Uso do vídeo na arbitragem causa polêmica no Mundial de Clubes
Yokohama, Japão, 15 dez 2016 (AFP) - Um pênalti duvidoso marcado dois minutos depois do lance, um gol de Cristiano Ronaldo anulado para ser validado novamente: as duas primeiras vezes em que o vídeo foi usado para auxiliar a arbitragem causaram bastante confusão no Mundial de Clubes.
O primeiro problema é o novo recurso está sendo apenas testado em condições reais, com a ideia de ser validado em março de 2018, antes da Copa do Mundo na Rússia, mas já está mexendo com o destino de times em uma competição oficial.
Na quarta-feira, o pênalti marcado a favor do Kashima Antlers acabou sendo decisivo na eliminação do Atlético Nacional, derrotado por 3 a 0 depois de ter dominado amplamente o primeiro tempo, antes de o time japonês abrir o marcador.
"Estes testes de arbitragem com vídeo em condições 'ao vivo' representam um grande passo para frente", havia declarado antes do início da competição o ex-craque Marco van Basten, diretor da divisão de desenvolvimento técnico da Fifa.
Depois das polêmicas que marcaram as duas semifinais, o mínimo que se pode dizer é que a inovação está longe de ser unanimidade.
"Para ser sincero, não gosto muito dessa invenção, só causa confusão. Espero que isso não continue, porque, para mim, isso não é futebol", desabafou nesta quinta-feira o croata Luka Modric, do Real Madrid.
O técnico 'merengue', Zinedine Zidane, foi mais diplomático, mas não deixou de usar um tom crítico.
"Temos que nos adaptar ao que a Fifa quer para melhorar o futebol, mas as coisas precisam ser mais claras para todos. Não foi o caso nesta jogada", criticou.
A jogada em questão envolveu ninguém menos que Cristiano Ronaldo, que acaba de conquistar sua quarta Bola de Ouro na segunda-feira.
Depois de mandar uma bola na trave e perder várias chances claras, o astro português finalmente conseguiu balançar as redes nos acréscimos, mas tudo quase foi por água abaixo.
Na hora que a bola entrou, o juiz Enrique Cáceres apontou para o círculo central, validando o gol, e o adversário do Real, o América, do México, foi para a reposição de bola.
O jogo seguiu normalmente por alguns segundos, até ser interrompido pelo árbitro, que foi avisado pelos dos assistentes de vídeo sobre um possível impedimento do português.
Depois de consultar o replay, foi confirmado que CR7 estava em posição legal e o gol foi validado definitivamente.
- 'Não fomos vencidos pela tecnologia' -Por mais que tenha causado uma grande confusão, o episódio não influiu no resultado da partida.
O mesmo não pode ser dito da grande estreia do uso do vídeo em uma competição da Fifa, na véspera, no duelo entre Atlético Nacional e Kashima.
Aos 29 minutos de jogo, o colombiano Orlando Berrío trombou na área com o japonês Daigo Nishi, que caiu na área.
O árbitro húngaro Viktor Kassai deixou o jogo seguir, mas dois minutos depois foi avisado pelo assistente de vídeo da necessidade de rever a jogada anterior.
O próprio Kassai assistiu ao replay em uma tela na beira do gramado e acabou apontando para a marca do cal. Shoma Doi converteu a penalidade máxima, depois de uma decisão polêmica que deixou os colombianos inconformados.
A falta foi longe de ser clara e, para piorar, o atacante japonês estava impedido na hora do contato com Berrío.
A Fifa explicou em um comunicado que o árbitro assistente de vídeo avisou o juiz sobre a possibilidade de aplicar duas punições: o impedimento do atacante japonês e o pênalti contra o colombiano.
"O impedimento não poderia ter sido aplicado porque o atacante não estava em condições de lutar pela bola", justificou a entidade.
"Ao assistir ao replay, o juiz considerou que Daigo Nishi foi derrubado na área pelo jogador do Atlético Orlando Berrío", explicou.
"A comunicação com o assistente de vídeo foi clara, a tecnologia funcionou e a decisão final foi tomada pelo juiz", resumiu a Fifa.
O capitão do Atlético Nacional, Alexis Henríquez, não concordou em nada com essa visão.
"O que mais surpreendeu foi que eles não reclamaram de falta na hora e o árbitro demorou mais de dois minutos para tomar a decisão, o que acabou marcando totalmente a partida. Foi um duro golpe para nós", lamentou.
O técnico Reinaldo Rueda também criticou a decisão, mas preferiu não usá-la como justificativa pela derrota. "Não podemos sentenciar que fomos vencidos pela tecnologia. Hoje fomos vítimas dessa novidade, mas achávamos que tínhamos condições de virar o marcador", ponderou.
- Problema do jogo corrido -Essas duas primeiras experiências, na verdade, levantam mais questionamentos sobre a forma com a qual o recurso foi usado.
Em ambos os casos, o juiz teve que parar o jogo em andamento para rever a jogada anterior por ter sido avisado só depois pelo assistente de vídeo.
Algo impensável nos outros esportes que usam o vídeo para auxiliar a arbitragem, como o vôlei, o tênis ou o futebol americano.
A grande diferença é que, nessas modalidades, o jogo não é corrido e para depois de cada jogada.
Ao pedir a revisão com a bola rolando, corre-se o risco, por exemplo, de interromper uma jogada importante. Pode-se chegar até ao absurdo de o assistente pedir revisão de uma jogada depois de outro lance posterior que teria resultado em gol.
