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Como Tia Surica, grande dama do Carnaval, trocou o noivado pela Portela

Bruno Calixto

Colaboração para Nossa

20/06/2022 04h00

"Perdeu alguém por causa da Portela? Algum amigo?", indaga Teresa Cristina no último episódio da terceira temporada de "Botequim da Teresa" com a sambista e portelense Tia Surica.

"O casamento", responde de bate-pronto a matriarca da Portela. "Eu era noiva, ele não gostava de samba, e eu estava lá na avenida, né?!".

Ela conta que se esqueceu que naquela época tinha televisão. Mesmo com imagem em preto e branco, o noivo reconheceu a "Surica de dama com dois valetes ao lado", como ela diz.

Botequim da Teresa: Tia Surica + Jiló - Zo Guimaraes/UOL - Zo Guimaraes/UOL
Tia Surica: casada com a Portela
Imagem: Zo Guimaraes/UOL

"Faltavam algumas semanas para a gente casar, mas acabou. Para ele, o Carnaval não representava nada". Se ela lamenta? Jamais:

Eu sigo casada até hoje com a Portela".

Presidente de honra da Portela e integrante da velha-guarda, Iranette Ferreira Barcellos é uma eterna apaixonada. Comemora 77 anos, dos seus 81, na escola que conheceu graças aos pais.

Espécie de entidade, ela não cede às novas regras do Carnaval. Certa vez, pediram que ela colocasse uma pulseira para ter acesso à Portela. "Ah é? Tá! Agora, tira essa p...", respondeu.

Botequim da Teresa: Tia Surica + Jiló - Zo Guimaraes/UOL - Zo Guimaraes/UOL
Teresa e Tia Surica: encerramento da 3ª temporada
Imagem: Zo Guimaraes/UOL

Para a matriarca, o melhor presidente da escola foi Natal (1905-1975). "Numa entrevista, ele assumiu que a Portela vinha antes da família no seu coração".

Assim como ele, Tia Surica não tem olhos para outra escola:

Eu sou Portela e não gosto de mais nenhuma".

Feijoada reconhecida

Tia Surica - Divulgação - Divulgação
Feijoada da Portela por Tia Surica
Imagem: Divulgação

A feijoada da Tia Surica é considerada Patrimônio Histórico e Cultural do Estado do Rio de Janeiro — foi servida a mais de dois milhões de pessoas em 18 anos de tradição.

O prato é um dos carros-chefes servidos no 'Cafofo da Surica', a casa da matriarca do samba onde Teresa Cristina esteve presente em momentos especiais. "Ia aumentando o número de pessoas até lotar. Mas nunca faltou comida, feijoada ou macarrão com galinha, nem cerveja", diz a apresentadora.

"Toda vez que alguém pedia para fazer a galinha com um macarrão, eu fazia. Lá naquele cafofo já foi tudo que é gente", conta Surica.

Mas isso não significa que seu cantinho não tem regras. "Alguns levam quem eu nem conheço, mas boto para fora. Se tiver um casal namorando, eu falo: 'vem cá você veio para se distrair ou ficar de agarramento? Tem um hotel aqui perto'."

Sextas de samba

Botequim da Teresa: Tia Surica + Jiló - Zo Guimaraes/UOL - Zo Guimaraes/UOL
Imagem: Zo Guimaraes/UOL

O "Botequim da Teresa", que vai ao ar todas as sextas, é o programa perfeito para quem ama boa música e papos interessantes. Teresa Cristina resgata a história de bares tradicionais do Rio de Janeiro, faz receitas clássicas de cada um deles e recebe convidados para conversas descontraídas. Assista à nova temporada no site de Nossa, no UOL Play ou no YouTube de Nossa (inscreva-se e receba atualizações fresquinhas).