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Semenya prepara recurso contra "regra da testosterona" da IAAF na CAS

15/02/2019 14h33

Johanesburgo, 15 fev (EFE).- Duas vezes campeã olímpica nos 800 metros rasos, a meio-fundista sul-africana Caster Semenya reafirmou nesta sexta-feira que quer seguir competindo entre as mulheres e revelou que já prepara um recurso contra as novas regras da Federação Internacional de Atletismo (IAAF), que limita o nível de testosterona das atletas que disputam competições femininas.

"Semenya é inquestionavelmente uma mulher. É uma heroína e uma inspiração para muitos em todo o mundo. Ela quer responder a IAAF na iminente audiência da Corte Arbitral do Esporte (CAS)", disse o escritório de advogados que representa a atleta, Norton Rose Fulbright, em comunicado.

O julgamento, que não será público, começará na próxima segunda-feira em Lausanne, na Suíça, com presença da atleta.

"As mulheres com diferença no desenvolvimento sexual têm variações genéticas que não são diferentes de outras variações registradas no esporte. Ela pede para ser respeitada e tratada como qualquer outra atleta", disse o escritório no comunicado.

"Seus dons genéticos devem ser celebrados e não serem alvo de discriminação", completou a nota, divulgado após rumores de que os advogados da IAAF tentariam classificar atletas como Semenya como homens em termos biológicos.

A IAAF desmentiu os rumores, mas eles geraram grande descontentamento na África do Sul, onde Semenya é muito querida.

Os advogados da dupla campeã olímpica ressaltaram que o caso de Semenya é diferente dos atletas transgêneros, já que ela nasceu mulher, viveu como mulher e vive socialmente como mulher. Para eles, impedi-la de disputar competições femininas é discriminação.

O governo da África do Sul anunciou hoje o lançamento de uma grande campanha de apoio à atleta, cujo slogan escolhido é "Naturalmente Superior". Com a iniciativa, o país quer buscar apoio de toda a sociedade sul-africana a Semenya.

A campanha foi anunciada em entrevista coletiva pela ministra de Esporte da África do Sul, Tokozile Xasa. Ela ressaltou que as normas que a IAAF pretende implementar representam uma violação de direitos humanos internacionalmente protegidos.

As regras que a IAAF tenta aprovar desde o ano passado exige que atletas diagnosticadas com hiperandrogenismo mantenham o nível de testosterona abaixo dos 5 nanomols por litro de sangue por pelo menos seis meses antes de competir nas chamadas "provas restritas" em torneios internacionais.

Até o momento, a taxa de tolerância era de 10 nanomols de testosterona por litro de sangue. No entanto, segundo estudos citados pela IAAF, esse nível proporciona aumento na taxa muscular, nas hemoglobinas e na força das atletas.

O caso de Semenya, com níveis de testosterona similares aos de um homem e especialista nas provas restritas, é o caso mais conhecido já documentado pela IAAF. EFE