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Por que a Globo escolheu A Força do Querer para substituir Fina Estampa

Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

21/09/2020 12h51

Nesta segunda-feira (21) estreia no horário mais nobre da Globo a reprise de "A Força do Querer". A novela de Gloria Perez foi exibida originalmente entre abril e outubro de 2017. Muita gente deve estar se perguntando o porquê desta escolha. Vou tentar explicar.

A primeira razão é a audiência. Vamos pensar apenas nas novelas exibidas pela Globo nesta década, desde 2011. A Globo, parece, não quer colocar novelas muito mais antigas no horário nobre.

"Fina Estampa", como se sabe, foi a maior audiência de todas nesta década. E não por acaso foi a escolhida para a primeira reprise, assim que as gravações de "Amor de Mãe" foram suspensas por causa da pandemia de coronavírus. Foi uma escolha certeira. A reprise bombou.

Quem poderia substituir "Fina Estampa"? Em termos de Ibope, a segunda melhor novela das 21h nesta década foi "Avenida Brasil". Seria a escolha ideal, mas a novela do João Emanuel Carneiro foi exibida no Vale a Pena Ver de Novo há pouco tempo, entre novembro de 2019 e maio de 2020. Não dava para ir ao ar de novo.

Depois de "Avenida Brasil", os maiores sucessos na década foram duas novelas do Walcyr Carrasco, "O Outro Lado do Paraíso" e "A Dona do Pedaço", e "A Força do Querer", que levantou o Ibope do horário.

Das três, a mais antiga, exibida entre abril e outubro de 2017, é a novela da Gloria Perez. "O Outro Lado do Paraíso" terminou em maio de 2018, há pouco mais de dois anos. E "A Dona do Pedaço" terminou em novembro de 2019.

Outra opção, pensando em matéria de audiência, seria "Amor à Vida", também de Carrasco, exibida entre maio de 2013 e janeiro de 2014. A novela teve audiência média praticamente igual à de "A Força do Querer".

É mais antiga que a da Gloria Perez, o que seria uma vantagem. Mas é uma novela pesada, passada dentro de um hospital, com dramas muito carregados. Não seria uma boa opção, eu acho, nestes tempos em que estamos vivendo em 2020.

A segunda razão da escolha de "A Força do Querer" é o fato de ser uma novela muito boa, com ótimas histórias, uma trama envolvente, além de várias personagens femininas poderosas.

A maior de todas, Jeiza (Paolla Oliveira), a Super Jeiza, policial corajosa, lutadora de MMA, dona do próprio destino

Tem a história de Bibi (Juliana Paes), inspirada num relato real: a mulher do bandido, apaixonada e cega, fazendo uma burrada atrás da outra, colocou fogo na novela.

A história de Ivana e Ivan (Carol Duarte): uma ação de merchandising social, mas uma história interessante, delicada, que mobilizou os espectadores.

Tem a sereia Ritinha (Isis Valverde), que envolve dois homens e dá nó em pingo d´água.

Tem a vilã Irene (Debora Falabella) e a perua Joyce (Maria Fernanda Cândido). Tem Silvana (Lilia Cabral), viciada em jogo.

Enfim, acho que foi outra escolha certeira. E acredito que vai repetir o sucesso da reprise de "Fina Estampa".

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL