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Guilherme Ravache

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Dono do Spotify tem oferta bilionária recusada e frustra torcida do Arsenal

Jogadores do Arsenal comemoram o gol contra o Chelsea - SHAUN BOTTERILL/Pool via REUTERS
Jogadores do Arsenal comemoram o gol contra o Chelsea Imagem: SHAUN BOTTERILL/Pool via REUTERS
Guilherme Ravache

Guilherme Ravache é consultor digital. Jornalista com passagens pelas redações da Folha de S. Paulo, Revista Época e Editora Caras. Foi diretor de atendimento da Ideal H+K Strategies e gerente sênior de comunicação e marketing de relacionamento da Diageo.

Colunista do UOL

15/05/2021 21h49

Resumo da notícia

  • Fundador do Spotify quer comprar o Arsenal e dar maior controle do clube para os torcedores; donos dizem que o clube não está à venda
  • Bilionários não são novidade no futebol, mas empreendedores como Daniel Ek, acostumados a pensar nos usuários e na experiência, podem fazer diferença
  • Ek disse em seu Twitter que estava se manifestando publicamente para corrigir reportagens incorretas sobre a negociação
  • O bilionário, torcedor do Arsenal desde criança, afirma que seu plano é trazer o clube de volta aos tempos de glórias

Daniel Ek, CEO e co-fundador do Spotify, afirma ter feito uma oferta de cerca de R$ 11,5 bilhões para comprar o clube inglês Arsenal. O executivo afirmou em sua conta no Twitter que estava se manifestando após relatos "imprecisos" circularem na imprensa.

"Reportagens imprecisas surgiram hoje dizendo que eu não fiz uma oferta pelo clube de futebol do Arsenal", disse Ek. "Acho que é importante corrigir o registro.

"Esta semana, foi feita uma oferta para o (diretor) Josh Kroenke e seus banqueiros que incluía propriedade de fãs, representação no conselho e uma golden share para os torcedores", disse Ek. Uma golden share é um tipo de ação que dá ao seu acionista poder de veto sobre alterações no estatuto da empresa. Ele detém direitos de voto especiais, dando ao seu detentor a capacidade de impedir que outro acionista adote mais do que uma proporção de ações ordinárias. A mudança daria maior controle do clube aos torcedores.

Ek explicou à CNBC dias atrás o motivo de seu interesse. "Sou torcedor do Arsenal desde os oito anos. O Arsenal é o meu time, adoro a história, os jogadores e os torcedores. Vejo uma oportunidade tremenda de definir uma visão real para o clube e trazê-lo de volta à sua glória. Estou falando sério. Garanti os fundos para isso. Estou preparado para que esta seja uma longa jornada. Tudo o que posso fazer é preparar uma oferta muito atenciosa e esperar que me ouçam".

Os proprietários do clube, Stan e Josh Kroenke, por meio de sua empresa Kroenke Sports Enterprises (KSE), afirmaram que o clube não está à venda mas no mercado a expectativa é que os donos estejam tentando elevar a oferta para mais de R$ 12,5 bilhões. "Eles responderam que não precisam do dinheiro. Respeito a decisão deles, mas continuo interessado e disponível caso essa situação mude", disse Ek.

Bilionários e seus clubes

Bilionários comprando times de futebol não são uma novidade. Oligarcas russos, xeiques do Oriente Médio e magnatas americanos há tempos têm aumentado sua presença no esporte. A fortuna de Ek é estimada em cerca de US$ 6 bilhões, segundo a revista Forbes.

O Arsenal, por exemplo, vem sofrendo com seus proprietários, os bilionários oKroenke, há mais de uma década. Coincidentemente, um dos piores períodos dos 134 anos de história do clube. Os torcedores do time há tempos reclamam dos donos, que usam o time como fonte de renda ao invés de investir recursos para garantir o sucesso da equipe.

O atacante francês Henry, vencedor da Copa do Mundo, disse que ele e os ex-companheiros de Arsenal, Dennis Bergkamp e Patrick Vieira, foram procurados pelo bilionário sueco para participar da negociação. "Nós o ouvimos", disse Henry à Sky Sports. "Quando soubemos antes de mais nada que ele queria envolver os torcedores, encontramos os torcedores do Arsenal e dissemos a eles o que queríamos fazer; trazê-los de volta a bordo. Algo muito importante sobre isso é dizer que querem o dono fora, estamos tentando oferecer uma solução de ter os torcedores como o DNA por trás do clube."

Diferentemente dos oligarcas, os bilionários de tecnologia como Ek construíram suas fortunas criando produtos usados por milhares de pessoas, como no caso do Spotify. Boa parte desses produtos tem o consumidor como prioridade e focam na experiência de consumo. Não seria ruim para o futebol a entrada de uma liderança com a experiência do fundador do Spotify e ainda disposto a aumentar a influência dos torcedores nas decisões da equipe. Enquanto isso, os fãs do Arsenal seguem torcendo por Daniel Ek e um retorno aos dias de glória.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL