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Mauricio Stycer

Globo rejeita pedido e exibe entrevista que advogado quis cancelar

O repórter Marcos Uchôa apresentou no "Fantástico" uma reportagem sobre a resistência ao uso de máscaras na pandemia - Reprodução
O repórter Marcos Uchôa apresentou no "Fantástico" uma reportagem sobre a resistência ao uso de máscaras na pandemia Imagem: Reprodução
Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

12/07/2020 21h59

Fato muito raro, o "Fantástico" exibiu neste domingo (12) uma entrevista com uma pessoa que se arrependeu de ter falado ao programa e pediu para a gravação não ir ao ar.

A situação ocorreu durante uma reportagem sobre a resistência ao uso de máscaras durante a pandemia de coronavírus. O repórter Marcos Uchôa contou que um de seus entrevistados, o advogado Carlos de Paula Júnior, conseguiu na Justiça o direito de não usar máscaras em Santos (SP).

Um decreto, válido desde o início de maio, tornou obrigatório o uso de máscaras na cidade litorânea. A multa por descumprimento da medida é de R$ 100.

Horas depois de falar sobre o assunto com Uchôa, o advogado procurou a Globo e pediu que a entrevista não fosse exibida. O repórter, então, explicou que o "Fantástico" decidiu exibir a conversa com base no que preconiza um dos princípios editoriais do Grupo Globo.

Segundo este documento, disse Uchôa, "concedida uma entrevista exclusiva, uma fonte pode pedir alterações, acréscimos, supressões, mas o jornalista julgará se este pedido se justifica. Haverá vezes em que o jornalista não concordará com a mudança, como ocorre neste caso, sendo necessário registrar que a mudança foi solicitada, mas não foi aceita".

Uchôa só não explicou por que não concordou com o pedido do entrevistado.

No trecho da conversa exibida, o entrevistado disse: "Nós temos garantias legais, nós temos liberdades individuais. Não há lógica de você suprimir direitos, impedir o trabalho, fazer as pessoas andarem sem a sua identidade à mostra. Não é razoável punir uma pessoa, obrigar a pessoa, tirar direitos da pessoa sobre uma coisa que é placebo".

Uchôa replicou dizendo: "Já se sabe, não é opinião, que você pode estar passando a doença sem estar com sintomas". E o advogado respondeu: "Nem a OMS sabe. Uma cientista da OMS disse que quem não tem sintoma não transmite e depois ela mudou o discurso".

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL