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Nem Isaquias impede queda de investimento na canoagem: "Apoio desapareceu"

Isaquias Queiroz, canoísta do Brasil - Andre Penner/AP
Isaquias Queiroz, canoísta do Brasil Imagem: Andre Penner/AP

Demétrio Vecchioli

Do UOL, em Lima (Peru)

26/07/2019 04h00

Três anos depois de Isaquias Queiroz se tornar o maior multimedalhista olímpico do país, a canoagem velocidade está em curva descendente no Brasil. Se no Pan de Toronto-2015 a modalidade foi a quarta que mais ganhou medalhas para o Time Brasil, para a edição de Lima a projeção é de um desempenho inferior.

"Nossa meta é ganhar sete medalhas, duas a menos que em 2015", diz Álvaro Acco Koslowski, chefe de delegação da canoagem velocidade. Mas como explicar esse recuo justamente no momento em que a modalidade manda à água o maior expoente de sua história? Para o dirigente, há uma razão básica: falta de dinheiro.

"O apoio que a gente tinha no ciclo olímpico passado simplesmente desapareceu. Nossas equipes permanentes não funcionam mais por falta de patrocínio. A queda de desempenho é proporcional à falta de investimento. A equipe de caiaque acabou no início de 2017, por exemplo. Não fizemos a preparação ideal, mas uma preparação adaptada", diz.

Em 2017, a canoagem tinha o segundo maior patrocínio do esporte olímpico do Brasil. Naquele ano, o Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) se comprometeu a disponibilizar R$ 15 milhões, mas não diretamente à Confederação Brasileira de Canoagem. O apoio era feito via Lei de Incentivo, em grande parte para uma entidade pouco conhecida, a Academia Brasileira de Canoagem (Abracan). Ela foi criada em 2010 num momento que a CBCa estava proibida de receber recursos públicos. Só entre 2015 e 2016, as duas entidades receberam junta mais de R$ 40 milhões do BNDES.

Pois esse apoio acabou em 2017, sem grandes explicações. Até hoje a CBCa diz que segue negociando com o banco, mas a verdade é que, em termos práticos, o dinheiro acabou. A modalidade agora compete apenas com o dinheiro proveniente da Lei Agnelo/Piva. De todo modo, o projeto mais relevante da entidade, o centro de treinamento montado pelo técnico espanhol Jesus Morlán em Lagoa Santa (MG) para a canoa masculina, continua em atividade.

A mesma sorte não tiveram outras equipes. O caiaque masculino agora só faz estágios pontuais de treinamento. "Eles não têm o treinamento adequado", admite Koslowski. A equipe será a única que disputará o Pan no pico de performance. Quem apresentar resultados expressivos, não apenas com relação à cor da medalha, mas também em tempo, poderá ser convocado para o Mundial. O campeonato será disputado a partir de 21 de agosto, valendo também como seletiva olímpica.

Para a canoa masculina (Isaquias Queiroz e Erlon Souza) e para Valdenice do Nascimento, o Pan é apenas um estágio antes do Mundial, grande foco da temporada. Eles estão pensando em Tóquio-2020. "Com Isaquias e o Erlon, estamos seguindo o plano que o Jesus havia iniciado em 2017. O Pan não é o foco principal. Não estamos pensando em ganhar o Pan, mas em buscar a classificação para os Jogos Olímpicos", disse Koslowski.