Ou pior ainda: se demorasse um pouco mais, o gol de Cristiano Ronaldo poderia ter sido anulado ou validado depois do apito final. O episódio só não causou confusão maior ainda porque o Real já vencia por 1 a 0.
O primeiro problema é o novo recurso está sendo apenas testado em condições reais, com a ideia de ser validado em março de 2018, antes da Copa do Mundo na Rússia, mas já está mexendo com o destino de times em uma competição oficial.
Na quarta-feira, o pênalti marcado a favor do Kashima Antlers acabou sendo decisivo na eliminação do Atlético Nacional, derrotado por 3 a 0 depois de ter dominado amplamente o primeiro tempo, antes de o time japonês abrir o marcador.
"Estes testes de arbitragem com vídeo em condições 'ao vivo' representam um grande passo para frente", havia declarado antes do início da competição o ex-craque Marco van Basten, diretor da divisão de desenvolvimento técnico da Fifa.
Depois das polêmicas que marcaram as duas semifinais, o mínimo que se pode dizer é que a inovação está longe de ser unanimidade.
"Para ser sincero, não gosto muito dessa invenção, só causa confusão. Espero que isso não continue, porque, para mim, isso não é futebol", desabafou nesta quinta-feira o croata Luka Modric, do Real Madrid.
O técnico 'merengue', Zinedine Zidane, foi mais diplomático, mas não deixou de usar um tom crítico.
"Temos que nos adaptar ao que a Fifa quer para melhorar o futebol, mas as coisas precisam ser mais claras para todos. Não foi o caso nesta jogada", criticou.
A jogada em questão envolveu ninguém menos que Cristiano Ronaldo, que acaba de conquistar sua quarta Bola de Ouro na segunda-feira.
Depois de mandar uma bola na trave e perder várias chances claras, o astro português finalmente conseguiu balançar as redes nos acréscimos, mas tudo quase foi por água abaixo.
Na hora que a bola entrou, o juiz Enrique Cáceres apontou para o círculo central, validando o gol, e o adversário do Real, o América, do México, foi para a reposição de bola.
O jogo seguiu normalmente por alguns segundos, até ser interrompido pelo árbitro, que foi avisado pelos dos assistentes de vídeo sobre um possível impedimento do português.
Depois de consultar o replay, foi confirmado que CR7 estava em posição legal e o gol foi validado definitivamente.
- 'Não fomos vencidos pela tecnologia' -Por mais que tenha causado uma grande confusão, o episódio não influiu no resultado da partida.
O mesmo não pode ser dito da grande estreia do uso do vídeo em uma competição da Fifa, na véspera, no duelo entre Atlético Nacional e Kashima.
Aos 29 minutos de jogo, o colombiano Orlando Berrío trombou na área com o japonês Daigo Nishi, que caiu na área.
O árbitro húngaro Viktor Kassai deixou o jogo seguir, mas dois minutos depois foi avisado pelo assistente de vídeo da necessidade de rever a jogada anterior.
O próprio Kassai assistiu ao replay em uma tela na beira do gramado e acabou apontando para a marca do cal. Shoma Doi converteu a penalidade máxima, depois de uma decisão polêmica que deixou os colombianos inconformados.
A falta foi longe de ser clara e, para piorar, o atacante japonês estava impedido na hora do contato com Berrío.
A Fifa explicou em um comunicado que o árbitro assistente de vídeo avisou o juiz sobre a possibilidade de aplicar duas punições: o impedimento do atacante japonês e o pênalti contra o colombiano.
"O impedimento não poderia ter sido aplicado porque o atacante não estava em condições de lutar pela bola", justificou a entidade.
"Ao assistir ao replay, o juiz considerou que Daigo Nishi foi derrubado na área pelo jogador do Atlético Orlando Berrío", explicou.
"A comunicação com o assistente de vídeo foi clara, a tecnologia funcionou e a decisão final foi tomada pelo juiz", resumiu a Fifa.
O capitão do Atlético Nacional, Alexis Henríquez, não concordou em nada com essa visão.
"O que mais surpreendeu foi que eles não reclamaram de falta na hora e o árbitro demorou mais de dois minutos para tomar a decisão, o que acabou marcando totalmente a partida. Foi um duro golpe para nós", lamentou.
O técnico Reinaldo Rueda também criticou a decisão, mas preferiu não usá-la como justificativa pela derrota. "Não podemos sentenciar que fomos vencidos pela tecnologia. Hoje fomos vítimas dessa novidade, mas achávamos que tínhamos condições de virar o marcador", ponderou.
- Problema do jogo corrido -Essas duas primeiras experiências, na verdade, levantam mais questionamentos sobre a forma com a qual o recurso foi usado.
Em ambos os casos, o juiz teve que parar o jogo em andamento para rever a jogada anterior por ter sido avisado só depois pelo assistente de vídeo.
Algo impensável nos outros esportes que usam o vídeo para auxiliar a arbitragem, como o vôlei, o tênis ou o futebol americano.
A grande diferença é que, nessas modalidades, o jogo não é corrido e para depois de cada jogada.
Ao pedir a revisão com a bola rolando, corre-se o risco, por exemplo, de interromper uma jogada importante. Pode-se chegar até ao absurdo de o assistente pedir revisão de uma jogada depois de outro lance posterior que teria resultado em gol.
Ou pior ainda: se demorasse um pouco mais, o gol de Cristiano Ronaldo poderia ter sido anulado ou validado depois do apito final. O episódio só não causou confusão maior ainda porque o Real já vencia por 1 a 0.
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