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Formas inusitadas compõem coleção "para não cair na mesmice" nas cerâmicas

Vasos disformes, por Claudia: artista trabalhava como designer gráfica - Divulgação
Vasos disformes, por Claudia: artista trabalhava como designer gráfica Imagem: Divulgação

Carol Scolforo

Colaboração para Nossa

29/12/2020 04h00

Claudia Issa

Claudia Issa

QUEM É

Artista plástica formada pela Faap e ceramista da marca que leva seu nome.

A peça mais desafiadora da ceramista Claudia Issa levou 50 dias para ficar pronta. Entre a ideia, as moldagens, secagens e a entrega pessoal, havia uma expectativa gigante com o trabalho inédito. No dia de fotografá-la, em menos de um segundo, foi ao chão e espatifou-se inteira. É preciso respirar fundo, na arte e na vida. E fazer de novo.

Assim como há quatro anos, quando começou a esculpir os primeiros vasos de cerâmica e deixou de lado a carreira de designer gráfica, ela quis desconstruir e zerar. "Eu vinha de uma área que dominava muito e buscava algo novo. Queria desaprender a maneira que aprendi a criar durante anos nessa área. Entrei em contato com a cerâmica e encontrei um novo caminho criativo para minha mente. Me apaixonei na hora, pois descobri uma habilidade que não sabia que tinha."

O lado criativo

Com a prática, o interesse por inovar veio à cabeça. "Busco que o meio não determine a forma, para não cair na mesmice do universo da cerâmica. Gosto do desconhecido, do inusitado, do não visto. É o meu lado criativo que fala mais alto que o meio em si. A cerâmica para mim é ponto de partida e não de chegada da expressão artística", conta.

Experimentações

Nada de passar horas em mídias sociais buscando inspirações. Claudia foi buscar suas próprias referências para experimentar com a argila e desenvolver técnicas próprias. Os vasos Disforma são resultado desse encontro. "Eu acho que um trabalho criativo só tem valor se é original e realmente novo, produto de uma busca, uma descoberta", explica.

Pensamento artístico: cerâmica é ponto de partida e não de chegada - Divulgação - Divulgação
Pensamento artístico: cerâmica é ponto de partida e não de chegada
Imagem: Divulgação

Quando as cópias de seu trabalho surgem, ela dá ombros. "Não me sinto lisonjeada nem um pouco. Acho que copiar é uma perda da oportunidade de inventar. E de certa forma uma ausência de talento."

Quem copia quer sucesso, mas esquece do trabalho nos bastidores.

"Uma peça como os Umbilicais leva 20 dias para fazer, mais 20 para secar e mais uma semana de queima. O mais importante é a secagem. Você precisar ficar de olho em todo o processo para corrigir a tempo algum defeito que possa surgir", conta.

A argila é teimosa e tem memória, se você errar em algum momento, o erro vai aparecer no final. De certa maneira me identifico com esse 'jeito' do material e acho que é por isso que tudo flui entre nós."

Desse trabalho afinado surgem seus vasos expressivos, de formas robustas, que quase falam por si. Criações às quais ela pretende dar formas "até que as mãos aguentem". Vida longa!

@s que me inspiram

@NoguchiMuseum

O perfil traz a arte e legado de Isamu Noguchi. Ele, Jun Kaneko, Barbara Hepworth, Jean Arp, Louise de Borgeois, Brancusi e Richard Serra desenvolveram uma linguagem própria em épocas com poucos recursos.

O mundo real

"Não sigo ninguém da minha área no instagram porque acredito que devo buscar inspiração para o meu trabalho em outras artes".