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Guga faz biografia para ver se entende de uma vez carreira 'sem sentido'

Vinicius Konchinski

Do UOL, no Rio de Janeiro

06/02/2014 06h00

O maior tenista brasileiro de todos os tempos, Gustavo Kuerten, venceu três vezes o torneio Grand Slam de Roland Garros e foi considerado o melhor do mundo em 2000. Até hoje, contudo, ele mesmo não sabe explicar como tudo isso aconteceu. Por isso, resolveu rever toda sua carreira e escrever um livro sobre ela. O livro deve ser lançado ainda neste ano e é inspirado na biografia do também ex-tenista Andre Agassi.

“Mas eu sou o contrário do Agassi. Ele foi obrigado a jogar pelo pai. Eu não”, ressalta logo Guga, bem humorado, ao falar sobre seu novo projeto num intervalo de um compromisso profissional no Rio de Janeiro. “A contribuição do Agassi é essa coisa de contar o que vai além da quadra. Trazer mesmo a face humana do tenista. Isso o meu livro deve ter.”

O livro está sendo escrito por Kuerten, com a colaboração de Luís Colombini, jornalista de São Paulo. Guga disse que Colombini já virou “parte de família” tamanha é a proximidade que os dois alcançaram durante as entrevistas para a publicação e tem ajudado muito a organizar melhor o que parece ter sido fruto do acaso.

“Se você analisar do início ao fim a minha carreira, não tem muito sentido. Ela é uma história de cabeça para baixo. Era para ser jogador de uma bola grande e fui jogar uma bola pequena”, afirma. “O livro está até me ajudando a tentar entender tudo isso.”

Segundo o próprio Guga, é difícil explicar como um garoto de Florianópolis conseguiu ser o tenista número um do mundo. Ele diz que nunca imaginou que atingiria posto que conquistou com jogador profissional e confessa que, mesmo durante seu auge, chegou a duvidar de sua capacidade de vencer seus adversários.

“Em 1997 [ano em que Guga venceu seu primeiro Roland Garros], eu entrei em quadra contra Kafelnikov com certeza de que iria perder a partida”, revela. “Fui jogar e não pensava que podia ganhar, mas ganhei.”

Essa história e outras devem estar no livro de Guga, editado pela Sextante. Ele diz que pretende contar também passagens de sua infância que contribuíram para sua carreira. Vai falar até de uma promessa que seu ex-técnico Larri Passos fez ao seu pai quando ele tinha 7 anos, e que foi decisiva para Guga.

“Quando eu ainda era criança, Larri foi à minha casa e prometeu para meu pai que iria me treinar. Ele me contou isso para mim no vestiário em Rolando Garros. Aquilo ficou marcado”, conta.

Guga diz que não tem revelações polêmicas a fazer em seu livro. Finaliza dizendo que espera que ele sirva de inspiração para que outras pessoas sigam seus sonhos, por mais improváveis que eles sejam. 

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