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Brasil faz seu melhor Pan com delegação menor e mais eficiente em Lima

O ginasta Chico Barretto exibe as três medalhas de ouro que conquistou em Lima - Washington Alves/COB
O ginasta Chico Barretto exibe as três medalhas de ouro que conquistou em Lima Imagem: Washington Alves/COB

Rubens Lisboa

Colaboração para o UOL, em São Paulo

11/08/2019 22h16

O Brasil levou aos Jogos Pan-Americanos de Lima a sua menor delegação das últimas quatro edições do evento e conseguiu fechar na segunda posição do quadro de medalhas depois 56 anos com recordes e pouco dependente de modalidades coletivas para fechar com sua maior eficiência nos últimas quatro edições.

Competiram em Lima pelo Time Brasil 485 atletas, uma queda de mais de cem em relação a Toronto-2015 - evento anterior aos Jogos Olímpicos de 2016, e um número ainda menor quando comparado aos que estiveram na edição caseira do Pan, baixando 174 do total do Rio-2007.

Apesar da queda na quantidade de atletas, o Brasil bateu seu recorde de medalhas com o total de 171, 30 a mais que as últimas duas edições em Guadalajara-2011 e Toronto-2015, além de superar a melhor marca que era do Rio em 14 no total. Em ouros, foram 55 no Peru, três a mais em relação ao Rio, maior resultado até então.

Pela primeira vez nos últimos 12 anos, o Brasil precisou de menos de dez atletas para cada medalha de ouro conquistada, com 8,8 atletas por medalha. Quando considerado o total de pódios, foram um a cada 2,8 atletas.

Na melhor participação brasileira até este ano, o Brasil teve um ouro a cada 12,67 atletas, além de uma medalha a cada 4,19 no Rio-2007. Em Guadalajara, o número havia melhorado, com 10,87 ouros per capita e 1 medalha para cada 3,70 atleta que compôs a delegação. A campanha teve uma piora em Toronto, quando foram necessários 14 atletas para cada ouro e 4,18 por pódio.

A Panam Sports aumentou significativamente a quantidade de provas e medalhas disponíveis nos últimos quatro ciclos - parte em consequência do crescimento do próprio programa olímpico no período e este fator ajudou países como México e Colômbia a subirem no quadro. Os mexicanos foram dominantes em modalidades como o raquetebol e a pelota basca, competições que o Brasil nem participou - com exceção de Filipe Otheguy, que foi bronze em uma categoria da pelota basca.

Entre os esportes que não integram o quadro olímpico, o Brasil somou apenas cinco medalhas, com apenas uma de ouro - embora também tenha conseguido pódios em provas não-olímpicas, mas que estão dentro do escopo de modalidades que estarão nos Jogos Olímpicos de Tóquio-2020.

O resultado brasileiro se deu com as boas participações em esportes como atletismo, natação, canoagem slalom, ginástica artística, hipismo, judô, taekwondo, triatlo e vela, além de somar em esportes em que o país não tem grande tradição, caso do badminton, que teve o primeiro ouro com Ygor Coelho.

Ao mesmo tempo em que teve crescimento em modalidades individuais, o destaque negativo da participação brasileira foi nos esportes coletivos. A exceção foi o basquete feminino, que voltou a conquistar um ouro depois de 28 anos.

O Brasil não teve nenhuma equipe no futebol, nem no beisebol e softbol, basquete masculino ou mesmo no hóquei sobre grama. No vôlei, apenas um bronze no masculino e o feminino fora do pódio.

O handebol feminino se manteve imbatível na competição, mas o masculino perdeu a vaga olímpica via Pan ao ficar com o bronze. No polo aquático foram dois bronzes, que não foram úteis na busca pela classificação para Tóquio.

Saideira

Mayra comemora seu primeiro ouro pan-americano - SERGIO MORAES/REUTERS
Mayra comemora seu primeiro ouro pan-americano
Imagem: SERGIO MORAES/REUTERS

Depois de dois dias com mais de 20 medalhas entregues ao Time Brasil, o domingo (11) foi um pouco mais econômico. Mas não é que tivessem tantas competições assim em andamento para aumentar o recorde brasileiro neste Pan.

No fim, ainda sobrou tempo para sete medalhas serem computadas, incluindo um último ouro com a Mayra Aguiar. Nada mais apropriado, considerando o currículo da judoca, que já foi campeã mundial e duas vezes medalhista olímpica.

Ainda no campo das artes marciais, os caratecas brasileiros ganharam duas medalhas de prata, com Douglas Brose e Henrique Veríssimo, e um bronze, com Vinícius Figueira. A modalidade, que será olímpica em Tóquio-2020, se despediu de Lima com apenas um ouro.

Por fim, Marcus Vinicius D'Almeida, 21, ganhou a prata na prova de recurvo do tiro com arco. Medalhista nos Jogos Olímpicos da Juventude, Marcus havia sido bronze em Toronto-2015 na competição por equipes.

Errata: o texto foi atualizado
Ao contrário do que informado anteriormente, em Guadalajara foram computados 10,87 ouros per capita e 1 medalha para cada 3,70 atleta que compôs a delegação do Brasil e não 3,70 medalhas para cada atleta. O erro foi corrigido.