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Sindicato dos médicos do Japão pede que governo cancele os Jogos Olímpicos

13/05/2021 14h37

Tóquio, 13 mai (EFE).- A União Nacional dos Médicos Japoneses apresentou nesta quinta-feira uma petição ao governo do país para que cancele os Jogos Olímpicos previstos para este ano, alegando que representam um risco pela possível chegada e propagação de novas variantes da Covid-19.

No documento apresentado ao Ministério da Saúde, o sindicato argumenta que "o maior problema atual é a ameaça de novas variantes" e que, mesmo que os Jogos sejam realizados sem público, com a chegada de atletas e outros participantes, "não se pode descartar a possibilidade da entrada de variantes de qualquer lugar".

Essa situação, segundo o sindicato, representaria um aumento do risco do surgimento de outras mutações, razão pela qual "não é possível que os Jogos sejam seguros" e pedem seu cancelamento.

"Para os atletas vai ser difícil, mas alguém tem de pedir o cancelamento dos Jogos. É por isso que estamos fazendo isto, porque nós, trabalhadores da saúde, nos vimos forçados a sermos nós a fazê-lo", disse o representante do sindicato, Naoto Ueyama, em uma coletiva de imprensa.

Ueyama acredita que "o governo tem a importante missão de proteger a vida dos cidadãos" e que nesta situação o Executivo "deve mostrar uma posição clara".

O sindicato começou a expressar publicamente sua oposição à realização dos Jogos após a divulgação do plano de destacar cerca de 10.000 deles para o evento, em um momento de enorme pressão sobre o sistema de saúde devido à quarta onda de Covid-19 que assola o Japão e provocou a declaração de um novo estado de emergência nas regiões mais populosas, incluindo Tóquio.

"Cerca de 40% dos médicos excederam o limite das horas extras e 10% estão trabalhando o dobro do limite legal estabelecido pelos regulamentos sobre morte por excesso de trabalho. Esta escassez absoluta de médicos é um fator que afeta o sistema de saúde e também a vacinação. E o governo está tomando a posição de reduzir o número de médicos face a esta realidade", denunciou o sindicato.

A escassez de recursos de saúde levou três províncias que irão receber eventos dos Jogos Olímpicos a recusarem-se a reservar leitos hospitalares para os atletas que possam precisar delas no caso de contraírem a Covid-19.

Hoje cedo, o governador da província de Chiba, Toshihito Kumagai, disse que não permitirá que "leitos preciosos para pacientes de Covid-19" sejam ocupados por pessoas ligadas aos Jogos.

As declarações de Kumagai estão em sintonia com as de seu homólogo em Ibaraki, que disse que o Japão deveria considerar adiar novamente os Jogos ou cancelá-los para evitar um colapso sanitário, e com as do governador de Kanagawa, que declarou que não dará tratamento preferencial às Olimpíadas enquanto o sistema de saúde estiver lidando com o aumento das infecções.

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