incentiva os mutirões de votação. Gosta destes números estratosféricos de votos porque eles são um sinal de engajamento - e isso se tornou um troféu na negociação de pacotes de patrocínio com as marcas.

O "BBB" não está preocupado com justiça. Quer engajamento. E conseguiu, mais uma vez, ainda que em níveis um pouco inferiores aos registrados na edição passada.

A solução para evitar distorções como a que ocorreu esta noite é simples e sabida por todos - um limite de votos por pessoa. Ou um voto por CPF, como prega há anos meu colega Chico Barney. Ou, ainda, como sugerem muitos leitores, estabelecer o voto em quem deve ficar, como é na "Fazenda", e não em quem deve sair. Mas a Globo não quer nada disso.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL