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"Em Xerém posso ficar de chinelo furado e bermuda rasgada", diz Zeca

Bruno Calixto

Colaboração para Nossa

20/11/2021 04h00

Patrimônio cultural carioca, aos 62 anos, Zeca Pagodinho é daqueles capazes de falar com desenvoltura sobre Portela, quarentena em família e até a esperança pelo carnaval.

Provocado por Teresa Cristina durante sua participação no programa "Botequim da Teresa", Zeca Pagodinho entrega: já tem 25 caixas de cerveja gelando em sua casa em Xerém, à espera da tão sonhada volta da festa popular.

Em São Paulo, ele faz parte da folia com shows num camarote, e quando consegue vai para a avenida no domingo. Depois, é direto para Xerém, mas costuma voltar para o desfile das campeãs.

Zeca Pagodinho em comercial do Zé Delivery - Divulgação/Guto Costa - Divulgação/Guto Costa
Imagem: Divulgação/Guto Costa

Quando Zeca Pagodinho tomou a segunda dose da vacina, foi uma catarse coletiva nas redes sociais. Desde hashtags como #VivaoSUS até posts mais eloquentes à la "Podemos dormir em paz, Zeca tomou a segunda dose".

Quando o cantor pegou covid-19, também gerou comentários. "Teve gente falando: 'pô, só isso para ele?'", conta Zeca sobre os cinco dias que ficou internado.

Todo mundo falando alto, e o pagode é de primeira

O primeiro contato de Zeca Pagodinho com a Portela é quase que de berço. Nascido em Irajá, Zeca sempre foi portelense. Do lado do pai, Império, da mãe, Império. Prevaleceu a águia.

"Algumas famílias eram boêmias, outras nem tanto. Na minha família havia um tio e uns primos que eram muito apaixonados pela Portela", conta Zeca, que não era famoso quando se apresentou à Azul e Branca. "Eu fui lá num ensaio, passei a ir com Arlindo direto, mas não conseguia entrar. Ficava lá fora ouvindo."

Zeca Pagodinho em foto no seu bar, no Rio de Janeiro, em 2019 - Zô Guimarães/Folhapress - Zô Guimarães/Folhapress
Zeca Pagodinho em foto no seu bar, no Rio de Janeiro
Imagem: Zô Guimarães/Folhapress

Na entrevista com Teresa Cristina, fica claro que a Velha Guarda, de um modo geral, tem muito respeito por Zeca, de Monarco a Argemiro (1923-2003) todos os baluartes pedem benção.

Antes de entrar neste universo do samba, meu irmão me levou à casa da Tia Doca, ele andava muito com aquela turma de Oswaldo Cruz. Todo mundo falando alto, mas com um pagode redondinho, cadência bonita, ninguém tinha pressa em mostrar o samba, tudo na harmonia"

"Esse garoto vai longe", ouviu o menino Zeca, que não demorou muito para pegar intimidade, perder a timidez e ficar amigo dos maiores bambas locais, entre eles Mauro Diniz, Monarco, Alberto Nonato, Chico Santana, Manacéia...

Todo domingo, lá estava Zeca e toda aquela turma de terno branco e chapéu de palha na casa da Dona Neném para comer feijoada ("Esse feijão tá cheiroso Foi Dona Neném que mandou preparar"). "Nos dias da Velha Guarda, até hoje, tem uma feijoada", conta o sambista, para quem não tem Velha Guarda igual a da Portela. "Todas são lindas, mas?"

A origem do espírito boa-praça

Zeca Pagodinho atribui o seu carisma e o espírito boa-praça com o qual todos se identificam à vida em Xerém, distrito de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro.

Isto vem de Xerém, onde você dá um abraço aqui e no outro, fala com um e o outro, toma cerveja com um e com outro"

Zeca Pagodinho sorri em ensaio fotográfico de 2019 - Zô Guimarães/Folhapress - Zô Guimarães/Folhapress
Imagem: Zô Guimarães/Folhapress

É ali também onde Zeca se sente mais à vontade e consegue se divertir, como conta a Teresa:

"Em Xerém ninguém pede foto. Eu posso ficar de chinelo furado, bermuda rasgada, camisa virada do avesso, sentar no meio-fio", avisa Zeca, o mais ilustre dos seus filhos.

Atualmente vivendo no seu apartamento da Barra, ele tranquiliza os fãs mais puristas: não brigou com Xerém.

Fico aqui porque tenho que trabalhar, lá é para se divertir, lá é muito legal. Tem o Bar da Berê, o almoço é R$ 10 e ainda pode repetir. Na Barra, um almoço ficou em R$ 333, dá para almoçar um ano inteiro na Berê"

Samba, série e Teresa

O "Botequim da Teresa" vai ao ar todas as sextas-feiras, às 11 horas, no Canal UOL e no YouTube de Nossa (inscreva-se já para receber os lembretes). Em cada episódio, Teresa Cristina recebe um convidado especial e ensina a fazer os petiscos clássicos de alguns do botequins mais famosos do Rio de Janeiro. O programa é uma coprodução de Nossa e MOV, a plataforma de vídeo do UOL.