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Brasileiro explica como falta de desidratação o ajudou a nocautear Sage Northcutt; entenda

Fábio Oberlaender, no Rio de Janeiro (RJ)

Ag. Fight

20/05/2019 14h56

O nome de Cosmo Alexandre rodou o mundo após ele nocautear o ex-lutador do UFC Sage Northcutt em apenas 29 segundos, logo na estreia do americano no ONE Championship (liga asiática de MMA). Com um certeiro cruzado de direita, o brasileiro - que também fazia a sua primeira luta pelo evento - não só levou 'Super' à lona, como também provocou múltiplas fraturas no rosto do rival. E, ao ser questionado sobre a potência do golpe, o especialista em kickboxing explicou que o fato de não desidratar para a pesagem do evento o ajudou a conservar a sua força.

Em entrevista exclusiva à reportagem da Ag. Fight, Cosmo explicou como funcionam as regras durante o processo de pesagem do torneio sediado em Cingapura. Diferentemente do que ocorre em organizações como o UFC, na liga asiática o atleta se pesa mais de uma vez na semana da luta e é proibido de desidratar o corpo para burlar a balança. Deste modo, o meio-médio (84 kg) - as categorias de peso do ONE Championship também são diferentes das do Ultimate -  apontou que isso pode ter contribuído para o seu desempenho no duelo contra Sage.

"No ONE, você não pode desidratar. (...) Você pesa dois dias seguidos e faz teste de hidratação nos dois dias. Se você não passa no teste de hidratação, você não luta. Todo mundo luta com o peso que anda normalmente nos treinos. Então, não perdi a força e a potência dos treinos, e isso deu um 'up'. Infelizmente, tiveram essas fraturas, essa cirurgia de nove horas pela qual ele passou. Ninguém gosta disso, eu odeio ver adversário meu saindo assim, mas, infelizmente, às vezes acontece. Espero que ele se recupere bem e volte a lutar logo", projetou.

Apesar do nome pouco conhecido pelo público brasileiro, Cosmo já teve uma boa passagem pela segunda maior liga de MMA do planeta, o Bellator. Entre os anos de 2011 e 2012, o paulista emendou a sequência de cinco vitórias, o que poderia credenciá-lo a conquistar uma vaga no UFC. No entanto, um desentendimento com Bjorn Rebney, ex-presidente da organização pela qual competia, fez com que a sua carreira nas artes marciais mistas tomasse outro rumo.

"Eu, como muitos outros lutadores, tive problemas com o ex-presidente do Bellator, o Bjorn. Ele não cumpriu com algumas coisas que havia falado para mim e resolvi sair. E essa saída não foi tão tranquila, porque tive que assinar um contrato que falava que eu não poderia lutar no UFC por 14 meses se saísse de lá. Porque eles estavam com medo disso, de eu sair e ir para o UFC, até porque eu estava com um cartel bom. Então, eu tive que assinar esse contrato para sair", revelou à Ag. Fight.

Após rescindir com o Bellator, o brasileiro ficou um tempo afastado do MMA e só competiu outras duas vezes na modalidade - em 2014 e 2016, em ligas menores - antes de enfrentar Northcutt. Deste modo, o tempo passou e ele não repetiu as conquistas de outrora do kickboxing e muay thai nas artes marciais mistas. E hoje, aos 37 anos e próximo ao fim da carreira, o seu foco é fazer um 'pé de meia' antes de se aposentar.

"Não tenho nada de especial na minha cabeça para fazer em relação ao ONE. Tenho mais três lutas no meu contrato, estou com 37 anos... Estou pensando agora em fazer dinheiro. Quero fazer uma grana, e já, já eu me aposento. Vamos ver como vai ser o final dessas três lutas aí, e, de repente, se renovar por um valor legal, que valha a pena para mim, beleza. Se não, não renovo mais. Porque tem que botar tudo no papel. São quase 30 horas de viagem para a Ásia, fuso horário... É uma bagunça. Então tem que valer a pena", explicou.

Especialista na trocação, Cosmo Alexandre ajudou Anderson Silva durante a preparação do ex-campeão do UFC para sua luta realizada em fevereiro deste ano, na Austrália. Apesar da longa experiência no kickboxing e muay thai, o atleta do ONE possui apenas nove combates em seu cartel profissional no MMA, em que contabiliza oito vitórias e apenas uma derrota.

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